Tag gonçalves
Poema: Canto do sabiá
Por que és tão cruel destino?
Por que desta forma me tiraste deste mundo?
Lembrado e esquecido,
Lembrado pelas minhas contribuições
E esquecido em um navio
Nas águas frias me pego a pensar
Nas terras de palmeiras
E no canto do sabiá
Agonizando vou indo ao fundo do mar
Imaginando minha terra de palmeiras
Onde canta o sabiá
Meu pedido atendeste
Me permitiu voltar antes que eu morra
Para ouvir o canto do sabiá
ADIANTADO DA HORA
O vento sussurra
ao meu ouvido
um recado...
Ou algo parecido:
É hora de ir indo
que a noite vem vindo!
ÁGUAS PASSADAS
A água que passa agora
aqui não mais passará.
Aquela que foi embora
aqui não mais voltará.
COISAS DO CORAÇÃO
À procura de alguém
sem ouvir a razão.
Às vezes me encontro
andando na contramão.
IMPERTINÊNCIAS
Toda vez que penso nela
minha mente se confunde.
Quando subo a ladeira
meu joelho se contunde.
AUTOQUESTIONAMENTO
Afinal de contas
de onde vem minha escrita?
Do poeta que me habita
ou daquele me dita?
CHUVA MANSA
A chuva chega mansa
molhando meu chapéu.
E como uma criança
a natureza dança...
Agradecendo ao Céu.
MULHER
Mulher... essa trilogia!
quem cria, é a biologia
quem analisa, é a psicologia
mas quem explica...
é a poesia.
PONTE DA SAUDADE
Na estrada tem uma ponte…
passa carro
passa gado
passa gente
passa quem quiser passar
passa o vento
passa o dia
passa a noite
passa o tempo...
só não passa esta saudade
de outra vez te ver passar.
TEU CHEIRO
Quero te abraçar de novo
e sentir teu cheiro
de canela e "flor de laranjeira"
quero beijar teu rosto
acarinhar teu corpo
e sentir teu gosto
quero levar teu cheiro
de canela e "flor de laranjeira".
(publicada no livro: Antologia V - CAPOCAM Casa do Poeta Camaquense - 2019)
POESIA
Esse é meu jeito de fazer poesia
as vezes com, outras sem rima
sem pontuação, às vezes com vírgula
sem perder a razão, uso a emoção
Escrevendo sério, às vezes brinco
sendo sincero, às vezes minto
Falando de amor ou de mazela
minh'alma está contida no âmago dela...
a poesia.
(publicada no livro: Antologia V - CAPOCAM Casa do Poeta Camaquense - 2019)
A RODA
Bendita invenção que nos conduz
por caminhos premeditados
a destinos tão desejados
nos leva com pressa
para cumprir um dever
sem pressa
para cumprir um prazer
bendita é a roda
que tanto roda…
(publicada no livro: Antologia V - CAPOCAM Casa do Poeta Camaquense - 2019)
ÁRVORE
O vento afaga tua infinita beleza
entre sussurros, acenas com leveza
Noite e dia cresces sem parar
Quantos em teu seio
conseguistes abrigar?
Este estar sempre no mesmo lugar
te faz sorrir e te faz chorar
Meus olhos não querem parar de te olhar…
Quem te plantou neste lugar?
DESDE JÁ
Um dia desses quando eu partir
não quero tristeza
e se quiserem chorar
chorem com leveza
Não perturbem minha paz
entendam…
estarei ocupado
escrevendo a derradeira página
da poesia de minha vida
Partirei tranquilo
não sintam pena
minha vida foi plena
Sorriam…
deixem minha alma partir serena.
(publicada no livro: Antologia V - CAPOCAM Casa do Poeta Camaquense - 2019)
DOCE DESCANSO
Numa estrada sem fim
atravessando o vento
paro para descanso
num pequeno estabelecimento
com um sorriso nos lábios
sou atendido de pronto
por uma menina morena
de tão linda, um encanto
como fosse passarela
entre mesas desfilou
seu corpo magro e bem feito
logo me conquistou
seus andares faceiros
meu café adoçou
seus olhares sorrateiros
minha alma alimentou
EU
Eu...
no verde da mata
no topo da serra
no campo da várzea
na água do rio que vai
Eu…
no sol que ilumina
na sombra da noite
na brisa serena
na lua que sai
Eu…
no canto do pássaro
no vento que sopra
no sorriso da alma
no orvalho que cai
Eu…
poeta que sou
que canta em versos
a musa que encanta
Eu…
poesia que sou.
FRUTO DA CRIAÇÃO
Sou fruto da criação
de sábios progenitores
cultivado com sacrifícios
crescido sem dissabores
infância de maravilha
juventude de amores
vividas na plenitude
sem traumas e sem rancores
sou fruto da criação
de sábios progenitores