Verme
Por ver-me alegre e contente,
julga-me o mundo feliz:
nem sempre o coração sente
aquilo que a boca diz...”
Eles dixeron-me ser unha mosca
Fixéronme ás
Patas, antenas
Eles me puxeron no ceo para verme voar
Pero foi directo para o chan
Eles tentaron, tentaron, tentaron
E cada vez máis rápido eu ía
Máis a caída dói
Ata un tempo que eu quedei doente
E esa foi a explicación
A mosca pobre estaba doente, non podía voar
Pero un día chegou unha mosca
El mirou, mirou, mirou
E entón descubriu
Que eu non era unha mosca
Eu non voan porque non é da miña natureza
Moscas malditos que tentan me converter as súas naturezas
Nunca ha entender que eu son só unha conciencia
Vivindo conectado a un corpo mortal, relé
Intentando descubrir o que estou facendo aquí
Por que eu fun expulsado da miña casa
Eu nunca podería ser unha mosca
Porque eu son moi tolo para ser calquera cousa
A miña única meta é crear
O que as palabras non poden expresar
Cree noutra auto
Eu non vou ser unha mosca nin morto
Poden me chamar de tolo, estúpido
Pero o que eu teño a perder?
SEM TEU AMOR
Sem teu amor,
Sou um verme triste e vazio.
Um germe em busca
Do sórdido alimento.
Um protozoário vivo,
No vil pensamento.
Sem teu amor,
Padeço ao relento
E no frio.
Sem teu amor
Sinto a solidão
No arrepio.
A saudade é lagrimas
E um tormento.
De suspiros e gemidos
Do sentimento.
Sem teu amor,
Da desventura não desvio.
Sem teu amor,
Não enxergo e nem desconfio.
Do insano escravo
Do meu descontentamento.
Da inefável malicia
Do fingimento,
Sem teu amor
Meu mundo é sombrio,
E as tristezas
Vagam sem convencimento.
Quer me ver?Me olhe de frente...Pois o caminho que eu ando e tenho andado é tão dificil ,que me impossibilita olhar pra trás...
O homem para bem comparar-se, não passa de um mísero verme deteriorando-se sob o frio e o calor natural.
EFÍGIE
No jardim de uma vasta casa Uma efígie estranha habitava E feito um verme se arrastava Ao relento ou ao vento Seja qual for a estação Chova ou faça sol Sempre lá ela estava Muda... Sentada... E tristonha. Seu olhar perde-se no horizonte De um passado distante Lágrimas instantaneamente Rolam pela sua senil face Falecendo no solo em enlace. Uma sombra sombria Em sua mente percorria E no seu coração já adentrou Depois fora embora Sem olhar pra trás Deixando ser semimorto Extinto de sentimentos Presenteando-a com grande angústia Sugou-lhe a comoção... e a razão Fê-lo prisioneiro da solidão.
SANGUE VERMELHO E SANGUE AZUL: AS CORES DA VIDA
Em algumas ocasiões da vida nossa pele fica vermelha, ou ruborizada. O que logo dizem é que ficamos envergonhados, mas há mecanismos fisiológicos por trás disso. Alguns fatos que levam a ruborização são o calor externo , o esforço físico, a febre ou as emoções.
O primeiro mecanismo que desencadeia o rubor, o calor externo, é percebido nas pessoas que acabaram de sair da sauna. Elas estão vermelhas como tomates, pois ocorreu nelas vasodilatação periférica para evacuar todo o calor absorvido. Ao ser submetido a grandes esforços o corpo produz grande quantidade de calor e tente se livrar deste também por vasodilatação periférica (veja o rosto dos maratonistas ou dos levantadores de peso). A febre induz aquecimento no corpo, que mais uma vez deve eliminar o calor excessivo_ e o faz aumentando o fluxo dos vasos subcutâneos. Então os responsáveis pela cor rosada da face são os vasos dilatados. Mas, ao contrário, quando estes se contraem nós empalidecemos. Emoções como raiva ou vergonha induzem a liberação de sinais neuronais que também dilatam os vasos subcutâneos.
Em determinadas ocasiões os lábios podem ficar azulados. Esse é o mais claro sintoma de frio. No frio intenso os vasos sanguíneos sofrem vasoconstrição a fim de evitar a perda de calor. As artérias quase não forneçam sangue arterial oxigenado aos tecidos periféricos, incluindo aí os lábios e logo estes ficam cheios de sangue rico em gás carbônico, o sangue dita venoso. E portanto os capilares labiais só podem aparentar uma cor azulada.
O vício é um verme que damos residência em nosso interior pela satisfação que ele nos oferece em seu início de moradia, mas que aos poucos vai invadindo outras áreas sem permissão e consumindo vorazmente nossa vida
Queria voar
Nas asas do vento
Sentir na pele
As lágrimas da chuva
Queria ver-me
No espelho do lago
Sentir a brisa
Nas árvores do campo
Afago a dor
No perfume das flores
Tiro a solidão
No céu estrelado
Tu és o meu arco-íris
E eu as suas cores.!
quatro e meia da manhã
(Tradução: Jorge Wanderley)
os barulhos do mundo
com passarinhos vermelhos,
são quatro e meia da
manhã,
são sempre
quatro e meia da manhã,
e eu escuto
meus amigos:
os lixeiros
e os ladrões
e gatos sonhando com
minhocas,
e minhocas sonhando
os ossos
do meu amor,
e eu não posso dormir
e logo vai amanhecer,
os trabalhadores vão se levantar
e eles vão procurar por mim
no estaleiro
e dirão:
“ele tá bêbado de novo”,
mas eu estarei adormecido,
finalmente, no meio das garrafas e
da luz do sol,
toda a escuridão acabada,
os braços abertos como
uma cruz,
os passarinhos vermelhos
voando,
voando,
rosas se abrindo no fumo
e
como algo esfaqueado e
cicatrizando,
como 40 páginas de um romance ruim,
um sorriso bem na
minha cara de idiota.
Nunca essa luz
por ver-me assim tão verme
por desfazer-me
assim neblina,
por conduzir-me sem rima,
mudo acalanto
nina esta ausência
este fazer ruir
nesta desgravidez
neste desencanto,
ausência...