Tragédia
PERPLEXIDADE DIANTE DA MORTE
A tragédia do avião da Chapecoense me provoca um sentimento repetitivo: não somos nada.
É trivial.
Um lugar-comum.
Um sentimento devastador: somos poeira.
Lembra uma expressão do próprio futebol para o toque de bola: estava aqui, não está mais.
Quem não se perturba?
Bolhinhas de sabão, estouramos todos os dias.
A vida é uma ilusão compartilhada.
Até que se acaba como um suspiro.
Ficam as lágrimas de quem ainda tem algum tempo por aqui.
Mas quanto?
Perder alguém independente da forma é sempre uma tragédia... Deus esteja com todos que por este mundo passaram e deram alegria...
A tragedia chapecoense foi uma dessas confusas, sinistras, aterrorizantes, bizarras e inaceitáveis ironias da existência: antes de vivenciar a possível grandeza de um titulo inédito no mundo do futebol, o time sagrou-se na morte, mártir glorioso de um voo que nunca aterrissou. Avante à Eternidade, passageiros da agonia.
A tragedia só precisa de uma oportunidade para manifestar.
De fato nós lhe damos muitas oportunidades. A ela, só cabe escolhe a que mais lhe convém.
Entre um gole e outro fica mais fácil transformar a vida turbulenta em pontos de vista e as tragédias românticas em comédia; são nos “porres” que nascem as inspirações mais puras e verdadeiras, pois a sobriedade costuma incapacitar o indivíduo de admitir certos sentimentos.
Talvez seja para evitar alguma grande tristeza,
como em uma tragédia da Restauração o herói clama “Durma!
Ó pois o longo profundo sono e então esqueça!”
que se voa, flutuando por sobre as cidades sem costa,
guinando ascendente da calçada como um pombo
o faz quando um carro buzina ou uma porta bate, a porta
dos sonhos, vida perpetuada em amores coloridos em tons
e belas mentiras todas em línguas diferentes.
A vida é um naufrágio! Nós? Meros sobreviventes dessa tragédia, salvos por algum sorriso "bobo" que nos estendeu a mão na hora certa.
"Vertentes de força e pensamento que deram o nascimento da "A ORIGEM DA TRAGÉDIA", uma oposição entre a alma....(escreveu Nietzsche)