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E a saudade mais complexa, talvez injusta e difícil de entender ou de se lidar é aquela que sinto por uma pessoa que nunca pude conhecer. É a falta que me traz um sorriso de uma face rubra jamais tocada, de um olhar doce tampouco aguçado, de um abraço sincero sequer sentido nos aconchegos dos meus sonhos. É o vazio que foge de interpretações racionais e embarca no campo das emoções sem pedir licença, sem falar o porquê, sem trazer o eco daquela voz que jamais escutei fisicamente.
Minha saudade sem sequer te conhecer é você.
Quando estamos próximos aos amigos de verdade e de pessoas que nos fazem lembrar de bons tempos é complicado acalmar toda a ansiedade por dias melhores.
"Entregue ao abraço frio da morte estou, arrepios cegos enchem- me de desespero, vozes ecoam em minha mente, lamentos, gritos, sons infernais, lobos uivam incessantes... cânticos de corujas pacificam a atmosfera gélida de um inverno intenso, cheio de sangue e lágrimas, irmãos partindo, perdas... retiro a mão do peito e deixo escorrer a essencia de uma vida, em um ultimo suspiro amaldiçôo seu nome com ternura, nao sinto raiva, muito pelo contrario... arrependo- me por tudo que nao fiz, olho para fora e vejo que nao tem mais volta... sangue mistura- se à neve, sinto sua mão a me tocar, sorrio, e junto- me ao inverno denso, minha alma dissipa- se no frio, mas saiba q estarei sempre com voce, de alguma forma, nao deixarei que nada te aconteça... e que caia a neve de fevereiro...."
Saudade dói, mas é uma dor deliciosa. Saudades doem porque momentos valeram a pena, porque somos arrebatados por lembranças maravilhosas. Saudades doem e incomodam, incomodam para nos lembrar que vivemos e ainda estamos vivos.Saudade é um mecanismo de resposta da alma.
O meu tempo é o hoje.
O que foi já é passado:
É somente um retrato
Num baú empoeirado.
Só viver de nostalgia
É como paralisia,
É tempo desperdiçado.
Verso teimoso
Eu não preciso escrever.
Quem se importaria com meus escritos?
Penso então, que talvez seria até bom não escrever.
Mas o verso é teimoso.
O verso é insistente.
Invade feito tisunami as páginas em branco
Trazendo consigo avassaladoras palavras salgadas.
Penso então, que talvez até seria bom não escrever.
Quem sabe não haveria aflição e devaneios ?
Eu não seria incauta ao fantasiar
Meus versos viajando no tempo e no espaço
Cruzando fronteiras
Quem sabe se não escrevesse, a inquietude não existiria ?
Eu olharia da varanda o entardecer de domingo,
Veria tão-somente o entardecer de domingo...
E não um pedaço de tempo passando
Um pedaço a menos de vida.
De nostalgia e solidão não vestiria o momento bucólico da varanda
Esperando, com nostalgia e solidão, a visita da noite
Viver com pesar a morte de mais um dia
Teimosa, mais que o verso,
Então eu escrevo.
Tita Lyra
Dias de dezembro...
Chega dezembro
Com sua crueldade invade os corações
Traz a saudade daqueles que queríamos perto
Relembra o pesar das vivências mal decididas
Evoca a angústia de vermos um ano se acabar sem as realizações tão sonhadas, brotadas à mesma época do ano que passou...
Sei que este é ideal inverso, que a magia envolve esses dias de amor...
disso não duvido
Apenas não ignore minha lamúria, pois ela também é real.
Vivê-la é o que tenho de concreto aqui, agora
Transformá-la em perspectivas otimistas é meu plano para os próximos instantes
E que ninguém julgue tal surto contraditório
Pois o consolo muito breve virá:
A esperança cuidará de convencer-me que a vida é esplendorosa
Que ela recomeça a cada dia, mesmo que seja um dia de dezembro.
Lembranças do passado é como rodar disco de vinil na vitrola, às vezes a agulha arranha de rodar sempre na mesma faixa...
Tudo é encanto.
É beleza.
É leveza.
Tudo é formosura.
É fantasia.
É nostalgia.
Tudo é amor.
É emoção.
Tudo é pura sedução.
Hoje tô meio assim:
Meio triste
Meio sozinha
Meio pensativa
Meio na minha
Meio reflexiva
Meio calada
Meio nostálgica
Meio nada
Estou tão meio tanto
Que juntando os pedacinhos
Dá um inteiro de depressão.
A moda pode ser nostálgica, desde que, as informações possam
virar grandes inspirações para novas criações.
Escrever!!
— É ter a façanha de tirar das entranhas, palavras genuínas de emoção, que encantam o coração!
— É rascunhar o que vivência, muitas vezes até com nostalgia, e desse modo apaziguar o pavor da melancolia!
Rosely Meirelles
O teu vazio mora aqui do lado.
Na cama vazia.
No guarda roupa sem suas camisas
No sofá da sala.
O teu vazio mora aqui, dentro de mim.
Na falta de colo,
De afago,
De presença.
Indeléveis vazios que estão a me consumir.
Transição
E nos bosques de minha alma
Se esconde o tempo
Onde um dia eu fui feliz
Em que não havia marcas
Não havia cicatriz
Eu era inteira e segura
Não temia a solidão
Que hoje me tem como prisioneira
Sem carinho e sem razão
Oh alma sofrida venha aqui
Me dê sua mão
Não deixe a nostalgia roubar seu brilho
Tirar sua fé e ferir seu coração
O passado é só história
Que mora apenas na memória
Cuide então do seu presente
não deixe que ele passe em vão
Ele é sua semente que irá colher alí na frente
Olhe adiante , pise no chão
E quando o “ontem” na porta do “hoje” bater
Seja firme não se deixe amolecer
Diga Adeus e agradeça pelo que te fez crescer
Mas não se envolva, feche a porta e se abra para um novo amanhecer.
Nostalgia
Como quisesse amado ser, deixando
O coração sonhador, espaço em fora
A paixão, sem olhares e sem demora
Vestir tua quimera e partir em bando
Excêntrico senso, tonto, malversando
O tempo e a hora, sem valia: e, agora
Que passou, sente a solidão, e chora
E implora, a aura antiga recordando...
E, o agrado rebelando compungido
Atrás, volta carente de convivência
Do abraço com calor e de amante
E assim, nos versos andei perdido
- Já! pranteio a dor em reverência
Murmurando o amor daqui distante
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Novembro de 2018
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
No Limiar dos Dias
Aprendemos que a vida não é um carnaval contínuo.
Há horas em que o corpo se ergue como trincheira,
as pernas inquietas tecem labirintos sem chão,
e os pensamentos, cavalos desgovernados,
rasgam a madrugada com cascadas de talvez.
Então, o mundo se cinde:
de um lado, o véu da fantasia,
onde os desejos são sussurros em chamas, do outro, o chão da realidade, cujas raízes sangram números, horas, cicatrizes.
A conta chega não em moedas, mas em peso.
E se você não se posiciona, o tempo se pociona por você, assim como rio que não retrocede, esculpe suas margens em seu lugar.
Não há escapatória:
é preciso largar a pedra que carrega, aquela que entala o peito e finge ser abrigo,
e seguir com o rio, entregar-se à correnteza que arrasta
até o mar, onde o sal dissolve certezas e o infinito é um útero de recomeços.
Pois só quem solta o lastro do controle descobre que navegar
é também ser navegado pela força que move planetas e ciclos: a arte sagrada de fluir.
Há momentos em que sinto tanta felicidade que não cabe em mim.
Em outros instantes, uma tristeza de meio mundo.
Emoções que não pertencem a mim.
Acredito que só se deve pensar no passado se isso contribuir para melhorar o presente. Caso contrário é pura nostalgia.
Aí lembramos daqueles dias em que sonhávamos acordado... Onde tudo era fantasia; sonho que não queríamos que acabasse.
Agora sob a sombra dos dias; somos vencidos pelo tempo. E, olhando para o passado, vemos as marcas que denunciam nossa fragilidade em nossos rostos.
Sinto-me triste como um restaurante de estrada vazio no inverno. É sempre a mesma coisa no dia do meu aniversário: uma pesada melancolia abate-se sobre mim como uma chuva tropical cada vez que eu penso de novo em Papai, em Mamãe, nos colegas e naquela festa eterna ao redor de um crocodilo estripado no fundo do jardim...
Saudades são as flores das lembranças mais singelas que guardamos, desabrochando sutil e perfumadas no jardim do coração.
"Gostaria de escrever as coisas lindas sobre nós, os dias incríveis que vivemos, as declarações, o amor que em mim transborda.
Mas a nostalgia me esgota.
E só por isso só escrevi: SAUDADES."