Lucas Strochinski

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Título: Don Juan, Hoje Não.

Agora vou apresentar, sem rodeio ou disfarce,
Um trecho pequeno de meus desenlaces.
Como sabem, até o momento,
Romance e eu? Puro tormento.

Pois quase sempre acabo sem norte,
Algo que para muitos é pura sorte,
Mas para mim? Um filme de terror!
Imagine só como o "eu" ficou…

Só de lembrar já me dá tremor:
O dia em que o pai dela veio me ver.
Era romance? Era paixão?
Talvez só uma grande ilusão.

Não era romance, não era paixão,
Mas eu, burro, tapei o coração.
Iludi a moça, pedi sua mão,
E veja só minha situação…

Jamais achei que na confissão
Traria o pai dela pra discussão!
Meu coração, irmão, gritou socorro,
Saltou do peito e pulou o morro!

Nem muito, nem pouco, só um bobo,
Achando que dominava o jogo.
Nunca fui um Don Juan, não,
Mas usei as malhas da sedução.

E que roubada! Em vão tentei,
Quase apanhei no portão, eu sei!

Inserida por Zeta

⁠Título: Quanto Veneno?

Quanto veneno
se pode tomar
antes de morrer?

Eu te pergunto:
quanto suporta?
Grãos ou rios
para entender?

Às vezes, a melhor escolha
é deixar ir, sem olhar para trás.
Seja família, seja amor,
ou um trabalho que te suga
até não dar mais.

Aprenda: nem tudo
que cresceu com você
precisa permanecer.
Se te fere, limita,
ou impede de crescer,
é hora de desaparecer.

Inserida por Zeta

Título: Coração de gente.

Lógica de máquina, coração de gente
Homem que anda igual toda gente,
mas não sente, igual os outros sentem.

Circuitos frios, alma quente,
preso entre cálculo e sensação,
tenta prever, mas perde a razão.

Vive prevendo na tentativa de viver,
mas se machuca por não conseguir ser.
Não é profeta, nem visionário,
muito menos poderes tem.

É apenas um homem
que vê...
o que os outros não veem.

Inserida por Zeta

⁠Título: Homem.exe – Erro 404

Homem robótico,
estruturado por processos,
algoritmos e lógicas,
peito de carne,
mas semblante de ferro.

Sentir? Ele sente,
mas age como fosse um código-fonte
compilado para ignorar a dor.

Porém…

Amar? Ele ama,
mas antes de se entregar,
roda mil simulações,
calcula riscos, estatísticas,
pesa variáveis no coração
e quando termina…
o fogo já virou cinza.

A mulher? Ah, sim, a mulher...
ela não esperou o processo.
Cansou da simulação emocional.
Fechou a aba.
Deletou os cookies.
E entregou seu amor
a um homem
menos robótico,
menos travado,
menos... bugado.

E agora ele está ali,
olhando a tela azul do destino,
analisando onde o código deu errado,
mas no fundo já sabe:
amar não é um sistema lógico,
é um vírus caótico,
sem antivírus que resolva o caso.

Inserida por Zeta

⁠Título: Ponto e Vírgula.

Leio tudo, ponto e vírgula, reticência,
Interpreto com ciência, sem paciência.
Livro, artigo, mural cheio de escrita,
Mas gente? Ah... erro de leitura da vida.

Tento decifrar com olhar de doutor,
Mas o paciente mente, sem pudor.
Detalhe demais vira paranoia,
E a mente, que lê, tropeça
e se enforca na corda da lógica.

A razão calcula, mas nunca acerta,
Pois coração não segue linha reta.
Entre vírgulas tortas e aspas erradas,
O mundo é um rascunho de frases forçadas.

Quanto mais eu leio, menos eu entendo,
E quanto mais entendo, menos eu aceito.
Se o mundo é um livro, sem autor e sem fim,
Melhor fechar as páginas e reescrever um pra mim.

Inserida por Zeta

Fome de teus lábios

Tenho fome de teus lábios,
sede ardente do teu ser.
Algo em mim chama teu nome,
num sussurro a te dizer…

Quero ser tua lembrança,
teu abraço ao entardecer.
Ser o vento em tua pele,
teu desejo sem porquê.

Sente…

Sente a brisa em meus dedos,
o carinho a te envolver.
Cada olhar, um segredo,
cada toque, um bem-querer.

Tenho tantos desejos…
Uns puros, outros um gracejo,
uns de cama, outros de beijos.
Que vida amarga sem tê-los!

Moça…

Dá-me apenas uma chance.
Sou de erros, sou de acertos,
mas se há algo que eu sei,
é que esse amor é tão certeiro.

Já me perdi, já voltei,
mas quando te vejo, eu sei:
há paixões que o tempo não apaga,
há histórias que não têm adeus…

E se é amor,
ele sempre renasce.
Ele é sempre meu e seu.

Inserida por Zeta

Abismo.

À beira do abismo,
a alma em perigo,
um demônio adormecido,
ao acaso, foi revivido.

Despertado por seus vícios,
potencializado por seus medos,
na beira, sempre de riscos,
vê olhos com puro tormento.

Estava dormindo,
como acordou?
Ativado por ódio,
quem ousou?

Um risco pra si,
pra ti, pra outros.
Muito cuidado,
nele há um monstro
que já está solto.

Inserida por Zeta

Princesa.

Sabe, às vezes
me pego pensando
em como era, em como sou.

Me lembro de ti, princesa,
rica de alegria e esplendor
sorriso lindo, cabelos cor de ouro,
vivia como se a vida fosse o maior tesouro.

Linda em todos os aspectos,
pura até onde sabia,
me apaixonava a cada vez que te via.
E quando falávamos... ah, que alegria!

Hoje és mulher
traços sensuais eu vejo,
cintura que faz minhas falas
soarem como exagero.

Pedi a Deus, tantas vezes,
que me levasse ao tempo
onde eras só um sonho meu.
Infelizmente, não aconteceu

A vida segue. Nunca volta.

Já rastejei por lamúrias,
lutei, iludi,
feito sedutor de palavras enxutas.
Tentei ser galante, charmoso, elegante
mas eram mentiras astutas.

Sou e fui um poeta errante,
um louco sem remédios,
um apaixonado sem amor,
sem chama, sem teto.

Não culpo ninguém.
Fui eu que deixei a vida chegar a esse ponto.
Sou o maior culpado pelos meus desencontros,
um afastador nato!
Dos que na minha vida se apontam.

Por ignorância, relutância ou medo,
blindo meu peito para novos peitos.

Que homem mais triste:
desistiu da vida antes de vivê-la,
agora só vive na escrita,
feito sombra esquecida,
perdido no tempo,
perdido na vida.

Inserida por Zeta

Traição.

Se um dia fores traído,
não se lamente, ria.
Nunca foi amor,
foi conveniência
com prazo de validade.

Você nunca foi insubstituível,
apenas útil, confortável,
um par de sapatos gastos,
trocado sem remorso.

Mas não se engane,
o erro não foi seu.
Quem trai uma vez, trai sempre,
pois já enterrou a própria dignidade.

Agora, sem correntes morais,
basta a mínima tentação
para que caia, rasteje,
como sempre fez.

A traição vicia, corrompe, consome.
É a combustão da carne podre,
um fogo que devora corações,
deixa apenas cinzas de cigarros
na cama…

Inserida por Zeta

Gato Risonho.

Lewis Carroll tava certo, aposto
Talvez todo mundo aqui seja louco
O Gato Risonho nunca errou
E, seja qual for o lado, o jogo é doido

As interações de hoje são dois cliques
Nunca se viram, mas já tão no pique
Não aprofundam, só se entregam
E no fim? Só se pegam

Quase sempre dá errado, normal
É tudo rápido, tudo banal
Baseado num "amigo próximo"
De uma rede nada social

Achar que ia rolar amor real
Por algo ainda tão artificial
Brincadeira de mau gosto, sem gosto
Só mais um tempo perdido no bolso

Chega, esquece, já deu errado
Os solteiros juram que o app é afiado
Mentira deslavada, se funcionasse
Você já tinha até casado

"Solteiro porque quero", sei lá
Talvez só te usou e vazou
E chega, não me encha mais o saco
Isso pra mim não funciona, tchau, obrigado.

Inserida por Zeta

Consulta Poética.

Bom, pelos seus relatos…
receito um soneto aos amores solitários
dipirona não resolveria o caso
então comecemos pelo dicionário

Vejamos… perdido? não, está aqui.
Quem sabe… Isolado? talvez, está só, também.
E se… Sim, esse! Poesia, a melhor definição
chama o médico que acabou o plantão.

E atrás da receita tem meu cartão
me chame se precisar… quem sabe
de instruções para sua nova criação
até mais, assinado: Paixão.

Inserida por Zeta

Alcoólicos Anônimos

A bebida, assim como a tinta,
pinta minha ação e criação;
às vezes alcoólica, às vezes não,
palavras saem com precisão.

Na manhã seguinte, vem a marvada,
a ressaca chega, entre páginas marcadas,
escrita borrada, grande enxaqueca,
e uma dor nas costas, lascada da parafuseta.

Já na enfermaria, observo a musa,
jaleco branco e uma leve curva.
Percebo as palavras e os pacientes;
na minha vez, ela diz impaciente:

"48 horas sem dependentes, ok?"
E eu, poeta da recaída, sorrio,
como quem sabe:
"Doutora, meu único vício é a vida."

Inserida por Zeta

Frag-men-to.

fragmentos de uma memória sem nome
dedico a todas as memórias sem nome
histórias acumuladas e algumas entrelaçadas
momentos de alegria, tristeza e raiva

dedico a todas as memórias já abandonadas
que para alguém ainda perpassa
com aquele calorzinho ao recordá-las
mantendo vivo o que muito não se fala

dedico a todas as pessoas passadas
por nossas vidas que de alguma forma
mudaram nossa rota, nosso estilo, nossa nota
melhoraram ou pioraram o que vai e volta

dedico a todas as cartas sem rota
escritas em madrugadas de insônia
ou prosa… algumas com profunda paixão
aquela chama que fazia juras e serenatas, algumas no colchão…

dedico a todas as namoradas… e às amigas também
a saudade que bate no peito e diz: que saudade, meu bem
aquelas conversas de quintal, aquele cantor nada afinado
cantando com um enorme astral, quase arrebentando as cordas… do varal

dedico a todos esses fragmentos, belos e medonhos
contos de uma época de muitos outros contos
alguns até bonitos, mas outros… ah, nem te conto

desejo a você que valorize até esses desencontros
perdidos em verso, perdidos em pontos
mas vivos em algum fragmento
com alguém ou algum encontro

Inserida por Zeta