Olhos Castanhos
Soltei os meus cabelos ao vento
Iguais aos seus olhos castanhos,
Contei os beijos tão [esperados].
Ambiciosa receberei um dia de ti
Mais do que uma declamação:
Uma rosa e uma [canção]...
Espero que você tenha gostado
De ter estado aos meios cuidados,
Quero você sempre ao meu [lado].
Ainda terei você de vez comigo,
Deste mundo bem protegido...
Pode ser até alucinação:
Quero ser poema e a sua paixão.
O mistério dos teus olhos,
Castanhos e nordestinos,
Lembra os dias coloridos,
Marcante como passos,
Na areia e no coração,
O étereo beijo não dado,
Pela poesia sublimado,
Mas não esquecido,
Ainda me balança,
Tal como a palmeira
Ao vento de maracaípe,
Confundo Pernambuco,
Com Sergipe, e até parece
Que bebi um alambique.
Eu te vejo em boas letras,
Invernais e de verão febris,
Porque és meu chão,
És meu Norte e meu Sul,
Nem desconfia que és meu,
Tu és meu tudo e meu nada,
Tens todas as misturas,
Do que chamam de raças,
És verdejante por tuas matas,
Auri e profundo pelo teu ouro,
Azul pelo teu céu e teus mares,
Pleno, celeste e Sudeste,
Lindo até no seu Centro-Oeste,
Em berço coroado de estrelas,
És a minha constelação - e meu país.
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A melancolia que trespassa seus olhos castanhos, o riso contido e o tremor do primeiro encontro.
A brisa invernosa, aliada à dúvida pairando no ar. Teu perfume, um convite, desperta em mim o temor ao questionar: 'Deveria eu beijar-te?'
Diante de tal cena, do medo em teus olhos, contrastando com a doçura de teus lábios... Agora, hesito entre partir e não sei se ainda tenho esse direito.
E nossos momentos, em silêncio, sem adentrar em palavras.
Pude ver o riso reverberar em teus olhos, provei da ternura de teus lábios e o aroma dos teus cabelos. Agora que posso lhe tocar, eu sei, és minha...
E agora, ao te ver em minha alcova, agora que te tenho em meus braços, consigo vê-lo, enxergo meu 'pecado'.
E neste momento, no seu olhar que afaga, nos lábios, nos cabelos que exalam tua essência, eu quase que me perco, e me encontro mais adiante entre seus olhos de cigana e ainda sem saber decifrá-los.
'São duas incógnitas, um que deseja e outro que afugenta-me'
E seus olhos que não consigo ler e me inquietam a alma, és labirinto maldoso que não prende nem dá norte.
E me encontro perdido em teus olhos, em teu cheiro e não poderia de nenhuma maneira contestar ser assim, fugaz, pois fui eu quem pecou primeiro contra ti.
Eu que cheguei a ti e foi eu quem lhe despiu, toquei o secreto do seu jardim e adentrei com malícia em seu corpo.
Se sou culpado, condene meus atos de prazer e gestos gentis e não tenha piedade, sei que em cada movimento e olhar existiu mais que desejo.