Vácuo
As vezes me sinto assim só... como se não houvesse nada nem ninguém que pudesse preencher esse vácuo, essa dor, doce- amarga- dor que me invade uma solidão perpetua,o anseio de não viver mais assim...um suspiro de dor .
Será a dor do amor?
Mas se há amor não deveria haver dor nem esse vazio tento esquecer minha alma e me entender com outros corpos, mas o vazio me assombra e logo depois me invade me entristece, meu corpo desfalece e minha alma chora ....
Meus pensamentos arrastam-se úmidos pelo vácuo do teu não estar, e meus olhos secos do deserto de ti, tateiam miragens na ilusão de te ouvir !
odair flores
Deixa-me um sinal
pressentido
entre o vácuo e o manto!
ou o mar!
ou o vento!
ou as velas do meu barco
parado algures
no inevitável
porto das esperas...
O ferimento causado por lâmina sangra e cessa,entretanto o causado por palavras ecoa no vácuo do sonho que ali foi morto.
De vácuo em vácuo, a saudade aumenta, o coração aperta. Que aos poucos vai deixando de ter importância.
A mente hesita
Os olhos raiados de breu
O vácuo já habita
Aquela alma que sofreu
Como se pudesse lembrar
Ou pudesse esquecer
Aquele mesmo olhar
Que faz enrijecer
Demônios sob os ombros
Estranhos na cabeça
E em meio aos escombros
Sucumbir até que desvaneça
Nova estrada
Página virada.
Esperança por um fio.
No vácuo um vazio.
Segue meu rio.
Uma força que de mim emana.
Um sol que todo dia surge.
Perder o medo urge.
Um toque tocando o corpo carente.
Um abraço forte e comovente.
Página virada.
Segue-se por uma nova estrada.
É um vácuo de ideias e caos que prorrompe a barreira do pensamento, é perpétuo o momento que se estingue a sensação de se estar pleno, respiramos palavras e sentimentos, guardamos artes de lucidez e imaginações, escutamos Mozart para vivenciar o eterno, excluímos filmes para conservar os livros, e mergulhamos um nos outros pra abrigarmo-nos…
Chegará um dia em que tudo poderá ser rastreado. Até mesmo a matéria que compõe o vácuo. Então, perguntar-se-á: Deus se converteu em homem ou o homem é Deus? Porque até a esse momento Deus era aquele que a tudo via.
#VÁCUO
Tempo...
Sábio ingrato tempo...
Tal qual ladrão furtivo...
Que me rouba sem que eu me perceba...
Minhas idéias...
Minhas imagens...
Minhas palavras...
Meus alentos...
Transforma em cinza minhas saudades...
Os sonhos por mim vividos...
As minhas dores sofridas...
Minhas penas...
Minhas conquistas...
Até elas serão esquecidas...
Assim como amores e desejos...
Sugados ao vácuo...
Preteridos...
O amor mais árduo...
Suprime...
Suas marcas me oprime...
Torna-se pesado...
Tempo que não me ignora...
Transforma as minhas esperas...
Sufoca minhas horas...
Me fustiga...
Traz-me vitórias e derrotas...
Para ti pouco lhe importa...
Será castigo?
Nada terei?
Mais nada?
Nada mais serei?
Nem um pequeno momento?
Relegado ao esquecimento...
Nem mesmo tormentos...
Terei...
Tudo será esquecido...
Até mesmo meus motivos...
Não o compreendo...
E isso deixa-me estarrecido...
Um miserável ontem...
Um ditoso hoje...
Amanhã o que serei?
O tempo em mim já é perdido...
De mim já nem mais falo...
Palavras tornariam-se ecos...
Já não quero mais nada...
Pois tudo nasce e morre...
A cada alvorada...
Tempo...
Tempo...
Meu amante...
Meu algoz...
Esconderá minha alma?
Lentamente...
Lentamente...
Apagando minha voz...
Na escuridão que se avizinha...
Nada mais...
Nada mais serei.
Sandro Paschoal Nogueira
Caminhos de um poeta