Coleção pessoal de CarlaGP
"A beleza é a mais nobre portadora da luz; ilumina a mente e aquece o coração de quem a contempla".
"A semelhança entre o sábio e o estúpido é que, às vezes, ambos têm razão; a diferença é que o estúpido, ordinariamente, tem razão por acaso".
"A verdade não é uma realidade a que se chega fortuita ou involuntariamente, mas sim por um esforço intelectual contínuo e pelo ordenamento das paixões.
Ninguém chega à verdade por acaso ou sem querer".
"Quem mente não opina, tergiversa maldosamente.
Em breves palavras, a opinião temerária ou apoiada em consensos fabricados tangencia a fraude, e um dos critérios para distinguir o opinador honesto do palpiteiro velhaco, cuja tendência é transformar-se em proverbial mentiroso, é levar em conta o nível de extravagância no opinar e também aferir se as opiniões expressadas são a repetição mecânica das idéias de facções ou seitas às quais alguém adere para sentir-se seguro.
Nestes dois casos não há opinião em sentido próprio, mas agônicos vagidos".
"A verdade é o limite da diplomacia. Noutras palavras, o convívio social, embora às vezes nos obrigue a certa tolerância com relação a opiniões ou atitudes que julgamos equivocadas noutras pessoas, não pode ser regido por vernizes ou etiquetas que esmaguem o caráter. Às vezes é necessário lascar um osso para manter a integridade, não engolir a seco coisas ou situações que tangenciem a perda dos valores que nos são mais caros. Ou isso ou a mentira acomodatícia, a qual induz as pessoas à demagogia; e, desta, vai-se a precipícios de onde é quase impossível sair.
Conviver com a diferença não é anular-se. É agir com certa sabedoria prática, ter traquejo para boa parte das situações cotidianas, entender que a maior cortesia que podemos fazer a alguém é sermos verazes, muito mais que políticos. Mas é também perceber que, em boa parte das vezes, é possível conviver com o diferente sem sentir-se agredido, constrangido, maculado, aborrecido. Quando a diferença porém representa um abismo o afastamento torna-se a melhor profilaxia moral".
"O arrependimento de um obstinado pertence ao âmbito do miraculoso, pois em toda obstinação há o influxo decisivo da malícia, em maior ou menor grau, no que diz respeito à recusa de dados elementares da realidade. Não se trata de teimosia, apenas, mas da calcificação da inteligência no erro. Neste estado, a pessoa torna-se impermeável a quaisquer evidências em contrário àquilo que gostaria de ver concretizar-se no mundo real. Sacudida por emoções veementes e contraditórias entre si, esta arquetípica criatura acabou sendo privada das precondições psíquicas sem as quais o arrependimento é, formalmente, impossível. O máximo a que chega é o remorso, mas este enxerga somente os efeitos dos erros cometidos, jamais as causas. Por remorso, Judas devolveu as trintas moedas com que vendeu Cristo; se se arrependesse, pediria perdão ao Mestre.
Sentir a própria consciência remorder não basta para uma pessoa deixar de ser obstinada; é preciso que, nela, a luz do remorso se transforme em vontade de refazer tudo a partir do pagamento de um débito de justiça, o qual muitas vezes começa por um sincero pedido de perdão, mas este só o arrependido é capaz de realizar de boa-fé, porque ama a verdade. Sim, entre arrependimento e amor o vínculo é essencial, e não acidental.
Ninguém se arrepende sem querer ou sem entender do que realmente deve arrepender-se. Ora, o obstinado não quer arrepender-se, mas afirmar a sua posicão a qualquer custo, e justamente por isso não vê razões por que deva arrepender-se.
Que dizer então de sociedades inteiras em que os obstinados são maioria?"
"O amor tolera sombras; o conhecimento, não. Por isso não existe pior maneira de amar uma pessoa que tentar saber tudo dela.
Um amor que não suporta o mistério está fadado à morte em agonia".
"A alma pusilânime vicia-se em não ter certezas, até crer, neuroticamente, que toda certeza é incerta.
A exceção são as certezas que servem à sua covardia; estas são inabaláveis, e dão à alma pequena argumentos vários para não fazer o que deve fazer, em circunstâncias concretas de sua timorata existência.
A uma pessoa debilitada por este vício convém delegar a terceiros, ou ao Estado, ou à "ciência", as suas mais importantes decisões.
Ao fraco convém duvidar quando ter certeza é um dever. Não se trata, neste caso, de uma certeza geométrica, é claro, mas da "certeza moral" que impele o homem a agir em ocasiões graves tendo por bússola a opinião mais provável".
"Só há verdadeiro martírio quando não se sacrifica a própria consciência na defesa inegociável da verdade conhecida, em condições adversas.
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Esta definição exclui do conceito de martírio todo e qualquer sacrifício em defesa de um ideário político. O comunista, o nazista, o socialista, o fascista ou o liberal, quando levam às últimas conseqüências as suas convicções, fazem o extremo oposto do mártir: sacrificam a própria consciência no altar da obediência cega a diretrizes políticas circunstanciais.
São capazes de impugnar ou ocultar a verdade quando isto convém à sua facção".