Coleção pessoal de JorgeGuerraPires

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⁠Um estudo da revista Nature (Estudo de 2016) mostrou que:
· 85% dos cientistas de elite são não-religiosos.
· Entre os físicos, 93% não acreditam em Deus.
Quando falamos que 93% dos físicos de elite não acreditam em Deus, o restante não necessariamente é religioso no sentido tradicional, como cristãos, muçulmanos ou judeus. Provavelmente, uma parte significativa deles é deísta. A parte mais curiosa é que, talvez por ignorância, talvez por má-fé, líderes cristãos insistem em espalhar que cientistas são cristãos em sua maioria, os fatos mostram o oposto, especialmente na ciência moderna.

⁠Uma cientista temente a Deus não é diferente de um médico com medo de sangue, um boxeador com medo de quebra o nariz.

⁠"Nessa visão [de que não existe conflito entre ciência e religião e podemos deixar as duas em paz], não há necessidade de que todas as nossas crenças sobre o universo sejam coerentes. Uma pessoa pode ser um cristão temente a Deus no domingo e um cientista trabalhando na segunda-feira de manhã, sem jamais precisar explicar a divisão que parece ter se erguido em sua mente enquanto dormia. Ele pode, por assim dizer, ter sua razão e também desfrutá-la."

⁠Como destaca A. C. Grayling, a parte mais cruel quando crianças são impedidas de aprender teoria da evolução é criar uma porta para odiar pessoas que estudam evolução, ou ateístas, ou qualquer pessoa que se oponha à visão do criacionismo, como exemplo, que é uma visão arcaica, da idade do bronze.

⁠a criança não vai à escola para aprender, para confirmar sua crenças, a escola como caixa de ressonâncias das crenças e preconceitos dos pais, não como um espaço de aprendizado e expansão do conhecimento prévio da criança.

Já é hora de submetermos a religião, como um fenômeno global, à pesquisa multidisciplinar mais intensa que conseguimos reunir, convocando as melhores mentes do planeta. Por quê? Porque a religião é importante demais para permanecermos ignorantes a seu respeito. Ela afeta não apenas nossos conflitos sociais, políticos e econômicos, mas também os próprios significados que encontramos em nossas vidas. Para muitas pessoas, provavelmente a maioria das pessoas na Terra, nada importa mais do que a religião.

Escola não é igreja, e professor não é pastor

⁠Candidatos que professam uma fé religiosa são vistos como mais "seguros" ou "normais" para muitos eleitores. A vinculação da competência política com a adesão a princípios religiosos permanece uma barreira significativa para ateus em busca de cargos públicos. Se religiosos pensassem, já teria conectado corrupção com os candidatos que votam; ou mesmo, incompetência com candidatos homens.

⁠Muitos eleitores simplesmente não estão acostumados com a ideia de que alguém possa ser moralmente íntegro ou competente sem uma fé religiosa (“temente a Deus”, a moralidade como submissão e medo)

⁠Os eleitores podem ter preconceitos enraizados contra ateístas, associando a ausência de crença religiosa com falta de valores ou competência moral. Na direção oposta, estudos mostram que pessoas religiosas caem mais a fraudes financeira, especialmente, se a pessoa aplicando o golpe for da mesma religião.

⁠O combate à discriminação contra ateístas passa por educação e promoção do pensamento crítico. É essencial desmistificar o ateísmo e enfatizar que a ética e os valores morais não dependem de uma crença religiosa.

⁠No Brasil atual, uma bancada ateia seria impensável, apesar de que vivemos em teoria em um estado laico.

⁠Nos últimos séculos, houve uma progressiva aceitação da diversidade religiosa e a separação entre religião e Estado em muitos países, permitindo que o ateísmo fosse mais aberto e publicamente declarado sem sofrer represálias legais. Contudo, isso ainda é um desafio uma vez que essa separação ficou mais complexa. Agora, isso aparece de forma mais sutil, como censura de livros nas escolas por grupos religiosos, ou conflitos no curriculum de ensino nas escolas, como a birra com Darwin. Isso é mais difícil de tirar, sem correr o risco de “deixar o cachorro nervoso”, tirar o osso da boca do cachorro sem ser mordido.

⁠A maior transformação do ateísmo é ter se tornado algo válido publicamente, sem punições severas como morte ou prisão. Ainda recentemente, pessoas eram proibidas de ocuparem cargos públicos casos fossem ateias. Em países islâmicos, ainda temos pena de morte para ateus.

⁠Nesse necessário, a Madalyn O’Hair defendia um tento salarial, como também defendia um mínimo. Temos uma pessoa atualmente que pode se tornar o primeiro trilionário da história, enquanto muitos não tem nem o que comer, o básico. Isso é a falência da meritocracia, e curiosamente, ele defende o cristianismo, foi uma das pessoas a colarem lenha na fogueira na questão da olimpíadas e disse no X: se o cristianismo não reagir, ele vai desaparecer.

⁠Algo que poucos cristãos entendem: o ativismo ateu não é um ativismo de conversão, como eles fazem, é um ativismo de pertencimento. É uma busca por pertencimento, é uma busca por ter pessoas ao seu lado. Ateu também sente. Usando Daniel Dennett: a religião domesticou os sentimentos humanos e necessidade mais básicas, como esse sentimento de pertencimento.

⁠Quando vejo um ateísta nervoso, raivoso, que odeia cegamente todas “as religiões”. Eu penso: você bem que poderia aceitar Jesus no seu coração. Eu prefiro um crente do que um ateísta reativo, primitivo e raivoso.

⁠A abordagem ateísta, como defendida por pensadores humanistas como A.C. Grayling, reconhece essa inconsistência e propõe uma alternativa. Em vez de basear a moralidade em um texto ou em uma suposta vontade divina que muda conforme os tempos, o ateísmo sugere que ela deve ser construída sobre princípios racionais e universais que busquem minimizar o sofrimento e promover o bem-estar humano. Sim, ambas mudam, mas uma aceita a mudança como base, a outra nega que muda, criando uma falsa ideia de absolutismo. Assim, evita-se o risco de justificar atrocidades sob a bandeira da religião, algo que a história nos mostrou repetidamente ser possível.

⁠A pluralidade de denominações evangélicas, especialmente no Brasil, é outro exemplo claro de como a moralidade religiosa é mais maleável do que os próprios defensores da moral "absoluta" frequentemente admitem. Com mais de 1.000 denominações evangélicas no país, cada uma com suas particularidades e interpretações da Bíblia, fica evidente que, na prática, a moralidade não é uniforme nem estática. Embora todas essas denominações compartilhem uma base comum nos textos sagrados e em crenças centrais sobre Deus, suas regras, costumes e normas morais podem variar amplamente.

⁠Se o ateísmo brasileiro não se aliar a pessoas inteligentes, com formação, corre o risco de virar algo primitivo, infantil, raivoso e reativo. Um bando de pessoas que odeiam todas as religiões, e quando confrontados, não fazem diferentes dos religiosos que eles tanto criticam. Usam falácias, espalham desinformação e não conseguem nem explicar porque o ateísmo é a base da racionalidade. Atacam inimigos que nunca foram inimigos. Claro, o ateísta não precisa ser inteligente, mas ajudaria muito a causa ateísta.