Avesso
Diga tudo que não quero
Sem saber de nada.
Fique do avesso,
Mais me deixe serena,
Seja no calor, seja no relento.
Quero viver sem tormento,
Se esse for o começo, que lamento.
Me deixe só por um momento,
Não fale mais nada, quero sua voz presa.
Me esqueça, mas não esqueça muito.
Metade de mim, mesmo com toda essa contramão,
Está cravada em você.
Se caso sair sem direção, perturbado,
Não se preocupe, te acharei, pois habito em você.
Talvez você nem saiba o porquê.
Não tem esconderijo certo,
Eu só queria que tudo desse certo
Nesse mar incerto.
Eu só queria que meu beijo fosse seu,
Eu só queria que sua boca fosse minha.
Seu estado tem sangrado,
Queria eu que fosse de fato sagrado.
Vamos ver no que vai dar.
Eu só queria que sua voz se transformasse em música.
Eu só queria que ao menos algum dia nossa história fosse ouvida, resolvida.
Eu só queria nesse mundo doido ser sua, ser única.
E você conheceu o meu avesso, visitou o porão dos meus sentimentos, idéias e comportamentos, e continuou sem ter vergonha de mim.
O que está havendo com esse mundo? Está virado do avesso? Ou ao avesso estou eu? Nem sei dizer... Tanta coisa que eu vejo... Tanta coisa acontecendo na frente de todos... Será que faz sentido? Tanta gente vivendo presa ao dinheiro, ao trabalho... É... Talvez ainda tenhamos alguma chance! Ainda não é tempo de desistir!
Se beleza interior fosse tão admirável, já nasceríamos do avesso e clínicas de estética nao cresceriam tanto.
Meus sentimentos eu uso do avesso, pois prefiro desviar do meu risco das mágoas;
Vou me mantendo forte sem conhecer meus inimigos discretos e não dando conta das invejas que me cercam;
A cada dificuldade superada me torno mais forte entre as lúcidas razões escondida em qual lugar;
Águas claras, santas
Águas que são d'encanto
Lavai-me o coração de mágoas
Porque sou avesso ao pranto.
O avesso do planeta
Hoje somos estimulados a sentir ódio para nos lembrarmos do amor,
Somos estimulados a sentir raiva para nos lembrarmos da compaixão
Somos estimulados a presenciar a guerra para desejarmos a paz
Buscamos a todo momento incentivos para sobreviver
Para resgatar das profundezas sentimentos puros, muitas vezes esquecidos por nós.
Levamos milhões de anos para aprendermos o que
foi de graça nos concedido
Mas preferimos a escolha do caminho inverso
Preferimos o avesso do planeta,
O avesso do planeta.
O avesso também pode ser um portal para percebermos
nossas imperfeições, nossos atos insanos, nossas falhas
Porém, um caminho para reconstruirmos nossa plenitude, nossa unanimidade, nossa integridade... nossa vida.
Eu não estou nada bem...
Sei lá, tem dias de avesso, tem dias de ventos, tem dias de conflitos, tem dias de fechar os olhos e dormir e tem dias de não conseguir pregar os olhos. Tem dias que gostaria que o tempo parasse, outros que passassem depressa, e, na maioria deles, apenas que fosse um bom dia. Só isso.
PRINCESA DO AVESSO
Querido Príncipe Encantado,
Faz tempo que me disseram que você viria. Minha teimosia e mania de contrariar, me fizeram desacreditar.
A ideia de esperá-lo nunca me coube bem.
E nessa “não-espera”, fui esbarrando com sapos, e fazendo deles, príncipes.
Nunca um cavalo branco, tampouco espadas e escudos. Sem campos floridos e pássaros. Entre uma troca de olhar no bar da esquina e um esbarrão numa avenida qualquer, fui traçando com perfeição minha bagunça emocional!
Aquela linha tênue entre o querer e o fazer, que não funciona tão bem fora da “caixa”.
Pois bem, Seu Príncipe, a diversão perdeu a graça, a espera fez-se presente, e hoje escrevo para avisá-lo que venha logo.
Não se esqueça de que acordo de mau-humor, só funciono depois do meio-dia, não durmo a noite, trabalho muito, e amo esse trabalho com a mesma intensidade que reclamo dele. Sim, sou um conjunto de paradoxos e ambiguidades.
Leio Fernando Pessoa, discuto Platão, parafraseio Nietzsche e me “sacudo” ao som de Quadradinho de 8.
Gosto de pessoas, de discussões de mesa de bar, da mesma forma que preciso ficar sozinha, na única companhia do meu computador.
Mas você vai entender, já que é o Príncipe Encantado...
Também não esquece que não gosto de flores, que as troco por cactos... Que uma cerveja no boteco da esquina pode ser melhor recebido que um jantar naquele restaurante caro.
E que eu vou achar que você morreu de uma bala perdida cada vez que não responder alguma mensagem, e que provavelmente vou esquecer-me de datas importantes e comemorativas. Você terá de me lembrar antes, e você o fará, afinal, você é “aquele cara”.
Sou mimada, faço bico e bato pé. Levo uma discussão até o fim e admiro aqueles que me convencem...
Se gritar, vou chorar e possivelmente irei embora. Na falta do que dizer, um abraço é suficiente. Nada melhor que um sorriso pra me dobrar...
Mas, você já sabe de tudo isso, afinal, você não é só mais um...
Então, venha!
Um beijo,
aquela!
O ódio não é o sucessor da paz e da indiferença. O ódio é o raioX do amor, o seu avesso. (...)Se ódio é efeito colateral do amor, pensemos: as pessoas têm amor a quê? Ideologias, partidos, orgulhos?
Precisamos virar do avesso nosso corpo para que a alma possa sair do alvéolo e encontrar o caminho da luz.
(...) Tenho saudade de quando ela me desdobrava do avesso. Seu olhar me golpeava por todos os lados. Ela me nocauteava com sua face teatral e oculta de sacana.