As Três Marias
TANTAS MARIAS
Mara maravilhosa Maria
Maria que diz ser flor
Profunda à sua cor
Maria de madalena, que não tem problema
Fruto proibido é a Maria
Aquela da Silva, vai conforme o ritmo
Dança noite e dia
Essa mulher só fala no grito
Forte, a Maria sorri
Vive feliz
Ela é a Maria de Jatobá
A princesa do arraiá
Ainda tem a Maria mulher
Que diz ter caído do céu
Corpo violão, Maria tem
Dizem que sua boca tem gosto de mel
É tanta Maria nesse meu Brasil
Marias do amanhecer, nos faz enlouquecer
São de salgar um dia sem sal
Liberam uma energia tão alto astral
Mas.. o que Maria tem que as outras não tem?
Talvez Maria dos perfumes tenha aquele cheiro
Porque nasceu num jardim bem tratado
Esse nome me persegue, me dá até medo
Silêncio.. a Maria vem aí
Ela vem chegando para destruir meus sentimentos
Não porque Maria é brava
Mas porque ela sempre me abraça.
Em meio a tantos, outros alguém.
Em meio a tantas, marias.
Em meio a tantas, julianas.
Em meio a tantas, beatriz.
Em meio a tantos, severino.
Em meio a tantos, João.
Em meio a tantos, outros alguém.
Que seu nome é sua identificação.
Sou mais um,
que é julgado inocentemente perante a lei...
da raça humana.
Autor
Sergio Macedo
Quando eu crescer quero ser poeta
Para entender a linguagem das aves
E a devoção das ave-marias
Pra aproveitar as noites vazias
E entender os seus mistérios
Quando eu crescer eu quero ser poeta
Pra entender de saudade
E descrever as lembranças com minúcias,
Belezas e prazeres vividos
Quando eu crescer eu quero ser poeta
Para ter noção do que é ser triste,
Porque só quem tem essa noção
Sabe distinguir o que é felicidade
Existem pessoas com cara de Trakinas por achar que somos Passatempo. Existem Marias vencidas que se acham o último Calipso do pacote.
QNM
meu endereço
onde padeço
onde me reconheço
quês, nadas, Marias
porquês
rua cheia de Guiné
vestibular pra não perder a fé
já tive cabelo bom
cúspide pra ser preto
y dipôs doutros entusiasmos
expecto somando desejo
ainda quando não percebido
mesmo que um lapso ríspido
me arrete
(desfibril-a-dor)
amanhã não sei se esqueço
s'eu ninar
ou rezar
é banzo - de qualquer
jeito
Às Marias Santas
Às que não são
Às que lutam por mantas
E pelo dificil pão
Na árdua lida
Por respiro e chão
Dos filhos, GRATIDÃO
Sidney Santos
POETA DOS SONHOS
Sidney Sid Santos
Miramos nos andrés, joões e marias que através do equilíbrio nas rodinhas encontram equilíbrio na vida. Aprendem a se levantar e caminhar pois a queda, no skate ou na vida, é inevitável
Estou grávida de Marias
À Querida Maria Taquara, minha irmã, meu anjo alado...
Estou grávida de Marias
Maria Estelar de doçura sem igual
Maria Solar de beleza universal
Maria Alegria acorde de melodia
Maria ousadia força motriz da magia
Maria Taquara eternidade de toda seara
Maria passado, presente futuro
Maria liberta de toda grade de todo muro
Maria feminina eterna flor que fascina
Mas há mentes doentes que inventam e profanam
São meros e insignificantes mortais
Construtores de moralidades insanas
Suas calças compridas tinham rendas e babados
Suas blusas floridas provocavam olhares embasbacados
Seus turbantes africanos tinham cores indecifráveis
Era pura alegoria, mulher que inspirava filosofia
Nasceu para ser rainha e iluminar travessias
Maria que transcende toda mera fantasia
Quando chegava às margens do rio para o banho de alquimia
Era reverenciada pelas ondinas do reino da sabedoria
Para demonstrar sua gratidão convocava a ancestralidade
Olhava para o céu, dobrava os joelhos e estendia as mãos
Entoava lindos cantos de amor, carinho e devoção
Até as águas paravam e rendiam a tamanha encantação
De volta, subia a avenida com sua sombrinha dourada
Era tão bela quanto Oxum com seus decotes ousados
Seus olhos misteriosos provocavam um rebuliço danado
Ah se alguém achar que estou mentindo
Convoco para um desafio com meu cajado enfeitiçado
Mas ninguém mexe com Maria, minha irmã, meu anjo alado...
Do livro: Deusas Aladas
MARIAS
Maria bendito nome
Da santa mãe de Cristo
Maria! Quantas Marias!
Quantas Marias sem Cristo.
Maria somente o nome
Maria sem sobrenome
Maria sem paz na vida
Maria sem fé em Cristo.
Maria desiludida
Maria sem sonhos
Marias, Marias, Marias...
Maria pecaminosa
Maria filha da fome
Maria sem esperança
Maria que lamenta a sorte
De ser apenas...
Maria,
Maria,
Maria...
Ave-marias,
Um silencioso hiato aquece-me,
Ave-marias,
As vozes, as cordas e tudo mais dizem a verdade,
Ave-marias,
Ouço a lenta respiração que corta a besta pressa,
Ave-marias,
Quanta delicadeza num punhado de dó, ré, mi, fá, sol, lá, si,
Ave-marias,
Tempo que foge devagar,
Ave-marias,
Santos cantos,
Ave-marias,
Acalentado pela esperança,
Ave-marias,
Pode o riso ser eterno?
Ave-marias,
Só se a vontade estiver cega,
Ave-marias,
Para todos ouvirem,
Ave-marias,
Inesquecivelmente profundo,
Ave-marias,
Doze vezes ouvindo,
São tantas Marias.
Maria que trabalha.
Maria que luta.
Maria que não desampara.
Maria que cuida.
Maria que acolhe.
Maria para todas as horas.
Maria que te levanta.
Maria que te abençoa.
Maria,Maria,Maria.
Aí de quem não tem uma Maria!
São tantas Marias, Raimundas, Franciscas
São tantos Joões, Pedros, Rafaeis Bragas
São tantas centenas de Jovens,
Mulheres, Idosos, Idosas.
São tantas diferentes vidas que buscam
diariamente os nossos atendimentos.
E nós diante da imensidão de coisas para fazer
parecemos tão poucas.
Somos tão poucas nas CPPL’s, nas Penitenciárias,
no Centro de Detenção, no Centro de Triagem,
nos Nucav’s, no Nuasf, no Irmã Imelda,
na Supervisão de Serviço Social da SAP.
Somos tão poucas diante das injustiças,
das violações de direitos, dos retrocessos.
Somos tão poucas diante das lágrimas derramadas,
dos pedidos de socorro, da solidão das celas lotadas.
Somos tão poucas para ouvir tantas histórias,
Compreender tantas desigualdades e agir
corretamente na garantia de direitos.
Somos tão poucas, e as vezes, tão sozinhas.
Somos tão poucas em número, quantidade
É verdade!
Mas mesmo sendo poucas somos capazes de
transformar tantas diversas realidades.
Somos capazes de enxergar vidas aos invés de números,
artigos, processos, estigmas.
Somos tão poucas, mas para as Marias, os Joões,
os Rafeis Bragas somos gigantes, necessárias e fundamentais.
Somos, sim, Assistentes Sociais.
Mães e seus Ms
M
Mês
Maio
Maes
Marias
Manias
Manha
Manhãs
Maternidade
Mulheres
São tantos Ms
Dentro de tanto amor e dor
Com maestria fecunda
Gesta
Pari
Cesaria
Cordão umbilical
Invisívelmente
Tatuado
Amor existe e resisti
Depois que todos se foram
Fica os Ms
Fica forte
Mães não são todos
Porque todos
É muita gente
E mãe
É uma só!
Eu, Mariô.
Tu, Mariás.
Ela, Maria.
Maria amanhece aurora
Eduarda vence outrora
Filha do sol
Cria da luz
O canto do rouxinol
Pequena que me seduz
Maria desabrocha uma flor
Eduarda enobrece o amor
Oriunda do ventre materno
Respiro de uma oração
Criança do riso fraterno
Que fez casa no meu coração.
Quantas Marias, quantos Pedros ou Josés andam percorrendo o mundo a procura de si próprios, sem perceberem que esse encontro só se dá quando conseguem perdoar suas próprias histórias e amarem a si mesmos.
Série: Minicontos
GUERREIRAS
As Marias fateiras do saudoso Araçagi, antagônicas ao imperativo machista, negociavam seus sonhos e fatos na feira livre de sua Esperança. Contra hegemonia...