Poemas de Vida Soneto
GRANDE AMOR
Não inquiete, minha paixão, da vida és
Um desejo forte em contundente porte
O bom agrado que em te revela, através
Da sensação, que brota felicidade e sorte
Aceite minha emoção, do coração convés
Daqueles beijos de sentimentos e aporte
Da jornada do afeto este necessário viés
Que se tem guia e o enamorado suporte
Não temas, soneto, da poética cantada
Que trova o amor com escrita dourada
Versando a felicidade ao nosso derredor
É vida, uma partilha, a adulação encantada
Que queima, satisfaz e da sede nossa aliada
Grande amor, imortal que a própria morte!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
07 de setembro de 2021 - Araguari, MG
DONDE
Cá, um poema incógnito e moroso
Fatigante, melancólico e sem vida
Que corta o verso no sentir caloso
Tal e qual uma sensação repartida
Penetra silente num sonho umbroso
Da imaginação, tal uma negra ferida
Fazendo do prosar pravo e doloroso
Numa poética carente e tão sofrida
Assim, nas margens do seu fadário
O trovador se vê inquieto e solitário
Em que a tal sofrência nele esconde
Ah, infortunado versar dorido e duro
De um desalento, latente, tão escuro
Que a gente sente, sem saber donde!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
04 fevereiro, 2021, 10’53” – Araguari, MG
MEU PRIMEIRO VERSO
O meu primeiro verso, versado
De uma ilusão nascida, da vida
De um sentimento enamorado
Sentido, tido, vivido e suspirado
De prosa tão simples, escoada
De um acaso puro e encantado
Tecendo uma quimera dourada
E significado ao poeta ofertado
Foi lhano o verso, alvo, inocente
Porém, o agrado simplesmente
Num repente de amor e vontade
E, este primeiro versar, versado
O guardo inesquecido e amado
N’alma, imbuído na eternidade...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
14 março, 2022, 11’04” – Araguari, MG
Salvar os vivos
Os teus olhos têm um pouco
de morte e um pouco de vida,
um pouco de deserto e de jardim,
você nasceu perfeito para mim.
Para uns olhar para trás tem sido
mais crível do que salvar os vivos
estarei pronta ser o tal castigo
contra a tal macabra convenção.
O enamoramento com a coerência,
a paciência e a placidez fará com
que o oportunismo perca a validez.
Toco a cítara do tempo sob o poder
da razão tudo o quê há de trazer
a paz para cada coração se refazer.
" EM COMPANHIA "
E vamos nós aqui bebendo a vida
em goles de tristeza e de alegria
sem ter qualquer noção de qual é o dia
da hora derradeira da partida!
Alguns dão tragos loucos de euforia
e alguns amargam dores sem medida,
mas todos têm a chance, já estendida,
de aqui viver conforme se queria.
Prefiro essa cachaça que é o amor
e o afogar das mágoas nesse andor
provido de amizades, de carinho…
Se eu vou beber a vida que é me dada
que seja em companhia me ofertada
que é bem melhor do que morrer sozinho!
" LUTE "
A vida é uma constante e longa espera
pra quem não tem ideia pra onde ir!
Não há momento aqui nem no porvir
que dê suporte a quem não se supera.
Quem fica, pois, sentado, a se iludir,
a própria sepultura cava e gera
pois existência alguma, assim, prospera
sem luta pela causa de existir.
Par’onde queres ir? Qual a razão
que faz pulsar, enfim, teu coração
e que alimentas com total fervor?...
Levanta! Sai da espera que te prende
e lute pelo que é que te surpreende
pois que te aguarda, ao certo, ao fim, o amor!
" DESAPONTO "
O que há de livre nessa curta vida?
Nós somos prisioneiros do inconsciente
que, sem fazer notar-se, está presente
em toda decisão nos pretendida!...
A liberdade, pois, não lhe faz frente!
A nossa essência jaz, morta, escondida
e, oculta, faz-se plena por perdida
nas confusões reais da nossa mente.
Nós nos mostramos numa falsa imagem
e nos expomos como que em miragem
pra parecermos livres neste conto…
No inconsciente presos, na verdade,
quão falsa, pois, nos soa a liberdade
que, ao fim, só gera a dor do desaponto!...
" LUXO "
Ah! Quanto luxo numa curta vida…
Qual se jamais chegasse-lhe de lado
a causa de quem é o necessitado,
o pobre, a mão carente lhe estendida…
Um mundo à parte dá, por entronado,
esse egoísmo teu, alma perdida!
Não vês, em tua soberba, qual saída
daria-te o amor que tem faltado.
Te amoldas a essa insana e vil conduta
que só condenação, não mais, te imputa
e lança-te a cruel e triste inferno…
Efêmero esse luxo sem razão
que, tristemente enfim, teu coração
insiste por querer fazê-lo eterno!
" ACEITO "
Talvez, num outro tempo desta vida,
num paralelo cósmico formado
ou num lugar qualquer imaginado
eu seja uma alma pura, sã, despida!...
E pode ser que, então, elaborado,
o meu caminho, sem qualquer subida,
sem morros, sem ladeira a ser vencida,
se cruze outra vez mais, ao teu, centrado.
Quem sabe, sim, me vejas com paixão,
com outro olhar me dado, ali, que não
me exclua do viver te oferecido?!…
Num outro tempo, em paralelo feito,
eu seja, finalmente, então, aceito
no amor que foi tão bom termos vivido!
" APÓS "
Estamos nós, aqui, só de passagem?
Seria, a vida, curta e passageira
que simplesmente corre a mil, ligeira,
pra se findar, após, a sua mensagem?
Teria algum sentido esta besteira
de que se acabará toda a viagem
e nós nos findaremos nesta aragem
sem ter levado nada ao fim da feira?
Seríamos tão breves pensamentos
que um dia passariam, como os ventos,
sem que algo mais nos fosse destinado?
Olhai pra cruz! Nos parecia o fim…
Mas algo mais havia após, enfim,
e o Filho ao Pai voltou, ressuscitado!
" DEMORA "
Eis que não vem! Demora! Pôxa vida!
Não sabe que eu aqui fico na espera
e que, esse atraso, só tristeza gera
por conta da paixão me concedida?!
O coração se agita, em mim se altera
por certo na saudade recebida
pulsando essa aflição tão descabida
e, dentro d’alma, pois, se desespera.
Ó vida! Fico aqui tão desolado
à espera de que voltes pro meu lado
pra que se me restaure a alegria…
Demora! Pôxa vida… Se esqueceu
de tudo o que, entre nós, já prometeu!
Vou eu morrendo as horas do meu dia!...
SONETO DO ARREPENDIMENTO
Existem pessoas que vivem sonhando;
Com o que deveriam ter feito...
Com o que deveriam ter falado...
Com o beijo que deveriam ter roubado...
Você não se arrepende do que não fez,mais sim de não ter tido coragem de chegar e fazer!
São coisas simples que fazem grandes diferenças,e mesmo que junto venham os problemas,é melhor!Pois trazem a certeza do feito e não a dúvida do que poderia ter acontecido!
É melhor perder o que se tem do que não ter nada para perder! Pior do que rir sem motivo, é chorar por não ter um motivo para sorrir...Antes as boas lembranças de um passado bem vivido do que um presente vazio!!!
Ser feliz é poder fazer tudo o que o coração ped, sem medo, sem limites! É descobrir que estar preso a um amor é estar livre para voar para o melhor mundo que existe!
DEPRESSÃO
Sozinho, no escuro, vazio viver
Sem ninguém a te enxergar...
Como é bom sentir que de você
Não há ninguém a desventurar...
Sem cor e sem por quê
Nem mesmo o amor encontrar...
Não tendo culpa o sofrer
Nem mesmo o peito a amar...
Deitar ao chão do mesmo bem,
Murmurar, o que não se tem
Em sua já própria expressão...
E ouvir os fantasmas de antes
Em suas vozes, já distantes
Num cantar sem viver a ser vão!...
AMOR INSANO
Por tudo agora eu sei... eu vou
Viver do espanto à realidade,
Vou viver agora, a nossa verdade,
A intensidade do nosso amor...
Por tudo agora eu sei, meu bem,
Vou ser pra você, vou ser em mim
Ao seu prazer intenso assim
Como é pra mim você também...
Vou ser de insano à nossa paixão,
Como é insana ao seu primor,
Como é de estrelas a imensidão...
Eu serei o ardor por ti queimar!...
Pois, se oculto for, de amor,
Por qual paixão haverá de amar?
A vida, com suas regras, suas obrigações e suas liberdades, é como um soneto: você sabe a fórmula, mas precisa escrever o soneto por conta própria.
Fiz do seu sorriso retalhos coloridos de amor e paz, onde sua presença preenche o meu dia com sonetos de ternuras. A noite pode até chegar, mas a sua luz sempre mora cá dentro de mim e ilumina o meu jeito de olhar os encantos da vida.
Remédio que cura, alivia a alma, traz paz... Nos leva a outro mundo, uma dimensão interna, melodia que toca o mais profundo do meu interior... Um tom, uma nota, uma canção, uma arma poderosa... Refúgio pra mente cansada. A música, que nos salva do mundo e de nós mesmo...
SONETO EM DESPEDIDA
Até logo! Aqui ficam férteis momentos
do meu viver. Na lágrima levo a aurora
na bagagem o mundo, vou-me embora
o abrigo que cá havia, agora lamentos
Na memória a saudade em penhora
se foi inglória, porque tive detrimentos
e é nas perdas que tem ensinamentos
e vitórias na vida, basta, é hora agora
Nesta mais uma passagem, portentos
vim com amor, e vou com amor afora
tento no coração bons sacramento
Sigo, para trás fica o tempo outrora
o céu claro são alvos adiantamentos
Goiás, despeço-me, a gratidão chora
Luciano Spagnol
Agosto de 2016
Cerrado goiano
SONETO DO AMADOR
Amador é o desejo do ser amado
Vive desejando mil formas pra achar
Se no amor não tem o que imaginar
Pois é virtude no ato de ser desejado
Se nele se tem o ser transformado
Onde mais o amador quer desejar?
Pois só assim o bem irá conquistar
E o afeto na alma então será liado
Mas se pouco for o desejo no olhar
Pouco o amador terá encontrado
Aí por ele, o amor, então vai passar
Se ao amador o amor é cobiçado
Então deixe o amor lhe alcançar
Pois o verbo dum amador é amar
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Fevereiro de 2017
Cerrado goiano
ODISSEIA (soneto)
Minha saudade de querer-te, ideia
Meus dias poetam versos em te ter
Pois vives no meu viver sem tu crer
Numa saudade de vida em odisseia
Não é só uma razão no meu querer
És o enamorar em noite de lua cheia
Mistérios pra que minh'alma te reteia
E contos de amor escritos pra eu ler
Já tantas vezes lidos, no céu, na areia
Relidos nos sonhos do meu entardecer
É tão presente numa clássica epopeia
És o meu amor, a aurora no amanhecer
Quem no meu palco encenou a estreia
Enlouquecendo por inteiro o meu ser
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
16/06/2016, 17'26"
Cerrado goiano