Âmago
... Viajei, não volto mais
Viajei por todas estações
E todas respiravam o mesmo âmago
E viajei mundo numa noite de quarta
Enquanto o grito desesperado ecoava intenso
Nos becos dum hospício solitário.
Viajei a primavera,
E desabrochei de vez,
Corri por campos belos e renasci
Das cinzas orgânicas fertilizando o jardim
E das cachoeiras de prantos derramados
Reluzindo o belo marfim das ruas intercaladas
Onde o som dos carros interrompe o silêncio das madrugadas.
Viajei o verão,
E me conheci de falsos calores,
Transpirei as infelicidades e nunca mais as vi
E me perdi em noites quentes mal dormidas
Do cerrado horizonte e das formigas.
Dormindo debaixo do meu travesseiro
Incapaz de sustentar meu pior pesadelo:
Minha solidão sórdida a cheiro de essências rosadas.
Viajei o outono,
Padeci milhares de anos até o triunfo real
Caí repetidas vezes ao solo seco e mortal
E sentia teu gosto doce até nos talheres de metal
O gosto das marcas e fluidos na cama,
E dos sonhos lúcidos de amor carnal
Viajei o inverno,
Congelei os dedos quando toquei a face.
E necrosei meus tecidos respirando o ar da aurora
Numa peregrinação pelo recomeço,
Procurando um canto quente de neve branca
Para reescrever minha estória melancólica
Em preto e em branco no gelo permanente.
Mantenho a minha angustia dentro do meu âmago
não que seja algo bom ou ruim mas apenas o esperável
Gosto de vê-la crescer a cada dia que se passa
a razão disso? Talvez medo afinal é uma coisa que nunca senti direito antes
ou talvez seja por que sei... Sei que um dia ela vai ser mais forte do que eu
sei que esse dia sera meu desfecho.
Nenhuma alma pode ser completamente feia, se lá no fundo do seu âmago esconder-se um pouquinho de luz.
Abre-se um vazio e, com este sentimento no âmago do pensamento, procura-se uma razão… mas ninguém a encontra e jamais o conseguirá… porque, sendo dos homens, tal prerrogativa não é humana. Mas se falta compreensão e se a sociedade se pretende como uma constante, não existe correspondência entre a mútua simpatia que vai crescendo e se solidificando e a profundidade de uma incredulidade teimosamente polvilhada e desgastada.
A vida é espuma do oceano, mas é tudo para mim.
Abrace, conforte, partilhe, sinta.
Todos necessitam de um ombro. E não pode haver ninguém que diga que não tem para dar.
Choro do morro
"Em seu mais íntimo âmago
O pesar se faz notar:
Curva-se o morro; chora a flora
E sem demora fez derramar!
Ebulindo em lamento intenso
Trouxe um veio em sua face
Fez morada n´outras vidas
Solidárias, sem guarida
Num estrondo rouco e denso
No silêncio sucedâneo
como em líquido amniótico
Surgem fênix, filhos de antônio
pós evento tão caótico!"
TERRORISMO
Há um explosivo
Na minha cabeça,
Fulgura uma espada
No âmago d'alma!
Não há uma trégua,
Não há um cessar...
O medo estrangula
O resto da calma!
Eu explodo, eu sangro...
Maldigo o terror
sanguinário e insano,
Até que apodreça
A última ideia
De um líder tirano!..
A justiça eleitoral deve ser usada como meio de obter a justiça justa com seu âmago na equidade e suas raízes na igualdade.
Quando leio sobre racionalidade, sinto no âmago da palavra a frieza dos carrascos. Racionalizar nada mais é, do que pensar com sabedoria envolto às emoções!
Pensava em ti, e, no âmago do meu ser, a nostalgia. Chorei. Sorri. Agradeci. A dor, em hipótese alguma, deve ofuscar a beleza de um grande sentimento.
Entendi
onde tudo começou
quando o tempo passou
no amago da nossa dor
em um barulho ensurdecedor
gritos se aliviam
nos olhos que nos guiam
estrelas reguiadas
a um novo caminho traçado
com cordas embaraçadas
no fundo de um navio
da maldição daquele rio
os monstros corroeram
e as pessoas de mim correram
como cidadãos aterrorizados
nos cantos enquadrados
persistindo em nossos laços
um tanto elevados
engolindo a hipocrisia
meu deus mais que agonia
foi quando eu mais refletia
no fundo do meu ser
querendo transparecer
buscando algum prazer
colidido no falso lazer
que evolui monstros
em seus pontos de encontro
no medo e no risco
na luz do dia eu rabisco
São folhas e folhas
levando a informação
pro ser trancado na alienação
que vai da simplicidade
até o medo da mortalidade
em abrangências e incompetências
com a falta de veemência
virado em suas próprias dependências
como fogo que arde
na sua pele parda
os alvoroços na falta de almoço
nos desgosto nos olhos
só querem as motos
e o lucro que grita
e si próprio escandaliza
e o sangue vermelho
mostra o empecilho
no meio do caminho
de que fomos torturados como os índios
fugindo da natureza
reagindo com estranheza
e de novo a incerteza
persistindo na luta
que segue como uma gruta
ela pela queda da agua
e nós pela queda das lágrimas...
Sabedoria está no âmago dos seres, porque ela não consta em diplomas, mas sim no aprendizado da vida.
Namorar
Namorar é a melhor forma de extravasar
É o âmago desses corpos entrelaçados
Juntos descarregam energias estacionadas
Ao toque de mãos que escorregam a todos os lados
Momentos de troca dos calores espontâneos
Corpos lapidados a quatro mãos delicadas
Entregam-se numa troca constante de lisonjas
Ardem em fogo numa paixão ferozmente gostosa
Exibem seus charmes como a dança da garça
Seus gingados chamam atenção de quem passa
Demonstram imensuráveis prazeres na presença
Do outro que tanto e incondicionalmente ama
Imaginam a cena da flor desabrochando
Numa entrega total de ambas as partes
Delírio que os levam no momento
A uma fonte de luz a brilhar delicada.
Âmago
É que eu gosto das coisas do jeitinho que são. Sem enfeites demais, sem perguntas demais, sem regras demais, sem culpa e sem arrependimentos demais. Eu gosto das coisas no meio termo. Nem perfeitinhas demais, nem confusas, nem felizes demais. No ponto.
Acho que as coisas têm mais graça quando são ao natural mesmo, sem nenhuma obrigação, recíprocas. Não dá para ficar mendigando carinho, ou aceitando qualquer “você é importante”. Tudo tem estado tão banalizado, que até o “eu te amo”, em algumas circunstâncias, perdeu o significado real. Por que tem sido tão difícil achar uma relação duradoura, ou um parceiro que não tenha medo de encarar a “coisa séria”? Tem sido tão difícil, talvez pelo fato de que, cada vez mais, as pessoas se denominam autossuficientes. Já está se tornando bem comum ouvir um “eu estou melhor sozinho”. Até que ponto estar bem é estar sozinho? Até que ponto o amor próprio é melhor do que o amor compartilhado, recíproco? Desde quando amar virou algo singular?
Seria, no mínimo importante, se as pessoas levassem um pouco de amor na mala, de vez em quando, para o caso de precisar. Levar amor na medida certa, não machuca, não dói, não pesa. Liberta! Levar amor no sorriso, no olhar, no cuidado, nas gentilezas, é engrandecedor. Cura! Levar amor no abraço, no ouvir, no apoiar, só faz um bem danado. Porque o amor se manifesta em toda parte, de muitas formas. O amor é o remédio para muitos conflitos existenciais, para muitas famílias desestruturadas. O amor é o caminho para a liberdade de fato, sentida. Porque o amor verdadeiro não é aprisionador, mas libertador. Não é egoísta, é compreensivo. Não subtrai, soma. Porque amar ainda é a fórmula mais importante para ser feliz nessa curta passagem pela vida.