Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt
Há beijos...
Há beijos que pronunciam por si sós
a sentença de amor condenatória.
Principalmente aqueles beijos dados
em segredo no coração não têm volta.
Gabriela Mistral, Claudio Estrada,
Rufino Blanco Fombona,
Fortoul-Hurtado e o poeta anônimo
de um poema viral — meus advogados —,
trouxeram à luz que a tua existência é a prova. Venha, porque a hora de amar é agora!
Há beijos que se dão com o olhar,
tantos dei e ainda te dou sem que saibas.
Há beijos que se dão com a memória,
os nossos não acabarão em nada.
Haverão de ser os nossos beijos
o nosso estabelecimento da íntima pátria.
...
Nota: Este poema foi inspirado no famoso "Beijos", erroneamente atribuído a Gabriela Mistral. Invoco Mistral e outros autores como "meus advogados" para denunciar ironicamente essa falsa atribuição. Uma homenagem ao verso que se tornou uma expressão popular de amor.
Se queres cumprir
o teu papel de homem,
é claro que eu deixo fazer,
desde que me permitas
cumprir o meu de mulher.
Saiba que se for assim,
terás tudo quanto quiser,
desde que saiba que é
com carinho que se molda
o amoroso convívio comigo.
Que amo ser mulher
em cada curva que reluzirá
sob o teu sol e transformará
em volúpia áurea, e nos braços
com serenidade te embalará.
Sou garça-branca-pequena
diante do rio espelhado
que tu me ofertaste,
sob o céu de Santa Catarina,
alguém que o teu eu tocou.
A conexão inevitável
que está a caminho não
provoca nenhum temor,
tens sido o pensamento
favorito e o sorriso
que por razão a ninguém
compartilho: és o meu amor.
Vampiros malditos
deseducaram o vocábulo,
Para dominar e arrasar
o meu solo Pátrio,
Não vou esquecer, nem perdoar,
leve o tempo que levar.
Quando o tema é Soberania eu fico que nem bicho de prontidão para defender o ninho. É um tema que mexe com o meu emocional e o racional. Esse é um dos meus poucos lados fanáticos. Admito. Mexe comigo profundamente.
Com a sutileza da caraúna
tocando o sereno riacho,
assim te percebo ao meu redor
e desejo para nós o melhor.
Teu ser, embora bem talhado,
promete ser como lingote
que se renderá ao meu calor.
É claro que não negarei amor.
Com as minhas carícias
prometo lapidar tudo o que
desejas me entregar altivo,
porque assim haverá de ser:
estamos nos seduzindo.
Tudo dá voltas ao mundo
e em Santa Catarina
encontra a convergência.
Tudo dá voltas ao mundo
e em Santa Catarina
encontra a convergência.
Como aves migratórias
que cruzam hemisférios,
trazem no peito a sutil essência
e no coração guardam o ninho:
discernimos nosso destino.
Dinheiro não pode comprar esse luxo que vem da alma: gente afetivamente educada traz um império em si.
Não quero ser submissa e não quero nenhum homem submisso, se ainda está escrito eu ter alguém, quero alguém com educação afetiva refinada.
Amor para o que der e vier, e um pacto diário de sedução mútua. Quem quer ser idolatrado não está preparado para ter um relacionamento.
Ninguém perguntou, mas eu resolvi falar. Ninguém ensina se uma das partes do casal está exaltada o melhor que se tem a fazer é se afastar. Melhor manter o casamento do que perder a razão. Se um dia perder a razão acabou o casamento.
Não sou militante. Não sou ativista. Não me declaro como tal porque não quero invadir o espaço de quem dedica integralmente a vida pelas causas da Humanidade. Respeito absoluto mesmo às vezes diante de uma ou outra discordância pontual.
Entre você e quem conversa
existe um distante abismo.
Tu tens a capacidade de incendiar
uma rebelião apenas com um suspiro.
Como sou poeta, em ti fiz
a jura de escrever o destino.
Farei de ti uma mina de diamantes,
interminável em brasas lentas,
para que em outros romances
não encontres mais cadências.
Em céu catarinense tal como
a amável carícia do sol deixa
rastro aurífero nas asas livres
e belas da saíra-de-sete-cores,
tu hás de iluminar as penumbras
e guiar-me nos voos da intimidade,
porque em tuas mãos desejo
ter-me com plenitude e liberdade.
Fui encontrada pelo teu olhar
nas estepes do acaso.
Nutrindo com naturalidade
a liberdade
de ave peregrina que me cerca
com potente pensamento.
Com teu jeito de caçador,
ao meu lado pousaste com amor.
Como tulipa selvagem,
espalhei-me imparável,
sem pedir permissão.
Criei raízes no teu coração.
Não vou, nem preciso ir,
porque tenho direção,
o tempo como aliado
e a irresistível devoção
que me tens tocado.
Por isso, sem nenhuma pressa,
porque já estou dentro
como a ilustre habitante
da glória do teu sentimento.
Sempre que for necessário,
para que em mim encontres
o genuíno abrigo paradisíaco.
De corpo e alma em fruição diária,
apaixonado, te orgulhes
de ter me encontrado
e digas, orgulhoso, para ti mesmo:
— Pertenço à que soube, como ninguém,
o valor de ter capturado meu coração.
Conquistei a merecedora de veneração.
As palavras que deixam o aroma
da tua alma nesta distância oceânica
convidam a imaginar o que o silêncio
pode fazer conosco, dia e noite,
além de encantar o coração
para o rito íntimo de iniciação.
O que há em mim não tem parado
de clamar para o momento chegar.
Observando um par de tapicurus
na Baía de Babitonga,
fiquei sonhando de olhos abertos
como será quando a gente se encontrar.
Se é amor ou paixão, quero que nos dê
céu e asas, para não temermos voar,
para ignorar previsões do fim do mundo
ou quando disserem que o romance
já não terá mais tempo ou chance de durar:
que a gente tenha a coragem de dobrar a aposta.
Porque desde o dia em que te conheci
não acho mais graça em ninguém
para conversar, e algo tem me dito
que a recíproca é a mesma.
Ora tenho sido o papel e você a caneta,
sem pensar muito a gente sempre inventa.
Quando a hora certa nos brindar,
que venha a certeza lado a lado,
que o aconchego de sossegar
acompanhados venha se celebrar,
e de tudo a gente se permita desligar
sem se importar com o que irão pensar.
Romance
Sem forçar e aos poucos
o tesouro do peito entregar.
Com carinho as bombas
internas desarmar,
e o território liberado ocupar.
O ciclo natural da vida,
um lindo romance para contar,
e o mundo inteiro encontrar
numa só pessoa para amar.
Diante do oceano que és,
como ave e livre poema,
sobrevoo com asas intensas
nas tuas regiões costeiras,
sem permitir que me vejas,
para abrigar-me nos manguezais
do teu consciente e inconsciente,
e ousar ser o pulmão e a respiração.
Súdita dos teus ensinamentos corajosos
que permanecem mesmo em fase
de maré bravia que a presença me priva,
a mente vira árvore e rochedo
onde o savacu-de-coroa se abriga.
Não apenas feita de algum sinal,
mas da raiz até a alma sambaquiana,
sob a proteção do Hemisfério Austral,
nas correntes da Baía da Babitonga,
pronta para com amor te tomar sem conta.
Porque reinar sob a glória do teu amor
a mim me destina com toda a honra
e pompa que sei que serei digna,
sob o teu olhar feito de fidalguia:
o desejo sedento, a adorável malícia,
e constelação que n'amplidão te ilumina.
Não tem nada a ver com clichê,
não existe ninguém como você,
e não preciso sequer reiterar.
Tens a capacidade de capturar
o voo dos meus sentidos
que, como falcões-peregrinos,
te aceitam como o mais
distinto de todos os ninhos,
e não reagem mais
a outros novos destinos.
Seja no sobrevoo ou fincada
nas terras das três Américas,
levo o código de reconhecimento
inabalável, com o fogo eterno
no coração e no pensamento.
Tal qual a dança das alvoradas
na Baía de Babitonga,
reconheço sem conta
que existe gente que conversa
a vida toda e não alcança
o que uma única mensagem tua
é capaz de comigo fazer:
Tu tens potencial completo
para inteiramente me render,
e tu às minhas mãos pertencer.
Mesmo quando se afasta
por qualquer motivo em silêncio,
não me aflito porque dentro
o porvir está sendo construído.
Dá para coexistir com a Inteligência Artificial e a Inteligência Social. A Inteligência Social precisa ser resgatada para o futuro termos uma Humanidade com o futuro mais pacífico. Educação, Cultura, Religião e a Mídia de Massa têm o dever moral de resgatar a Inteligência Social.
Fincar-se na terra, semear-se,
permitir-se crescer, florescer
e frutificar-se como o pomar
de frutas doces entre rochedos
e os ventos, para alimentar
o pavão em todas as estações,
é o meu mais ambicioso plano,
literal, secreto e paradisíaco,
para a celebração romântica
da revelação do seu colorido
entre as minhas montanhas.
Obedientes ao rito da primavera
e à maturidade que exige
de ambos os dois pés na terra,
embora estejamos flutuando
e o tempo esteja passando
como o rio entre as pedras,
nossas mentes e corações
todos os dias se encontram,
desde o primeiro dia em que nos
conhecemos, estamos namorando.
São inatos nas nossas veias
a dedicação, a consciência e o sacrifício,
à altura dos desafios, em nome
das conquistas grandiosas
que incluem a honra e a liberdade.
Por isso, tornarmo-nos o grande amor
um do outro é inevitável,
porque está escrito no Universo
que, em breve, despejados dos egos,
reuniremos nossos hemisférios
como águias que não temem
cruzar céus e montanhas.
Seremos espada e escudo —
vitoriosos diante das batalhas.
Penetrei na tua alma
sem sequer roçar a pele,
com rebeldia indomável
na tua carne venerável.
Causei a mais rara insurreição,
íntima, profunda e perene,
ao invejar o próprio Sol
que ousa aquecer a tua pele.
Ninguém arranca o regresso.
Não há guerra nem distância:
nós moramos dentro
com sublime juramento.
Nem que o Hemisfério Austral
se levante contra nós,
é tempo de apreciar
o silencioso e raro florescer
em paz da Flor-de-Maio.
Chegará o momento
de rasgar todos os protocolos,
de dar de ombros
aos falsos escudos
das nossas Américas.
Pensamento matutino
que me agarra pela cintura,
que me faz resistir nunca,
nem por ausência de ternura
me tornar um arquivo na tua vida.
Mas sim elevar o jogo à altura,
para te derreter e te levar à loucura.
