Tag obscuro
O obscuro das ideias, atrás da ingenuidade dos fatos.
Não diminua a intensidade da sua luz para acompanhar o lado obscuro ou sombrio de alguém ou de algo...
Lembro-me perfeitamente daquele olhar sem piedade
que estrangulava-me o coração a cada piscar de olhos
e levava meu corpo inteiro a estremesser incessantemente de um desejo ardente.
Era como olhar pro céu ensolarado e inesperadamente
ver uma tempestade tomando conta de todo o espaço nas alturas
tornando o lindo dia mais que depressa, sombrio e misterioso.
Seu toque tão delicado, por instantes insinuava
como quem pudera ser a criatura mais amável
que já conhecera, esta terra.
E assim subitamente consumia-me.
Ao passo que em poucos segundos
já não era mais eu, era você
e pude sentir o que sentira 'um vacuo'.
A escuridão em sua mente tão intensa e inoportuna,
nada me deixou desvender de ti.
Eu os podia sentir,
mas não os podia ver,
e a insanidade me possuiu.
Era como beber em um copo vazio
e saciar completamente a sede;
Como estar sozinho em meio ao oceano pacífico
e não sentir-se perdido,
mergulhar naquela imensidão de águas
e poder tocar todas as suas extremidades.
E assim, embreagada por esse supremo e obscuro amor, entendi que na escuridão dos sentimentos sempre haverá uma chama de desejo que irradia luz, e onde houver amor, mesmo que insano, mesmo que irracional, mesmo aparentemente sombrio essa pequena chama de luz permanecerá acesa enquanto o desejo for correspondido.
Uma dedicatória ao obscuro de Cathy e Heath.
Talevi, J.
*
✍️...
"Nunca esqueça de onde veio,
consulte sua consciência e raciocínio,
quando alguém nunca fala do seu passado e suas origens, geralmente ele deve ser obscuro..."
***
Uma falha.
Tudo que eu sei.
Se derrete em lodo lúgubre.
A realidade se torna uma mera ilusão.
Uma carcaça vazia me chama.
Olho a humanidade em prantos
Talvez acharei a cura
Ou me perco do meu corpo.
Observo minha pele borbulhando em depravação.
Busco reconfigurar meu ser
Ou perderas-te para sempre nesse abismo inexistente.
Minha alma é única
Ela não deveria se transfigurar
Minhas verdades e ideias são dissipadas pelas águas turvas da aflição.
Lentamente distancio e vislumbro, algo que já foi vivo algum dia.
Os homens, todos, procuram refúgio no prazer.
Mas ao entrar em contato com o mesmo acabam todos, escravizados pelos mesmos.
Por não compreenderem que ali não há refúgio apenas submissão, causando declínio sem regressão.
Toda a arte, no futuro,
há-de ter na inspiração
qualquer coisa de obscuro
para ter aceitação.
I
Do modo que a evolução
toma conta dos humanos,
de pouco valem os planos
por obséquio à união…
e no meio da confusão
vai-se o génio do ar puro
para o negro quarto escuro,
onde a arte pouco medra,
e será feita de pedra
toda a arte, no futuro…
II
Meu perdão às esculturas,
de talento absoluto,
oposto da pedra em bruto
que citei nas conjecturas
destas linhas mal seguras
ao fim da premonição,
dedicada à multidão
que me mostra, na remessa,
o que o monstro, sem cabeça,
há-de ter na inspiração…
III
E haverá num só poeta
muitos ais enfurecidos,
como os cromos repetidos
da mais longa caderneta…
bramirá todo o planeta
os rugidos que auguro,
de cabeça contra o muro
da fronteira irracional
Deixando ver, afinal,
qualquer coisa de obscuro…
IV
Nas árias inteligentes,
as notas são escusadas,
se o barulho das cabeçadas
são graves e estridentes...
os sinais são evidentes,
ante a turva ebulição,
destinada à profusão
do humano em estado bravo,
e o artista será escravo
para ter aceitação...
António Prates