Coleção pessoal de JujuNico

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A pior solidão que existe é darmo-nos conta de que as pessoas são idiotas.

É sobretudo na solidão que se sente a vantagem de viver com alguém que saiba pensar.

A solidão é a sorte de todos os espíritos excepcionais.

O tempo é um rato roedor das coisas, que as diminui ou altera no sentido de lhes dar outro aspecto.

Pois o silêncio não tem fisionomia, mas as palavras muitas faces...

Mas o tempo, o tempo caleja a sensibilidade.

O segredo do amor é a androgenia: somos todos, homens e mulheres, masculinos e femininos ao mesmo tempo. É preciso saber ouvir. Acolher. Deixar que o outro entre dentro da gente. Ouvir em silêncio. Sem expulsá-lo por meio de argumentos e contra-razões. Nada mais fatal contra o amor que a resposta rápida. Alfange que decapita. Há pessoas muito velhas cujos ouvidos ainda são virginais: nunca foram penetrados. E é preciso saber falar. Há certas falas que são um estupro. Somente sabem falar os que sabem fazer silêncio e ouvir. E, sobretudo, os que se dedicam à difícil arte de adivinhar: adivinhar os mundos adormecidos que habitam os vazios do outro.

Começava a ter medo dos outros. Aprendia que a nossa solidão nasce da convivência humana.

Nós não vemos o que vemos, nós vemos o que somos. Só vêem as belezas do mundo, aqueles que têm belezas dentro de si.

Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade. No fundo, somos os mais bonitos...

O esquecimento, frequentemente, é uma graça. Muito mais difícil que lembrar é esquecer! Fala-se de “boa memória”. Não se fala de “bom esquecimento”, como se esquecimento fosse apenas memória fraca. Não é não.
Esquecimento é perdão, o alisamento do passado, igual ao que as ondas do mar fazem com a areia da praia durante a noite.

Todas as palavras tomadas literalmente são falsas. A verdade mora no silêncio que existe em volta das palavras. Prestar atenção ao que não foi dito, ler as entrelinhas. A atenção flutua: toca as palavras sem ser por elas enfeitiçada. Cuidado com a sedução da clareza! Cuidado com o engano do óbvio!

Quem experimenta a beleza está em comunhão com o sagrado.

A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar.

Minha fé é no desconhecido, em tudo que não podemos compreender por meio da razão. Creio que o que está acima do nosso entendimento é apenas um fato em outras dimensões e que no reino do desconhecido há uma infinita reserva de poder.

O Caminho da Vida

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.

A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e morticínios.

Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria.

Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.

Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

QUERO


Quero os homens de Vênus.
Quero as mulheres.

Quero os que amam errado
e amam muito.

Quero os que têm as perguntas
como respostas .

Quero os que não sabem viver
e vivem sem querer saber.

Quero os que mudam com a lua.
Quero os que deixam-se queimar-se com o sol.

Quero os filhos de Gandhy e
de todos os santos.

Quero os que consigam
defender-se de si próprio.

Quero os que cantam
pra sobreviver.

Quero os que permitem-se fracos.
Quero os filhos da noite.

Quero os que bebem.
Quero os rejeitados.

Quero os que desobedecem.
Quero os que vomitam

Quero os que amam.
Quero os que odeiam.
Eu quero é os que sentem.

Terminei meu Daiquiri. Vênus estava brilhante no horizonte. Gosto deste sossego. Sem pai, mãe, irmãos ou amigos. Apenas eu inerte a tudo e minha paciência desalmada. Sem pensamentos. No vazio profundo. Quando se chega a esse estágio, tange como depressão. Mas no meu caso, não. É apenas uma opção. Uma escolha consciente e premeditada para fugir dos excessos mundanos. Ao invés de cometer alguma loucura para extravasar a pressão interna, prefiro me fechar passionalmente e esquecer tudo. Deixar que o universo leia e absorva minhas memórias, excomungando-as ao léu e arrastando-as para a gravidade zero.

Que tudo que mais lhe importa, floresça!

A felicidade vibra na frequência das coisas mais simples.