Poemas sobre o vento
O vento soprou mansinho
linda canção de saudade,
o coração em toque baixinho
se recolheu junto à noite que o invade
Vento:
Vem vento, vem vento;
vai soprando,
vendo, assoviando,
cabelos balançando.
Sopra vento, sopra vento;
num tiquinho a toa,
ou na vida,
que num sopro,
voa.
Tão bonito
Te ouvir falar
sobre o vento
Mesmo sendo eu
Quem está
dentro do furacão."
– David Ballot
BENÇÃOS DO SENHOR
.
Se você é daqueles
Que se abala com a dor
Dos que sofrem por aí
Sem cama, sem cobertor.
Passando fome ao relento
Pegando sol, chuva e vento,
Tem as bênçãos do Senhor!
Uma brisa outonal, que por aqui passeia, traz um perfume de saudade do que foi, do que não foi e do que poderia ter sido. Ela deixa também o coração com um gostinho de quero mais, mas nem ele sabe do quê. Apenas a percebemos quando nos envolve em carícias, perpassa os ramos, dança entre as flores e rompe qualquer espaço, fazendo um brinde à poesia dela mesma, pois é a própria.
É a vida acontecendo no crepuscular outono de todos nós. O tempo promete a virada, o calor forte arrefece aos poucos e pela paisagem já sente-se o ar de boas vindas à alguma chuva e frio.
A resposta segue no vento, segue no vento, flutua, gira, vai e volta, faz piruetas.
A resposta nem existe, tudo flui, tudo se transforma, o vento chega e o vento vai. O vento que traz é o mesmo que leva embora. Nossa passagem é como o vento, e nele está a metáfora para as respostas. Elas não existem porque fluem, se transformam em outras e outras e o sentido de tudo é o amor que damos, o amor que sentimos, o bem que fazemos e a nossa breve passagem, tal como o vento, tal como um perfume, que se lança, e que dura o tempo de se sentir.
Adriana Carvalho Adam
25.08.2023
Vento que adentra pela fresta e assovia
Que faz soprar as mais belas sinfonias
Que pode agir com calma na mais pura sutileza
Mas quando fica irado derruba fortalezas
E faz espalhar as brasas da fogueira
È ele que trás, as chuvas passageiras
ENCANTO PELO NATURAL
Pela manhã aquele fenômeno invisível
Tocou minha pele, e quer saber? Foi de uma fineza muito grande.
Tocou meu rosto delicadamente, lançou meus cabelos e o fez dançar.
Por um instante me deparei e viajei
Do quão gratificante é poder senti-lo.
Caminhei mais um pouco e percebi que ele me seguia. Em determinada posição de seu percusso, me embalava, não sei , mas de alguma forma me fazia seguir.
Logo mais tardinha, ele insistiu em voltar.
Veio como quem não queria nada. Já eu, ah,eu queria sim tua passagem sobre mim. Dessa vez a sensação era diferente, as árvores que o digam.
As árvores sem sossego se agitavam,
Pareciam felizes, ou não! Tendo em vista que o galho de uma antiga planta se quebrara. Quanta tristeza daquela natural antiguidade .
Dessa vez veio mais agressivo que o normal. Parecia que traria contigo teu companheiro mais proximo, a chuva! Talvez seria por isso a sua inquietação e felicidade.
Corria numa velocidade um tanto quanto assustadora. Em seu momento de fúria,
ouviam-se zumbidos e tremores das construções antigas, quase se desfazendo.
Por um instante me imaginei sendo ele,
Que apesar de invisível,devastador e medonho, é incrivelmente cobiçado e de uma nobreza rara e indispensável nesse planeta chamado Terra.
As poesias
são vestígios etéreos,
gravadas
nas margens da alma,
onde o silêncio
se dissolve lentamente,
como um rio que sussurra
os seus segredos
ao vento.
Vamos sempre confiar em algo superior a nós ?
Descansar os olhos da alma no azul do céu,
no verde das montanhas, no colorido das flores,
na canção do mar e no murmúrio do vento?
Muito mais há de belo e grátis nessas visões,
são presentes que a vida oferece, vindas de Deus
para acalmar nossos corações.
O vento suave espreita de mansinho
a cada rosto e cada olhar
varre as folhas e flores
chega e abraça a todos sem receio
até passando um carinho
fazendo-nos sentir que outono
também é amor
e apesar de alguns dias cinzas
a vida deve e tem que continuar
balé
o vento no cerrado gosta de bailar...
vai bailando entre os galhos tortos,
e desafinado é o seu trotar.
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Cerrado goiano
No seu perfil
Uma mensagem sutil,
Apenas não sei se era reflexão,
Ou palavras ao vento...
Quando a inspiração sopra um texto,
E você deixa de anotar,
Ele sai a voar
E jamais
Você o alcançará.
<<< O texto dizia >>>
::: Sepultei a poesia :::
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De repente,de mãos dadas,seguimos. Oscabelos ao vento, rostos pintados de luz e sombra, bocas pausadas apenas esperando a hora de um beijo iluminado pelo luar.
Não tenho para ti quotidiano
mais que a polpa seca ou vento grosso,
ter existido e existir ainda,
querer a mais a mola que tu sejas,
saber que te conheço e vai chegar
a mão rasa de lona para amar.
Não tenho braço livre mais que olhar
para ele, e o que faz que tu não queiras.
Tenho um tremido leito em vala aberta,
olhos maduros, cartas e certezas.
Neste comboio longo, surdo e quente,
vou lá ao fundo, marco o Ocupado.
Penso em ti, meu amor, em qualquer lado.
Batem-me à porta e digo que está gente.
Talvez eu seja a expressão que clama o amor mais precioso!
Eu planto o vento e sonho (ainda) com teu amor
Por um momento!
Este amor de eterna espera...
Na transformação o tempo passou...E
Sussurrei palavras de emoção
A tua alma...
Menino!
Amar é para os tolos
Que amam como o vento
Ao bater numa flor
Há num peito um calor
Naquele menino
Um sorriso bonito
Num mundo de dor
Várias almas perdidas
Sofridas,amargas e feridas
A procura de amor
E uma vida com cor
E nessa vida paralela
Aquele menino
Encontra o amor
Vento
Sinto a respiração aliviada da noite
O sussurro do vento e seu timbre aveludado
a falar das vidas, de nortes, do pecado
Enquanto fito um sono digno das fadas
Numa mistura de lençóis brancos e pernas,
Viçosas, fortes, bem torneadas
Arquitetura em carne, osso e cheiro
Morros, montes e vales ocultos
As vezes não, pelo vento
Que revela os cheiros e fragrâncias
De Vênus, das suas, dos seus...
Como sou grato ao olfato e a visão
O tato, paladar e audição
Para que mesmo em obscenos pensamentos,
Possa tocar furtivamente o vento
Cheirar em um sussurro os montes
Degustar o sono das fadas
Ouvir a melodia do desejo ....
Meu
Do vento...
Luciano Calazans. Salvador, Bahia. 17/03/2015