Ana Stoppa
Glória Efêmera
Nenhum sucesso vem por acaso, tampouco
decorre dos ideais de uma única pessoa,
o mundo é coletivo e as metas são conquistadas
com o esforço em conjunto, especialmente
em decorrência do trabalho daqueles que atuam
no anonimato sem se preocuparem com os louros
da glória, que como tudo na vida, absolutamente
efêmeros.
Tire os óculos do pessimismo, enxergue de vez a esperança. Perceba como é bonito este mundo colorido.
Reencontro do Amor
A mulher que vejo no espelho
Já não tem os olhos vermelhos
No contagiante sorriso rasgado
Mostra o amor ter reencontrado
Nas páginas de um livro
Nas páginas de um livro
Livro-me de todo o tédio
Encontro luzes potentes
Nas palavras entrelaçadas
Enredos intermináveis
Serenidade e ternura
Amor, ousadia, loucura.
Nas páginas de um livro
Percorro todo o Universo
Dou asas aos muitos sonhos
Capazes de despertar
Os dormentes sentimentos
Alento nas horas longas
Que a esperança prolonga.
Nas páginas de um livro
Posso ser deusa ou rainha
Princesa, menina descalça
Colombina apaixonada
Dama de muitas cortes
E sem cortes ou censura
Liberar toda a ternura.
Acalantam a minha alma
Os roteiros inimagináveis
Poemas doces, intensos
Amores de muitas vidas
Ou a cura das feridas
Magia tecida com letras
Nas páginas de um livro!
Luz dos Sonhos
Meu bem querer onde tu estás agora
Meu coração te precisa sem demora
A lua cheia já não brilha no meu céu
Sem teu amor sou ave perdida ao léu.
Nas noites longas o vazio se instala
Triste silêncio a escuridão embala
Entre os lençóis busco o aroma teu
Sonhando provo do amor o apogeu.
Ouço os sons da alegre passarada
No amanhecer natureza orvalhada
Desaparece na aurora o triste breu
Deixo de vez os braços de Morfeu.
Tu és amor o ouro mágico da aurora
Canção sublime doce sabor de amora
Resplandecer deste coração plebeu
Intensa luz de todos os sonhos meus!
Banho de Chuva
De repente, quando se viu sem a sombrinha
entregou-se aos pingos d'água, tomou sem
pressa banho de chuva, feliz pelo momento
olhou para o céu, no lívido azul do infinito
redescobriu a infância, enquanto os demais
ao seu redor, protegidos por sisudos
guarda-chuvas, caminhavam cabisbaixos na
mesmice daqueles que desaprenderam sonhar.
No olhar de uma criança
No olhar de uma criança
pode se ver o mar
de amor, paz e alegria,
Ou dor, solidão, nostalgia.
No olhar de uma criança
Pode ver a amargura
Quando perde a esperança
Diante das guinadas da vida
No abraço de uma criança
Há a gratidão desmedida
Felicidade no gesto
Ou lágrimas de protesto
Uma criança indefesa
É um anjo caído sem asas
O coração desprotegido
Tesouro no canto esquecido
No sorriso de uma criança
Pode se perceber o medo
Ou conquista de brinquedos
Relicário de segredos
Quando verte o azedume
Ou o sal de muitas lágrimas
O olhar de uma criança
Quer de volta a esperança.
Nós e nós
Tantos nós
Emaranhados
Afastaram
De nós
O amor
Nos
Entremeados
De dor
Escuras vias
Desamor
Tantos nós
E nós...
Bem, nós
Nos perdemos
Dos laços
Desfizemos
Abraços
Adormecemos
Cansaço
Dura realidade
Arma dura
Verdade
De Aço
Fria
Vazia
Nós nos perdemos
Arrepios
Nós
Nos perdemos
Nos Emaranhados
Dos nós...
Como tudo neste Universo tem um fim, fato é que
nem sempre a tristeza é inútil, isto porque
enquanto a dor se reverte em salgadas lágrimas
se pode experimentar a proximidade de Deus.
Saindo de cena
Diante da exposição exacerbada de alguns ao
ponto de gerarem o cansaço ótico isto porque
invariavelmente sempre são os mesmos que sem
perceberem cansam a dialética,a gramática,a
plástica e a didática, prudente se mostram
aqueles que de vez em quando optam por
se vestirem de bege para não serem notados.
Ana Stoppa
Quando se aprende a dispensar a
mesmice dos ilusórios holofotes objeto
de tolas disputas e manobras, sempre
ocupados pelos mesmos, quando se
percebe que o tempo é precioso demais,
cabendo a cada um administrá-lo, quando
se conclui o quanto inúteis e efêmeros
são os aplausos para os mesmos,
quando se percebe que se vive bem
melhor distante deles, pois nada
oferecem a não ser a subtração do
tempo em detrimento à família e aos
anseios pessoais, pode se dizer que
a estrada da felicidade adornada
pela simplicidade se encontra
muito próxima. E pensando bem,
que as supostas glórias que fiquem
reservadas aos mesmos, afinal
como diz o jargão popular cada
um tem o que merece.
Estações
Sou estações...
Frio, flores, frutos,
Calor, dor, amor.
Perco o centro,
Reencontro
Me refaço,
De retalhos.
Perco as folhas
Sem escolhas.
Provo frutos
Imaturos.
Mas me refaço
Das quimeras,
Dos outonos
Demorados
Das sensações
Doloridas.
Visto o verde,
Primavera florida,
Reencontro (sempre),
Na árdua lida,
Um sentido para vida!
Em matéria de sentimentos dispense
as cópias baratas,os genéricos e os
chamados prêmios de consolação.
Pense Positivo
As bênçãos que Deus nos concede
são infinitamente maiores do que as
respostas negativas experimentadas
neste efêmero palco chamado vida.
Esbanje Fé
Não abra mão do sorriso, do alto astral,
da felicidade, da alegria, do amor, da paz.
Esbanje fé, esperança, solidariedade,
harmonia. Caminhe descalço, abrace a vida,
recite um poema, cante uma canção.
Permita que o teu coração vivencie a leveza
e a tranquilidade através da prática da
caridade,do amor ao próximo, da simplicidade
e do perdão.
Vida Perene
" Quando descobrimos que absolutamente
nada é definitivo, inclusive a vida
compreendemos a inutilidade do orgulho,
a tolice das disputas,a estupidez da
ganância,a mesquinhez da arrogância e a
incoerência das tolas mágoas." Ana Stoppa
Escrito em 02.01.2013. Publicado em várias
páginas inclusive no Pensador como sendo de
autoria desconhecida.
Não nos pertencem os desacertos, os atos
mal planejados,a imaturidade e por óbvio
os problemas alheios.
No mundo dos incompetentes os inteligentes
servem somente de escada. Ocorre que subir
assim se torna por demais fácil aos tais
bonecos ventríloquos sem vida própria, porém
segundo a lei do retorno, a descida se opera
com tamanha rapidez que nada os detém da
fatídica queda rumo à insignificância.
A vida corre feito menino apressado atrás da
bola colorida, como um bando de andorinhas
quando a noite se avizinha.A vida corre, o
amor escorre, e sem mais apelos um dia dia
se morre, A vida corre...
Sentimentos transitórios
Encare a vida de frente, sorva todas as
taças - solidão,melancolia, desilusão,agonia.
Supere o inexplicável, o silenciar dos sonhos,
o abandono dos planos, a queda de todos os panos.
Porque tudo é transitório, inclusive o sal das
lágrimas, as partidas inesperadas e a renúncia
ao amor.
Coragem
É preciso mais do que coragem para se dizer não
contrariando o coração. É preciso mais do que
coragem para enfrentar a dor na mudança da paisagem.
É preciso saber engolir o pranto quando se vai o
encanto, quando a vida transmuta de um imenso
jardim florido para um deserto dolorido. E de
coragem em coragem muitas vezes inúteis, a vida
se esvai, o amor se cala, a alegria adormece,
o sorriso se tranca, e a luz que era branca
desaparece no túnel, carregando todo o lume neste
mar de azedume...
É preciso mais do que coragem, diria é preciso se
aprender à duras penas a acenar para o adeus quando
a alma sonhadora inveterada recusa-se a ficar calada
na solidão que se instala, diante da realidade
impiedosa que sufoca a emoção para viver no
automático a inexpressiva razão...É preciso mais
do que coragem.
A vida nos mostra a cada dia um contingente
enorme de pessoas se dando mal em termos de
literalmente quebrarem a cara. E, segundo
as estatísticas infalíveis elaboradas por
um velho conhecido que atende pelo nome de
Tempo, dentre os que mais engrossam tais
dados estão os ingratos de toda espécie,
os anti éticos, os que adoram estar no
último degrau de uma escada sem
passar pelos intermediários, os
subtraidores das ideias
alheias, os caça holofotes, os
que pensam em crescer sem o
correspondente trabalho, os
bajuladores e os mesquinhos
puxadores do tapete alheio.