Poesias de Animais de Estimação
Uma conexão silenciosa
Estava sozinha, sentada na calçada fitando um gato cor de pêssego acercando cauteloso. Levantei-me para lhe fazer carinho, no entanto, o felino afastou-se com medo e logo desapareceu em meio as sombras da rua. Esperei para ver se ele retornaria, mas nada, voltei para dentro de casa.
No dia seguinte, sentei-me novamente na calçada, aguardando para ver se teria a mesma chance de ver o filhote assustado, levou cerca de trinta minutos até eu perceber uma sombra se aproximando, desta vez tive o zelo de não insistir em o tocar, assim, ele chegou perto de mim. Ficamos em silêncio, sem sequer um ronronar ou, de minha parte, querer puxar sua atenção com sons de chamado.
Chegou o inverno e eu fui a minha rotina, ver se minha companhia já estava me esperando, mas, para minha surpresa, ele não estava lá, olhei ao redor, até o procurei, mas nenhum sinal. Pensei de imediato será que o gato havia encontrado uma casa para habitar ou alguma outra companhia?
Após cogitar a possibilidade de nunca mais vê-lo me voltei para a porta de casa e lá estava ele, há quanto tempo me observando? Estava sereno se limpando, Pêssego reparou minha apreensão em ousar me aproximar, então, pela primeira vez ele tomou a iniciativa de vir aos meus pés. Logo percebi o conforto que ele trouxe depois do meu medo de sua ausência.
Não são apenas palavras que formam uma amizade, às vezes só basta o decorrer do tempo.
Amor perfeito, Cuca
e café bem feito,
Confundir a sua orelha
com a Orelha de Gato,
O teu olhar apaixonado,
Papo franco, cartas na mesa,
Você grudado e debaixo
a nossa doce confusão
por conta da imaginação.
✍️Nunca pense que poderá usufruir da Energia humana alheia, fazendo "gato", sem que um dia tenha que ajustar a conta com o tempo.
🪃🪃🪃🕉️
FIM OU RECOMEÇO
Com a vida em dia,
o gato alimentado,
a cama desfeita
e a mente vazia,
tudo parece no lugar,
acordar mais um dia,
inflar o peito,
e ascender às estrelas,
certo de que cumpri
minha obrigação,
como missão sadia,
viver uma existência
convicto de que tudo vale a pena
se fiz por amor
assim correto fiz,
a vida, supostamente
chegou ao seu final,
assim o homem segue
seu curso, estendendo
a mão ao seu melhor
amigo, farto de saber
que quem reinar aqui
não é o homem
é o animal.
Tael, não é um gato
De repente, um felino me roubou o coração,
Com suas garras afiadas e olhar sedutor,
Não resisti à sua beleza felina, não,
E agora sou seu fiel protetor.
Seus pêlos macios e olhos de esmeralda,
Me hipnotizam em cada miado seu,
E a cada dia minha alma se acalma,
Ao lado do meu querido Tael, o céu.
O amor que sinto por esse ser tão especial,
Vai além de qualquer medida ou razão,
É uma conexão divina sem igual,
Que me traz paz e inspiração.
Assim, eu vivo feliz e realizado,
Com meu amado gato, meu melhor amigo,
Um amor verdadeiro e inesperado
Que jamais será esquecido.
Por que foram te abandonar?
Pobre cachorro de rua
Triste essa vida sua
De um cão abandonado
Traído, rejeitado
E você, pobre gato
Não te deram nenhum afeto
O abandono, a rejeição
Também feriu seu coração
Sentem sede e tristeza
A dor é uma infeliz certeza
Reviram os lixos para comer
Covardia te fazerem sofrer
Às noites frias é sofrimento
Solidão o sentimento
É tão grande a dor
Vocês merecem tanto amor
Serem ignorados é uma atrocidade
Vocês fazem parte da sociedade
Por que foram te abandonar?
Quem fez isso não aprendeu amar
Alan Alves Borges
Livro No Olhar Mergulhei
O amor não tem preço, mas tem focinho, patas, pelos e, às vezes, umas pulguinhas.
Adotar é amar de graça!
DOMINGO
Portas da casa fechadas,
Na tramela, mal e mal,
Cheiro de sonho nos quartos,
Brisa fresca no quintal.
Cortinas brancas de renda,
Atrás dos vidros cerrados,
dois gatos esparramados
tomando sol no beiral.
Na varanda entre cadeiras
um cachorro cuida feliz,
da borboleta que tenta
arriar no seu nariz,
Lá no pomar vistoso,
um bem-te-vi educado
anuncia que viu alguém,
sabiá nem quer saber
e canta como ninguém!
Nuvens claras, sonolentas
sopram rente ao capim
O vento que mistura
O perfume das roseiras
E a doçura dos jasmins...
Sim, há algo de especial
No dia que vem vindo!
Tem um pouco de Natal
De festa de aniversário,
Comida boa, gente rindo
Brincadeiras sem horário
De olhinhos pela fresta
O tempo quieto, sorrindo,
Um dia com cara de festa,
Mas é claro, hoje é domingo!
“Nossos amigos verdadeiros não precisam ser iguais a nós, nem na aparência, nem necessariamente nas idéias.
Nossos amigos tem que estar em nossos corações.”
Não há nascido por engano
Mas estes fadados aos cuidados humanos
Que o bom Deus permite o sofrimento
Até a um simples bichano
Em punição ao bicho homem
É merecido um minuto
Um tempo dedicado
Aos bichinhos que sem terem culpa... Também nos redimem do pecado
Brincadeiras Felinas
A noite é uma festa
A paisagem propicia
Do assoalho ao tablado
Faz da escada o cenário
Um corre e pula daqui
Outro corre e pula de lá
Entre seis,
dois se destacam
Ela vai e vem graciosa
Faz tipo, fixa seu olhar
Ronronando,
saí de cena
Ele ali parado
Fazendo-se de coitado
Rola se embola
Por ela chama
Valériaaa...Vem aqui
Peão, peão não vou não
De vítima ela não tem nada
Astuta dá um salto
Faz de sua presa fácil
Ele todo mordido fica
Ronronando,
essa Valéria ainda me mata.
Juras ?
Jurei para mim mesmo que não me perderia no seu olhar, nas suas palavras, no seu jeito de ser, Jurei que ficaria sozinho, em uma casa velha com 7 gatos,jurei também que não seria bobo outra vez, mas ser bobo talvez não seja algo tão ruim, Já que, sendo bobo assim, eu acabei encontrando você, e as juras ? bom, agora vejo que tenho apenas uma, Fazer você feliz
Escutei a moradora
do 105 falando
[tóxico.
Essa palavra é comum
em embalagens
com conteúdos que podem
causar danos
a um sistema imunológico.
[Nós terminamos.
Ele me sufocava.
Brigávamos há uma semana.
Ele andou me ligando, sabe?
Mas não irei atender.
Ele é extremamente tóxico
inseguro.
Uma hora ele esquece.
Eu colocava o lixo para fora
nesse instante.
Fechei a porta
abaixei
passei a palma da mão
no tronco do meu gato.
A voz dela ainda ecoava
entre as escadas e o corredor.
Peguei uma banana na fruteira
a descasquei e a
levei até a boca.
Sua voz ficando cada vez mais
distante.
Não sei o que
exatamente causou o término
mas sei que
há toxinas nessas laranjas
e maçãs
e nesses tomates
e nas nossas misturas de carne
e tantos outros produtos
por ai
circulando como se não
nos matasse
aos
poucos.
toxinas
na comida
seja ela qual for.
A noite chega
A trezentos quilômetros por hora
perfumada a noite chega:
Sorrateira pelas frestas
cambaleante a cada esquina
como em um filme português
ou uma cantiga natalina.
Peixe
Vinho
família
um quarto de limão
uma porção de molho rosê.
Gatos pisam o telhado
- se esquivam-
de flores plantadas na terra
dançam em campos minados
junto aos soldados
em revolução.
Livros empoeirados
acumulam-se na estante
enquanto caixas transbordam
corações tristes
em quartos vazios e distantes.
Dor...
Reclamada na ponta do espinho.
Noite...
Acordada a contento.
Verdade em fala nunca dita
é pura perda de tempo.
Embora seja tão
minúscula, está viva
a gata que se esquiva
enquanto minha mão,
com mais de um arranhão,
conclui a tentativa
inútil e, à deriva,
afaga o nada em vão.
Fruindo em paz de sete
vidas, no entanto, a gata
faz sua toilette
e assim não se constata
que esconde um canivete
suíço em cada pata.
O barulho do vidro quebrando abalou a casa inteira, um misto do que aconteceu e não fui eu.
Num salto todos se olham em busca do culpado e lá estava ele, o gato.
Mas o gato, que mesmo subindo em cima do espelho que não estava no seu lugar desejado, era o único que não podia ser considerado culpado, afinal ele só era um gato e gatos sobem onde dá na telha.
Meu amor de quatro patas, pula, brinca, em plena madrugada.
Enquanto estudo e escrevo, ele arranha a minha cama e eu deixo.
Acostumou-se com a minha insônia. Só dorme lá pras tantas…
O meu doce e marrentinho amor…
Quando triste me observas,se achega e dá calor.
Quatro patas, um focinhoe garrinhas afiadas.
Teu nome tireidas minhas viagens literárias!
Um dos meus mais queridos personagens.
Dom Quixote de La Mancha,do imaginativo Cervantes!
Tens um miado velado, então,se enrosca nos meus calcanhares…
E quando vem manhoso,conheço todos os seus olhares.
Sei exatamente o que é,ração, passeio ou afago.
Sempre sei o que lhe dar!Tens todo o meu cuidado!
Meu amor, nunca se esqueça do que almejo,
estás na minha lista de desejos.
De quem eu gostaria de ter por toda a vida!
Se não, dar-te ao máximo uma bem vivida!
Somos parecidos! Isso enche-mede orgulho e afeto.
És sério, porém, és doce, introspecto.
O meu denguinho, o meu amor.
Meu filho de patas, sim senhor!
Irei vender a morte ao desejo.
Vou vender beijos aos marinheiros, acorrentar as ondas aos pés da minha amada, semear anarquias no vento para que tudo se vá.
Abraçarei uma estrela à noite, ouvirei os segredos de um búzio, sobre a vida que ela leva em alto mar, onde quer que eu pernoite.
Trarei nas mãos castelos de areia, e dentro deles sonhos, cometas, sereias e roletas.
Andarei vagueando e despido no cais, puxarei conversa com os gatos vadios, enquanto vou polindo a vida de um ouriço.
Esperarei pela maré baixa, para que as ondas me tragam as correntes.
[Busca]
Subnutrido de beleza, meu cachorro-poema vai farejando poesia em tudo, pois nunca se sabe quanto tesouro andará desperdiçado por aí...
Quanto filhotinho de estrela atirado no lixo!
A paz está expressa nos olhos animais
Seres irracionais, mas com amores incondicionais
Tão puros que não se importam com reciprocidade
Simplesmente te amarão e com muita intensidade