Coleção pessoal de ARRUDAJBde
O Olhar de Deus
Somente Ele vê além das sombras,
onde o homem tropeça em sua própria fraqueza.
Somente Ele guarda o segredo dos dias,
e conhece o nascer e o pôr da esperança.
O poder humano é vento passageiro,
mas o sopro divino é eterno e verdadeiro.
Quando o mal se ergue em vaidade e dor,
Deus prepara o triunfo da justiça e do amor.
No fim dos tempos, quando o mundo se calar,
a trombeta ecoará, e ninguém poderá negar:
a glória pertence ao Altíssimo,
e o mal será varrido pelo Seu juízo.
Há tantas pessoas que se dizem livres, mas não são…
Liberdade vai muito além dos estereótipos.
A liberdade está na alma.
“A alma escreve em vermelho quando a ferida deixa de ser silêncio e começa a se transformar em consciência.”
Do livro O Livro Vermelho da Alma — Jung, o Inconsciente e a Alquimia Simbólica da Sombra à Individuação, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
Se o Islã é chamado de machista, por que no Brasil, na primeira oportunidade de tratar o corpo da mulher como açougue, isso acontece? Somos mercadoria?
Com certeza ela é casada,
mas o brilho da aliança não aquece.
Tão bonita, mas amargurada,
a vida pesa mais do que parece.
Entre paredes, rotina e silêncio,
o tempo se arrasta sem perdão.
O amor virou hábito, quase ausência,
um contrato sem paixão.
No olhar, a saudade de si mesma,
no gesto, a pressa de sobreviver.
A beleza não basta, não sustenta,
quando o coração não sabe mais viver.
Na terra onde nasceram profetas,
o chão ainda se cobre de sangue.
Muros se erguem, crianças choram,
e a esperança se esconde nas ruínas.
Homens armados chamam-se guardiões,
outros, combatentes da liberdade.
Mas no olhar do povo comum,
só há medo, perda e saudade.
Ajuda humanitária é barrada,
como se pão fosse ameaça.
E cada bomba que cai do céu
desfaz lares, apaga abraços.
Jesus disse: “A paz esteja convosco”,
o Islã responde: “Assalamu alaykum”.
Palavras que deveriam unir,
mas que se perdem no som dos tiros.
O verdadeiro terror não tem bandeira,
não veste uniforme, não fala uma língua só.
Ele mora no ódio que divide,
na indiferença que deixa o fraco só.
No berço da Judeia nasceu,
um menino de olhar sereno,
trazendo ao mundo a promessa
de que o amor é o caminho pleno.
Belém repousa em terras feridas,
onde povos clamam por liberdade,
mas a voz suave ainda ecoa:
“Que a paz esteja em vossa verdade.”
Assalamu alaykum, Shalom,
palavras irmãs que se entrelaçam,
como rios que correm ao mar,
buscando o mesmo horizonte que abraçam.
Homens erguem muros e espadas,
chamam o próximo de inimigo,
mas esquecem que o Criador
não fez fronteiras no coração amigo.
O verdadeiro terror é o ódio,
que cega olhos e endurece mãos,
mas a luz divina insiste em brilhar
na esperança que une as nações.
Acordei em vestes estranhas,
como se quisessem roubar quem sou,
mas dentro daquelas roupas alheias
meu espírito livre despertou.
Tentaram calar minha voz,
apagar meu nome, minha luz,
mas Deus me vestiu de coragem
e me cobriu com o sangue da cruz.
Não era minha a roupa no corpo,
mas era minha a alma que ardia,
renascida em fé e verdade,
forte como nunca seria.
Hoje visto apenas esperança,
sabedoria e intuição,
pois ninguém pode roubar de mim
o milagre da ressurreição.
Carrego no peito a tristeza,
como sombra que insiste em ficar,
mas junto dela nasceu a clareza,
um novo olhar para enxergar.
A inocência se foi no silêncio,
mas deixou em mim intuição,
agora percebo os caminhos,
e não me perco na ilusão.
A dor me ensinou a ser forte,
a fé me guiou na escuridão,
Deus me ergueu das cinzas,
me deu vida e direção.
Ainda choro lembranças passadas,
mas cada lágrima é oração,
pois sei que da dor renascida
floresce a sabedoria em meu coração.
Na morte da inocência,
nasceu em mim a visão,
não sou mais cega ao mundo,
nem refém da ilusão.
Três dias de silêncio profundo,
Deus me trouxe de volta à vida,
e ao despertar, vi com clareza
a verdade antes escondida.
A dor me fez mais atenta,
a queda me deu intuição,
hoje leio nas almas e gestos
o que antes passava em vão.
Não sou mais a mesma de antes,
sou filha da luz e da fé,
quem quiser andar ao meu lado
precisa ser mais verdadeiro que é.
Morri no fogo da noite,
no silêncio cruel da prisão,
meu corpo jazendo em sombras,
na véspera de São João.
Três dias de trevas e ausência,
três dias de luta invisível,
mas Deus soprou sobre mim a vida,
e fez do impossível, possível.
Acordei no dia da promessa,
no aniversário da irmã querida,
renasci como quem nasce de novo,
com a alma lavada, vestida.
As marcas não foram em vão,
foram cicatrizes de libertação,
pois quem sobrevive ao abismo
carrega no peito a ressurreição.
Hoje caminho só com Deus,
meu guia, meu norte, meu chão,
e quem quiser andar comigo
precisa ter fé maior que a razão.
Ser muçulmana brasileira, solteira e independente é viver a fé como escolha livre — e na máxima liberdade de expressão, descobri que amar a Deus é mais espírito do que carne.
Chamam de véu a prisão,
riem da túnica como farsa,
mas esquecem que os santos
se vestem da mesma forma.
Maria não era oprimida,
era livre na obediência.
Jesus não era motivo de riso,
era luz na simplicidade.
O preconceito nasce do medo,
do olhar que não compreende.
Não é o pano que incomoda,
é o sinal de fé que resplandece.
Deus não se perturba com o puro,
não rejeita o que é santo.
Ele ama o coração humilde,
que se cobre de reverência.
Vestes são apenas símbolos,
a alma é o verdadeiro templo.
E quem ri daquilo que é sagrado
ri daquilo que não entende.
