Coleção pessoal de CarlaGP
"Nunca ninguém se perdeu moral ou espiritualmente por manter-se precavido contra os elogios, que, mesmo quando justos, se fazem sempre acompanhar de perigos de vários tipos.
Quantas pessoas sucumbem à vaidade e ao auto-engano porque acolhem os elogios sem qualquer decoro!
Quem recebe com demasiada satisfação o elogio justo está perto de acatar o elogio equivocado e até mesmo o interesseiro.
O homem prudente jamais confia cegamente no elogio".
"O adulador de hoje é o detrator de amanhã. Sua opinião elogiosa é feita da mesma lama tóxica de suas sentenças caluniosas.
Os louvores do adulador são envergonhadas palavras de enaltecimento a si próprio. O pior, porém, vem agora: secretamente, o adulador crê que os seus aplausos são um favor – razão pela qual imagina que a pessoa a quem exalta tem uma dívida de gratidão eterna para com ele.
De maneira repentina, rancores incontidos eclodem no espírito desta criatura ávida por reconhecimento. Basta um nada para tudo o que há de pior na sua alma vir à tona; um peteleco a faz desmoronar; uma bobagem a faz despejar magmas de ódio em forma de impropérios e murmurações.
No final das contas, nada lhe restará senão decair na jactância que – por resquícios de pudor – tentou esconder o quanto pôde. Uma jactância tortamente atirada contra aqueles de quem se julga credor moral. Em tais ocasiões, este pobre-diabo gaba-se atacando desafetos que só existem na sua imaginação doentia".
"A dureza de coração é feita de pequenas certezas equivocadas, de rancores que se vão cristalizando na superfície da consciência, de maneira lenta, no decorrer de um tempo relativamente longo, sem a pessoa dar-se conta de estar perdendo a ternura, essa extraordinária capacidade de ir às coisas e às pessoas com ânimo complacente, benévolo.
Sem ternura não há humanidade, e esta é talvez a maior desgraça que pode suceder a alguém, pois a alma desumanizada não percebe o pragmatismo, a frieza, a indiferença em que caiu. Seus juízos, suas justificativas, suas explicações passam a ser o medonho reflexo de um coração sem viço, vazio, fechado em si mesmo.
O coração endurecido não consegue expandir-se, aquecer; é selvagem em seus menoscabos cotidianos, em seu desamor cujo efeito próximo é o egoísmo, em suas acusações mesquinhas.
A frase "hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás" foi atribuída ao funesto Che Guevara, que provavelmente nunca a pronunciou. Seja como for, está completamente equivocada, pois dureza e ternura são antônimos metafísicos, realidades contraditórias que não podem coexistir ao mesmo tempo numa mesma pessoa.
Quem não perde a ternura jamais endurece o coração.
Não são gratuitos os anátemas da Sagrada Escritura dirigidos aos duros de coração..."
"Não se arrepender e transferir a culpa são os dois passos da obstinação invencível – as duas etapas da impenitência final".
"A vida psíquica do soberbo oscila entre o tédio e o desespero: ele se desgosta na expectativa dos bens desmedidos a que aspira, e se enfurece por não lograr alcançá-los".
"Não existe gratidão involuntária. Noutras palavras, certas precondições espirituais e psíquicas são necessárias para uma pessoa alcançar o estado habitual de benevolência, sem o qual a gratidão lhe estará formalmente vedada, sempre.
Não basta enxergar os benefícios recebidos, quaisquer que sejam. É preciso querer agradecer e querer retribuir ao benfeitor, na medida do possível e do bom senso.
Não há exceções a esta regra moral, que não conhece acepção de pessoas".
"A essência da covardia é amar as coisas erradas, na hora errada, de maneira errada, mais que ter medo.
O covarde teme mal porque ama equivocadamente. Ele não hierarquizou os temores por não haver hierarquizado os amores, e portanto não tem coragem de defender as coisas que importam na hora certa e da maneira devida".
"Não temer o temível não é coragem, mas audácia imprudente; temer o temível não é covardia, mas prudência; temer o não temível é covardia".