Coleção pessoal de Lulena
O PESO DO SUSPIRO
(Na esperança do amanhã)
Houve um tempo em que o peito vivia apertado como pedra. Qualquer decepção virava eco; qualquer injustiça era um tambor batendo forte no meu coração. Eu queria que o mundo ouvisse a minha indignação, que o outro entendesse a minha dor na mesma voltagem em que eu a sentia.
Eram os meus gritos abafados — aqueles que a gente engole no jantar, que guarda sob o travesseiro, quando as lágrimas se misturam com a água do chuveiro ou com a chuva lá fora. É nesse instante que o silêncio grita, a voz trava nas cordas vocais... e o que resta é apenas um suspiro profundo, que faz a alma levitar e sair da matéria.
Mas o tempo trouxe consigo uma espécie de cansaço vago e silencioso; as cordas vocais da alma parecem agora preferir o repouso. A gente percebe que gritar, mesmo que para dentro, ainda gasta uma energia flutuante que o corpo agora pede para outras coisas: para o café da manhã sem pressa, para o livro que finalmente faz sentido, para o olhar que compreende sem precisar de legenda.
Com o envelhecer, a maturidade nos ensina que o que antes era um vulcão contido vira brisa. Os silêncios deixam de ser prisões e passam a ser refúgios. Não é que a dor sumiu; é apenas que a urgência de ser compreendida foi substituída pela paz de se compreender e de se aceitar.
Hoje, quando algo aperta o coração, eu não busco mais o grito. Eu busco o fôlego. Quero apenas que aquele nó na garganta se desfaça em um suspiro longo, que saia pelos lábios e se misture ao vento. Porque o suspiro não exige resposta, não pede plateia e não carrega o peso da explicação. Ele é, simplesmente, a alma fazendo as pazes com o que não posso mais mudar, apenas aceitar.
O suspiro é o som da liberdade de quem já não precisa mais provar nada a ninguém — nem a si mesmo. Pois o que a gente mais quer é que nossos gritos abafados, em nossos silêncios, apenas suspirem.
Lu Lena / 2026
NÓ NA GARGANTA
(A tradução do indizível)
Às vezes o silêncio grita, a voz trava nas cordas vocais... e o que resta é um suspiro profundo.
Lu Lena / 2026
O SILÊNCIO QUE ACENA 🌬️✨
(sempre quando olho para o céu)
Mãe...
Queria escrever algo, mas acordei com o pensamento solto e disperso de mim. Quando sinto esse silêncio fugidio, não consigo escrever nada, fico oca por dentro e bate um vazio.
É sempre assim. Em especial neste dia que, lá do céu, acenas para mim... 🕊️🤍
Lu Lena / 2026
MÃE ESPECIAL
Ela não pode viver a vida do filho neurodivergente, mas é a extensão dela.
Lu Lena / 2026
MÃE, ORVALHO DO CÉU
Toda vez que uma mãe chora, um anjo desce à Terra e usa suas lágrimas para borrifar e polir todas as estrelas do céu.
Lu Lena / 2026
SER MÃE
(O florescer do amor) 💝
Ser mãe é quando a felicidade vem de dentro para fora, quando a mesma gera e também adota. É o instante em que o corpo ou o destino se abrem para dar lugar a uma existência que, até então, não nos pertencia, mas que passa a ser a bússola de todos os nossos caminhos. 🧭
Ser mãe é, acima de tudo, compreender que o vínculo mais forte não é feito de sangue, mas da presença de ser o porto seguro do filho, independentemente de como esse filho chegou aos seus braços. É o transbordar de uma alma que entendeu que sua maior missão é ensinar seu filho a voar. 🕊️
E há também as mães atípicas, em cujo ventre nasce um anjo sem asas, e para as quais Deus vem acoplar as asas de um de Seus anjos do céu.🧩
É um processo de alquimia emocional: o milagre que ocorre no segredo das células ao gerar, e no encontro de almas que se reconhecem no momento de adotar. ✨
Lu Lena /2026
A CURA DO CAMINHANTE
(Encontrando o equilíbrio entre o céu e a terra)
Meus sapatos foram feitos de pedra e deixei marcas pesadas pelo chão. Foi quando Deus enxugou minhas lágrimas, tirou-os e disse-me:
— Agora, siga e levite sobre as rochas. Quando te sentires exaurido, levante uma mão e toque o céu e, com a outra, toque a terra, enquanto curo as feridas de teus pés.
Às vezes, o caminho nos exige sapatos pesados para que possamos valorizar a leveza que vem depois. Deixe que a cura aconteça no tempo certo.
Lu Lena / 2026
Todos os dias somos uma versão nova, tornamo-nos uma metamorfose da nossa própria essência, aprendendo sempre uma forma diferente de sair do casulo.
Lu Lena / 2026
CHORO DE OUTRORA
A gente não volta ao fundo do poço quando consegue subir a nado através das próprias lágrimas. O esforço nos faz flutuar até a luz.
Lu Lena / 2026
O mundo está precisando, literalmente, de um abraço coletivo e de olhar para Jesus na cruz, que espera de braços abertos por esse gesto.
Lu Lena / 2026
O PESO DO SER
(Entre o ruído e a desconexão)
Dentro de mim ouço ruídos pesados como chumbo. São nesses gritos, que ecoam um som metálico e se arrastam por dentro da consciência, que o mundo lá fora se apaga. Eles ocupam os espaços onde antes "por lapsos de instantes habitava o meu silêncio".
Lu Lena / 2026
TERRITÓRIO ESTRANGEIRO
(Quando a extensão oscila...)
A maior solidão é quando não se consegue alcançar a sua própria extensão; vivemos num território limitado. Somos estrangeiros de nós mesmos. É um estado de hibernação, tentando puxar para dentro de si, novamente, aquele cordão umbilical que se esvaiu... E parece que sempre fica oscilando.
Lu Lena / 2026
PASSOS EM CÍRCULO
(A caminhada invisível no labirinto azul)
Às vezes, circunstâncias contrárias à nossa vontade fazem com que caminhemos dentro de nós num labirinto sem fim — um caminho incessante que sempre fica estagnado no mesmo lugar. E, nesse caminhar, nossos pés pisam em cacos de vidro que juntamos exaustivamente, sangrando o silêncio, até que o chão esteja seguro o suficiente para encontrar a saída...
Lu Lena / 2026
Paramos de sentir dor quando nossas feridas internas começam a cicatrizar. E aí, a mudança acontece!
Lu Lena / 2026
A ARQUITETURA DO TEMPO
(Encontrando-se no silêncio do agora)
Nem sempre o que não deu certo antes é o fim da linha. Muitas vezes, é a culpa do passado que dita nossa perspectiva de vida e alimenta a ansiedade de hoje. O antes e o depois estão mais conectados do que imaginamos, pois essa incerteza é o que nos torna vulneráveis na expectativa do amanhã.
Vivemos habituados ao isolamento da ausência de ontem e nos acostumamos com nossa própria presença, que se reconhece no silêncio do agora.
Lu Lena | 2026
A ESCULTURA DA ALMA
(O cuidado constante com o nosso bem-estar)
A paz interior precisa ser lapidada diariamente para ganhar a forma de nossa essência, que foi soprada pelo Criador. Qualquer deslize no cinzel e nos tornamos barro novamente. A conquista material é efêmera, enquanto a paz da alma é o nosso bem maior.
Lu Lena / 2026
CONTROVÉRSIA DA LUCIDEZ
(À deriva no tempo)
Estamos lúcidos quanto à vida que nos foi destinada, mas a aceitação da mesma perdeu-se de tal forma que, às vezes, não sabemos o caminho de volta. Ficamos estagnados no tempo, como se lançássemos a âncora em alto-mar, sem saber em que solo ela irá prender.
Lu Lena / 2026
