Coleção pessoal de AntonioPrates

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⁠Nas redes sociais as pessoas não mostram o que elas realmente são ou o que sentem, mas sim aquilo que elas gostariam de ser e o que sabem que causa inveja, desejo e compaixão aos outros.

⁠Todos falam em cultura,
nessas luzes da ribalta,
e na ânsia da loucura
andam todos à procura
da cultura que lhes falta.

⁠Quem se finge indiferente
ante a injusta sociedade,
é mais um que é conivente
com a justiça decadente,
por desdém e por maldade.

⁠Quem na vida sobe mais, só um pouquinho que seja, por tendências naturais ganha espias e fiscais ao serviço da inveja

⁠Aos domingos a preguiça
faz as contas ao serão,
entre os que foram à missa
e os que nem à missa vão.

⁠Dizem que errar é humano.
Eu concordo e é verdade:
Se uns erram por engano,
outros erram por maldade.

⁠Se pensar bem na diferença
deste clima destemperado,
o calor não recompensa
os frios que tenho apanhado.

Com o trigo que nos resta,
⁠se o trabalho fosse ordeiro,
o Alentejo era o Celeiro
de dez nações como esta.

⁠Nesta terra quente e nobre,
pelo campo alguém o disse,
que o Alentejo era mais pobre
se a paixão não existisse.

⁠Entre trilhos e artérias,
neste terço da nação,
o Alentejo está de férias
desde o Tejo ao rio Vascão.

⁠Eu bebo de qualquer maneira,
não me nego à diversão,
e durante a tarde inteira
só vou beber um garrafão.

I
Essa coisa do beber
vos conto meus amigos,
é este o destino que sigo
só para me entreter...
Já estou quase a ferver
por uma bela macieira
ou então uma bagaceira
daquela que não se fez,
bebo-a toda de uma vez,
eu bebo de qualquer maneira.

Ii
Essa é só a primeira
porque o vinho vem a seguir,
e o prazer do engolir
parece que tem cegueira...
A cerveja tem dianteira,
e o whisky, pois então,
bom é tê-lo sempre à mão
seja de noite ou de dia,
com um jarro de sangria
não me nego à diversão.

III
Bebo tal qual um leão,
não rejeito o absinto,
meus amigos, não vos minto
que é quase uma paixão...
pois bate-me o coração
por uma pinga de primeira,
penso só na bebedeira,
quase chego a estar morto
por uns litros do bom porto,
e durante a tarde inteira.

IV
O meu estômago é uma feira
de tanta mistura que faço,
desde o vodka ao bagaço,
do gin à aldeia velha,
bebo tudo o que me dá na telha...
Chego a não ter um tostão,
peço fiado na ocasião,
disso não me envergonho
e para provar o medronho
só vou beber um garrafão.

⁠O que canto em abundância
são retratos de saudade...
És a flor da minha infância
E um cartão de identidade.

I
Nas passagens do rossio
o colorido do ervado,
velhas eiras, algum gado
e cem anos de pousio...
Na riqueza do teu brio
eu vivi sem importância,
sem o vício da ganância,
no carinho do teu leito,
é sincero e por direito
o que canto em abundância.

Ii
Para sempre a minha escola,
o meu teste de memória,
professora dona Vitória
e mil sonhos na sacola...
Sua imagem me consola
num padrão de eternidade,
vi em ti a liberdade,
muita força e muito medo,
e as promessas dum brinquedo
São retratos de saudade.

III
Aquela imensa multidão,
as promessas arrojadas,
com pessoas encantadas
oferecendo a exaustão...
Boa-Nova e devoção
demonstrados na constância,
o teu povo em abundância
vê passar mais um petiz,
mas que hoje ainda diz:
És a flor da minha infância.

IV
És a página mais amena
no meu livro desfolhado,
o sentimento emocionado,
a nostalgia que me acena...
Neste abraço para Terena
há carinho e amizade,
e aquela fraternidade
que eu guardo de criança...
foste tu a minha esperança
e um cartão de identidade.

⁠Onde há preconceitos não há paz nem justiça social.

⁠A minha liberdade de expressão é limitada desde o tempo em que o meu pai dizia palavras que eu não podia dizer.

⁠Todas as palavras se perdem no tempo quando não partem do coração.

⁠Quem caminha por lugares
onde poisam aves raras,
hoje vê painéis solares
onde um dia viu searas.

⁠Quando um dia eu for poeira e for a minha despedida, tratem-me da mesma maneira que me trataram nesta vida.

⁠Quando a festa é mais bravia
segue em frente e desarmado;
como é grande a valentia
na coragem de um forcado.

I
Hoje é dia de tourada
à velha moda portuguesa,
toda a praça é uma beleza
e os magotes dão chegada.
Vai começar a garraiada,
sobe a míni em euforia,
o descaramento da Maria
faz olhinhos para o moço,
o orgulho do que é nosso
quando a festa é mais bravia.

II
Ela entra e vai a trote
pra contemplar o grande artista,
quer fazer jus à conquista
com a pega e com capote.
E olha lá pró camarote,
o trompete é afinado,
ele num ar de avalentado
está ali de pedra e cal,
e quando entra o animal
segue em frente e desarmado.

III
Os amigos dão-lhe a mão,
a primeira é do mais forte,
outros mais vão dar-lhe sorte
e é tremenda a ovação.
Raspa o bicho pelo chão
a testar qualquer fobia,
entre o pó e a gritaria,
há arrojo e muita graça,
e os rapazes estão na praça,
como é grande a valentia.

IV
Chegou a hora anunciada,
cresce o touro em prontidão,
quando avança o valentão
entra o bicho em derrocada.
Ela toda entusiasmada
ele no touro encaixado,
grita o povo extasiado
a boa sorte do pegador,
e ela assina o seu amor
na coragem de um forcado.

António Prates

⁠Quanto mais me tentaram colonizar mais eu me senti inadequado para ser escravo.

⁠Num mundo como este acho perfeitamente normal que as crianças chorem quando nascem.