Poemas sobre samba
Saúdo a Cabaceira porque
sem ela não há cabaça
para o Samba de Cumbuca,
Sem Samba de Cumbuca
eu não escuto você cantar,
E ficar sem te ouvir cantar
é a mesma coisa que deixar
de ler poesias por todo o lugar.
Ainda batucando
o samba enredo
com as pontas dos dedos,
Você está louco
para saber os meus segredos,
Só sei que também
quero o quê você quer,
Tu vens sem data e hora
marcada quando entender
que me ama como mulher.
Em Festa Junina
também tem
Samba-de-coco
que vai cair no seu
gosto assim como
eu quero cair seu jogo.
Colocar um Samba de Roda
enquanto vou preparar um
Manjar para te conquistar,
Certamente você vai amar
e o teu coração vou povoar.
Coloco você no jeito
do meu Samba-Reggae,
vou te dar o meu
amor como você merece,
Você ainda não conhece
o meu balanço que se atreve.
Quando você dá
um sorriso eu juro
que o meu coração
toca Samba de Coco
e cresce um desejo
louco de te fazer uma
declaração mesmo
sabendo que é cedo
de fazer a revelação.
No meu coração que
é puro Samba-de-matuto,
Você está muito
além dos três pontos,
És o ar que eu respiro
e as pausas quando
declamas sobre o tempo,
Você soube se tornar
os meus pontos cardeais
e todos os dias te desejo demais.
UM SAMBA EM RÉ MENOR
Não é tristeza, é melancolia
um tipo fatal de abstinência
não é dor de corno nem sofrência
é a falta de beleza e poesia.
Ainda escuto, como punição
relembrando tudo que vivi
a música boa que tocava à beira mar
quando te conheci.
Sem a Bossa Nova, “Chega de Saudade”
num bar em Ipanema, que dia agradável
sem você e tudo isso
a vida não poderia ser suportável.
Ainda assim sangra a poesia
o vento sopra e traz esperança
não é desespero é falta de alegria
um tipo fatal de abstinência
não é tristeza, é melancolia...
UM SAMBA EM RÉ MENOR
NA CANDÊNCIA DO SAMBA
Na candência do samba
Eu conheci você
Dançando ciranda
E o maculelê.
Você era a beleza
Em forma e nuance
Eu, um poeta comum
Só queria romance.
Viajamos na noite
Sob a lua de maio
Sem promessa partiste
Me deixando tão triste
Te olhando em soslaio.
NA CADÊNCIA DO SAMBA
Na cadência samba
conheci você,
dançando ciranda e o maculelê.
Morena brejeira dos olhos de mel
não és Julieta, e eu não sou Romeu
somos versos da história
que o amor escreveu.
Morena bonita
de endoidecer
eu fiz este samba pra lhe enaltecer
na rua ou no asfalto
meu partido alto é você.
Na cadência samba
conheci você,
dançando ciranda e o maculelê.
O SAMBA NÃO PODE MORRER,
Eu faço samba noite a dentro
Não perco tempo
Espero raiar o samba
Já fui um bamba
Na ladeira da Rocinha
A letra é minha,
Só me falta a melodia.
O samba se harmoniza
Mas não morre
Quem me socorre
É a poesia
Se alguém perguntar por mim
Diz que subi o morro
Pra cantar com o meu povo
Um samba novo, pra lançar no carnaval.
Do fundo do quintal
Escuto a voz de um coral
A me dizer, que o samba não pode morrer.
Que ele precisa renascer.
Que é preciso ver de novo
A alegria deste povo
Na Estácio, na mangueira.
Na ladeira da Rocinha
Já fui um bamba, hoje o samba
É quem dita a minha vida.
Na ladeira da Rocinha
Subi o morro para cantar
Junto com povo
Para aprender um samba novo
Para lançar no carnaval.
SAMBA PERFEITO
Eu fiz um samba quadrado
Na mesa de um botequim
Só que a mesa era redonda
E o samba ficou ruim.
Um samba sem parceria
Não consegue agradar
É preciso poesia
para o mundo encantar.
Todo mundo quer um samba
Mas a vida é uma dureza
Estão queimando a Amazônia
Destruindo a natureza.
Todo mundo quer sambar
Mas o mundo é uma tristeza
Como pode o poeta inventar
Um samba bom?
Sem a letra do Vinicius
E sem a música do Tom?
Um samba pra ser perfeito
Não escolhe ocasião
Não precisa de instrumentos
Cavaquinho ou violão
Ele vive lá no peito
E se tratado com jeito
Pula pra palma da mão.
Eu fiz um samba quadrado
Na mesa de um botequim
Só que a mesa era redonda
E o samba ficou ruim.
O povo festeja o futebol, solta o samba e adere à bebida, porém seus filhos pagam caro com a falta de segurança, educação social e saúde familiar.
Buscar novas realizações e a felicidade de um ano novo, produzindo o batuque do samba sobre os mesmos passos, é repetir o carnaval de seus fracassos.
Diga menino levado
Porque, deixou de me amar
Fiquei sonhando acordada
Pensando que era seu par.
Fui perguntar as estrelas
Ao sol –até o Arpoador.
O vento trouxe a resposta
O meu amor me abandonou.
Nas notas de um samba triste
Eu abri meu coração
Traga de volta oh vento o meu amor
Para essa canção..
Meu Brasil de Orixás
Levanta poeira
Gira roda gira,
Gira roda baiana
Verde e branco na avenida.
Vem meu amor,
Esse enredo é todo presente.
Os deuses ficam contentes
Com esse luau de esplendor.
Todos os diabos estão soltos,
Loucura é sinônimo de paixão,
Nanã é deusa da chuva,
Xangô é deus do trovão.
Omulu, o rei dos cemitérios
É a força da transformação,
Dono da vida e da morte
Me dê paz nesta vida de ilusão.
Quero ter o seu amor,
A magia começou.
No terreiro sou a gira,
Sou a raça multicor.
A caça é o vício de Oxossi,
É deus dos caçadores,
Protege a natureza generosa,
Aumenta a fartura de amores.
E por falar em amores,
Iansã se apaixonou por Xangô.
Sensualíssima e fogosa,
É tormento na avenida, Vem Quem Quer!
Vem quem quer meu pai Obá,
Vem girar ô mãe Nagô,
Quero ver você suar
Esse corpo de Oxalá.