Coleção pessoal de AllamTorvic

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Eu fiz peregrinação
até Jerusalém,
Fui um correspondente
No afã da aventura⁠
§
Conheci,
A geografia das almas,
pelos mistérios
do mundo
§

Dificílimo.
É permanecer
continuar a ser
peregrino
Aprender.
§

"⁠Tentei desvendar séculos passados,
lancei semente na seara das palavras,
brilhou em mim, uma floresta de cultura
arvores brilhantes nos galhos da imaginação".

§

⁠P e r e g r i n o

No campo eu aprendi a cuidar do arado, eu me lembro que levava as ovelhas e os cachorros até um monte alto, de onde via a cidade;
lá em cima havia um pé de coqueiro, onde repousava. E para mim, era uma aventura, uma espécie de pastoreio.Minha vó, muito generosa, fez uma "capanga", de couro para mim e nela eu levava, comida e água.

Eu ficava muito tempo com os bichos, com o silêncio e observando de longe a cidade; mais tarde havia sempre um vento que soprava o coqueiro, mas embora eu fosse ainda menino, não tinha medo do vento, pelo contrário, eu repousava e ouvia o vento passar.

(...)

⁠Ele trouxe luz,
à fundação das palavras
uma vocação à experiência
na plenitude das flores
um triunfo poético
um amor pela vida.

§

⁠"Às vezes, faz falta o entardecer olhando a serra,
e os retratos na parede da vida no interior".

⁠"Morri muitas vezes,
em muitos lugares
na busca por multidisciplinaridade
interlocução em diversos ambientes
só encontrei significados
em Cristo".

⁠VAZIOS


E se eu fosse embora, agora?
Onde estariam todas essas sementes?
É tão vã essas palavras, vejo isso ao chão
todos dormem, inclusive meus sonhos
a memória é sempre resposta à saudade
a vaidade humana um frio sem cobertor

Nos olhos, há choros, vazios e dor
rios na tristeza do tempo,
suspensa sobre uma fé imatura
o dia é penumbra
deixei de lado o cair da noite
desencantos e solidão escreverem no verso

Talvez um dia eu volte, em plena lua cheia
Talvez eu traga certezas em outras palavras
talvez haja planícies em meus olhos
talvez me chamem para tomar um café
ou encontre abismos.

Esse papel é um pedaço de nada
sombras e silêncios empoeiradas
um toque invisível do envelhecer
a angustia do mundo em velas com chuvas

Apenas esquecimento em meia escuridão
chega de palavras, de frases sem sentido
o chão do real é um poema de homenagem
a quem quer pensar.

§

MEMÓRIAS⁠

“Foi por intermédio da Bíblia, que eu entrei nos rios da literatura”. Mergulhei no livro do gênesis (Sefer bereshit) e quando vi, já estava em romanos; não consegui mais sair. Era um viajante cheio de fantasias, diante de um vasto universo. Renunciei aos traumas (memórias), e passei a ter uma visão mais humanística. Sem interrupção prossegui, entre bênçãos e incompreensões, não se tratava de ideologizo estético, ou moral, mas de uma reforma que acontecia em mim, séculos antes de conhecer quem era Lutero. Uma reconstrução do que é belo, uma reposição do encontro com a vida, através da palavra.

⁠ETERNIDADE

Há sinais de eternidade
em tudo que vi
no céu, no mar, na luz

nos trovões, e amanheceres
no silêncio e nos temporais
Cristo revelado, exaltado
o verbo vivo entre nós!

CHUVA
— ⁠
A estética da chuva é música,
é roupagem de frio
é rio experimental.
§

⁠Uma criança me perguntou:
— Moço, o que é a chuva?
como é o rosto da lua?
& quantas flores cabem em um jardim?
-
Meu filho, a ternura dos pássaros está em saber esperar.

⁠A FAZENDA DO LAGO
-
Imagem do passado
Calmaria em memória de flores
Do passo, ao contubérnio.
da paz ao esquecimento
§
Diante desse quintal
Existem páginas enroladas
e algumas árvores
cheia de frutos caídos
§
Em poucas palavras
um céu tocado por cores
em ventos simples
Eis a imagem da fazendo do lago

⁠LITURGIA DA CASA
-
Pinturas, que falam mais que as paredes
pisos que levam a caminhos ligeiros
um dia que chega e outro que vai
sentimos demais, o que foi já não é.
enterramos nos quadros a doce espera
o que era é vida
Os muro, tornou-se efeites.
Liturgias de breves histórias
§

⁠VOZES SIMPLES
-
O meu verso é simples, apenas simples
qualquer criança decifra
não há apelos herméticos
o sol neles é sombra
é chuva que cai ao solo
risada alegre, é simples olhar
ausências em toques mágicos
e esperança em cores douradas

⁠O poeta con[vida],
Vem comigo, pintar o céu
com cores transparente de instantes
vem contempl[ar] as aquarelas
Tu olharás pela janelas
Verás o mundo
com outros olhos.
§

⁠Tranquilamente, enchi as ruas de flores
Deixei um livro na casa e fui embora.
(...)

⁠"Paulo, elogia a voz a fala autêntica das escrituras,
Pedro, ressalta o olhar amplo do escritor,
A iluminação para alguns, às vezes vem!
E quando vem?
Quando vivemos, uma vida de serviço e amor.

⁠"Poucas experiências com Jesus,
Significa poucos significados de vida".
§

Deus é amor? Sim.
Mas onde eu consubstancio essa experiência?
Além das gavetas religiosas da minha mente?
Deus é real? Sim.
Mas o que ele quer nos ensinar agora?
Exatamente, tentar aproximar as escrituras do nosso solo existencial.
A experiência de leitura com a palavra
refletindo sempre no espelho da vida.

⁠POESIA

Feche os olhos, desenha-se, um papel
ao olhar-me, flores de manhãs,
verde súbito entre cores azuladas,
breve pensamento matinal,
siga-me,

§