Vozes
Criaturas sem lugar para ir, vagam ao som de vozes falsas que se propagam no mais profundo abismo da inocência.
A moça olhava para uma das mãos, distraída. Ignorava as vozes, as gargalhadas exageradas, o bater de garfos nos pratos, o arrastar de cadeiras, as buzinas lá fora e todo o resto do mundo. Estava mergulhada em pensamentos, talvez inundada deles, quase se afogando. Estava parada como uma estátua vazia, mas aposto com qualquer um que estava tão cheia e agitada quanto um show de rock. Ela era linda, mas de um jeito triste. Tinha os cabelos da cor do mais puro mel, os braços compridos que terminavam em mãos tão sutis que me faziam imaginar como seria o seu toque, a postura um pouco curvada de quem já sofreu muito e não aguenta mais o peso de tanta descrença e os lábios cerrados em um sorriso duvidoso. De repente virou-se como se tivesse acabado de chegar ao mundo e encarou aquele rapaz com um olhar lânguido que quase implorava que lhe pegasse no colo, lhe cantasse uma canção e lhe pusesse pra dormir. Ele retribui com os olhos de quem promete que vai te ninar pra sempre. A moça simplesmente ignorou e voltou a encarar sua mão, como quem se vê tomada por um desejo que ameaça romper as barreiras do corpo. De súbito, arrancou a bolsa da cadeira, colocou-a sobre o balcão e começou a remexer procurando alguma coisa. Tirou um telefone celular e sua carteira. Digitou um número no celular e hesitou. Apertou o aparelho como quem tenta afastar uma tentação, sem saber que ceder-lhe é a forma mais eficaz de se livrar dela. Parecia tão docemente perturbada! Colocou novamente o aparelho onde lhe trouxe. Fixou os olhos em mim e de uma forma seca pediu:
- Traga-me um café, por favor. Mas puro, sem açúcar, ou leite, ou creme. E que venha em uma xícara bonita.
Mas vejam só! A moça se afundava cada vez mais no amargo do café, para que assim ninguém percebesse a doçura que trazia em seus lábios. E confundia-se com seu próprio pedido, tentando arduamente tornar-se uma pessoa amarga, mas que não conseguiria jamais, exatamente pelo fato de estar pura, com uma aura completamente branca ao seu redor. Levantou-se inquieta. Percebi números em sua mão - Deve ser o número de alguém para quem queria muito telefonar, mas a mágoa impedia. Certamente alguém por quem nutre fortes sentimentos e que talvez esteja longe... não! talvez esteja por perto mas ainda assim longe demais. - e quando voltou do banheiro, não estavam mais lá. Sentou-se. Tomou seu café como quem é obrigado a tomar cicuta. E continuou olhando para a sua mão, distraída numa tristeza suave. Pagou a conta e foi embora carregando o peso do "e se". Certamente não tinha nada pra falar ao telefone, mas tinha ao menos o desejo de ser lembrada ao utilizar essas ondas sonoras pra transmitir uma voz melódica e doce, como o creme que faltou em seu café
Há quem diga que o amor morreu. Todavia não perceberam sua condição. Mas suas vozes já não podem mais falar e serem ouvidas sem que denuncie o próprio desfecho da ilusão quotidiana que chamam de vida.
- Prisão
Agora aqui neste lugar...
Gritam vozes mudas, de tantas vezes ter o mesmo querer...
Surdos de ouvir tantas falsas explicações...
Cegos de tanto ver coisas inexplicáveis...
Mãos ensangüentadas de tanto o querer fugir...
Do querer viver...
Do querer sorrir...
Do querer amar...
Enxarcados de depressão pelas tempestades de chuvas vermelhas...
Envergonhados pelo querer provar o contrário, enquanto aqui a injustiça permance no topo...
Perdidos pelo desespero...por caminhos que já não levam a lugar algum...
Pensamentos obscuros,pela falta de luz de esperança...
Respirações ofegantes,por inexistência do oxigênio da vida...
Corações já partidos, pela enorme falta de amor...
...a inexistência...
Do querer salvar...
Do querer acontecer...
Do querer renascer...
Agora aqui neste lugar...
...que leva até a morte em minutos...
...permanece a falta da cura...a falta da vida...
14/08/2005
Nefasta eloqüência
As vozes que ouço
iludem o meu inesperado,
e desespero com o desprezo que recebo.
São vozes de louca ciência,
de religião inexata.
Vozes de sentenças.
Sou um servo cego e mudo
mas as ouço como luz e verbo
e choro, com tormenta,
sua lógica esmagadora.
Não fujo.
São minhas as vozes
e me humilham
como os homens de pedra,
como a morte que me nega.
Obra registrada na Biblioteca Nacional sob o protocolo
410953-767-113
"PROMESSA"
"Sem querer, ouço ruídos estranhos
São as vozes do meu coração
Elas me dizem que você não passará
Simplesmente, veio pra ficar
Eu, que andava perdido, sem rumo
E, há muito, não acreditava no amor
Até que surgiram você e o seu sorriso
E tudo, de repente, se transformou
Não questione o destino, menina!
Não tenha medo do que pode acontecer
No mínimo, a felicidade baterá à sua porta
Essa é a minha promessa pra você...".
Mais em lavinialins.blogspot.com
DESDE QUE APAREÇAS!!!!
Dou-te asas para voar.
Dou-te vozes para falar.
Dou-te estradas para caminhar.
Dou-te sol para aquecer.
Dou-te lua para brincar.
Dou-te estrelas para brilhar.
Dou-te chuva para molhar.
Dou-te coragem para vencer.
Dou-te vontade para continuar.
Dou-te comida para te alimentar.
Dou-te cama para deitar.
Dou-te carinho para acordar.
Dou-te alegria para sorrir.
Dou-te luz para iluminar.
Dou-te canções para dançar.
Dou-te flores para perfumar.
Desde que, apareças a qualquer hora.
Para me encher de beijos.
Para me dar abraços de desejos.
Para cheirar o meu cangote.
Para me fazer arrepiar.
Para me dizer poesia.
Para me falar de amor.
Para me contar segredos.
Para aplacar os meus medos.
Para me trazer alegria.
Para acalmar minha alma.
Para segurar a minha mão.
Para na minha boca, a tua língua enroscar.
Para o meu ritmo cardíaco disparar.
Para não me deixar desfalecer.
Para me fazer estremecer.
Para me entregar teu corpo em êxtase
E se isso acontecer,
Terei enorme prazer em morrer, em você.
ALMAS
Almas inquietas se deparam
e no silêncio das vozes, se falam,
em tratados secretos se calam.
Almas carentes se sentem
e as suas verdades não mentem,
em cumplicidade se acendem.
Almas doloridas se acham,
e na solidão da noite, se abraçam,
em promessas divinas, se enlaçam.
ouço sua respiração, mesmo quando estou em meio a vozes que não me significam nada.
Procuro seu olhar, quando percebo que já é noite e a solidão vem me assombrar.
Regurgito seu beijo, quando minha boca suplica pela sua.
Clono seu toque, mesmo que seja em pensamentos ,só para aliviar a falta que você me faz.
E você me diz:
louco demais!
entregue demais!
absurdo demais!
ousado demais!
E eu,
sincero demais!
te respondo:
Te amando demais!
das vozes roucas e aprisionadas
emergiu um canto carregando a dor,
carregando as lagrimas ignoradas,
levando consigo toda humilhação,
abrindo uma fenda na noite até então eterna,
clamávamos sobre nossos pés cansados:
Jesus nos salve,
e vem vocês mesmos,
estamos livres!
Vozes na minha mente tentam me tirar do trajeto,
tentam me fazer perder o foco
acontece direto,
Dizem que vão me fazer desistir, vão impor um decreto,
que o negocio é secreto, eu não ficarei quieto.
Antigamente as vozes tiravam das partituras composições capazes de acalorar o mais frio dos corações. Hoje temos um verdadeiro incêndio de partituras ao som de uma chacina de vozes. Ah, se os veteranos soubessem o que os calouros têm feito com a música...
Vozes
Vozes que eu escuto
belas palavras de amor
Versos lindos de alguém
Que um dia tanto me amou
Ainda sou aquele homem
O mesmo que te fez feliz
Ainda que o tempo passe
No amor serei sempre aprendiz
Vozes que me calam
Que me trazem um silêncio
Já nem sei mais o que falo
Só sei que da vontade
De expressar tudo o que penso
Vozes procurando
Um ouvir do coração
Mesmo com esse silêncio
Ainda ouço aquele sim
Mas tenho medo
De um dia ouvir um não.
Sem percebermos a noite fica nublida, derrepente as vozes se tornam ecos, o barulho dos ventos nos assombra.
Mas mesmo assim nada temeremos, Deus esta conosco ! (yn)
Não escute as vozes que dizem que você não vai conseguir, mais as memorize pois um dia você ainda irá sorrir para elas e dizer estou aqui eu consegui.
Celulares pingam sangue em todos os cantos do mundo, enquanto vozes e vidas de muitos são silenciadas por calibres. A tecnologia cobra em vidas inocentes o preço do avanço. Em buracos escuros de minas de exploração na África, a mais de cem metros do chão, é cada vez mais difícil enxergar a luz da esperança, em um ambiente tomado pela escuridão de estupros, escravidão, e guerra.