Te Encontrei
Quede-me?
Me buscando te encontrei;
numa bonita manhã de abril...
Eras flor...
E eu te comi!
Me encontrando te cuspi;
numa tarde chovida de maio...
E nunca mais me vi!
☆Haredita Angel
NATAL SECRETO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Anos e anos de procura, e não encontrei a versão do meu natal no meio das cores fartas e sintéticas que saturam as ruas da cidade. Nem mesmo nas cartas de crédito e consumo que chegam à caixa de correspondências de minha casa e me chamam pras lojas enfeitadas por itens e gentes. Ou só por itens, porque afinal, pessoas também são itens no brilho superficial dos shoppings que se enchem de afetos para todos os gostos e poderes aquisitivos.
O natal com que sonho desde criança, e que não casava com os sonhos de outras crianças, nunca veio ao meu encontro. Talvez porque não exista, e porque os sonhos de meninos e adultos alienígenas não podem mesmo se realizar, para que o mundo não seja desarrumado. Jamais me achei, nem ao meu natal disforme, sob as ondas da paz comercial desse amor que se apresenta nos moldes emergenciais da velha data instituída.
Com o tempo, precisei adequar meu egoísmo à normalidade cívica e dogmática do natal que polui os olhos e dentro em pouco poluirá lixeiras, esquinas, encruzilhadas e guetos. Quando a minha esquisitice lamber os restos de abraços, discursos e sorrisos, meus olhos verão pessoas ainda mais esquisitas e carentes revirarem o lixo em busca dos restos gastronômicos do natal. Para essas pessoas, afetos de fim de ano são presentes de outro mundo.
MINHA RIQUEZA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Caminhava para o ponto do ônibus, quando encontrei o Professor Rogério Lopes. Ele saía de uma loja de rações, e carregava nos ombros um saco de trinta quilos. Olhou fixo para mim, pediu que aguardasse um momento e pôs o peso no chão. Feito isto, abriu aquele sorriso largo, me deu um abraço de quebrar os ossos, um beijo no rosto, e disse bem alto:
- Cara! Que alegria ver você! Faz tanto tempo! Ainda bem que sempre o vejo na internet! Leio tudo que você escreve! Não perco nem um texto seu! Obrigado por tantas coisas maravilhosas!
Não conversamos por muito tempo, mas foi um momento especial para mim. Não é todos os dias que nos deparamos na rua, com alguém tão disposto a nos cumprimentar, e com tanta efusividade, alegria sincera e calor humano, mesmo estando com tanta pressa. Também é muito simbólico ver uma pessoa se despojar de seus pesos, desocupar os braços, as mãos e os ombros, para ter o prazer e a liberdade de abraçar um amigo e lhe dizer palavras amáveis.
O Rogério é, de fato, leitor constante de meus textos. A cada vez que publico algo em rede social percebo sua leitura, sua presença, e leio seus comentários ponderados; coerentes; dentro do contexto.
São várias as pessoas que me privilegiam com suas leituras, e às vezes os comentários, mesmo sabedoras de que minhas vindas ao computador são sempre ligeiras e limitadas às postagens e autopromoções como escritor e fotógrafo. Isso resulta poucas retribuições expressas, de minha parte, podendo até me deixar marcado como alguém esnobe ou antipático.
No dia a dia, são muitos os curiosos que me perguntam sobre quanto ganho, em dinheiro, como escritor. Ganho pouco dinheiro. Se não tivesse o meu emprego de arte-educador, pelo qual também não recebo grandes quantias, e alguns trabalhos como fotógrafo de vaidades pessoais e autoestima, passaria por privações com o que angario por escrever, lançar livros e permitir a utilização de meus textos em veículos diversos.
A grande riqueza, riqueza mesmo, que não enche barriga e bolso, como tantos dizem, mas enche minh´alma e meu coração de alegria e desejo de viver, viver muito, para também escrever muito, é tão somente a existência de amigos e leitores sinceros, que me pagam com carinho. Com admiração verdadeira. Com respeito. Com palavras sinceras e a certeza que me fazem ter, de que meus escritos fazem efeito em suas vidas.
O QUE A VIDA ME DEU
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Encontrei meu lugar, é jamais tê-lo
entre a sombra dos anos que se vão,
sob gelo, silêncio e nostalgias
ou saudades de chãos que nem pisei...
É jogar a minh´alma em cada corpo
que prometa o remédio pra carência;
cada forma de olhar na qual me aqueça
ou encontre dormência pro que dói...
Aprendi a me achar, é me perdendo
e me vendo nas linhas de horizontes
onde os mares me chamam sem destino...
Tenho apenas o dom de não saber
o que a vida me deu pra perguntar,
meu lugar é não ter pra onde ir...
A MULHER
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Todo mundo procura o que há muito encontrei;
a mulher cujos olhos vão além das vistas;
que não sei definir, apesar de poeta,
pois excede o poder das palavras buscadas...
Encontrei a mulher que me acolhe aos pedaços,
recompõe o mosaico e depois me relê,
reanima os meus passos pra recaminhar
e me faz merecer o que há tempos me deu...
É alguém que me aceita, mas rejeita em mim
o que só me apequena e se põe contra nós,
cria em nós tantos nós e nos ata pra vida...
A mulher que algum dia perdi pra mim mesmo,
mas me achou novamente quando fui ao fundo
e fiquei tão sem mundo, num mundo sem ela...
Nós poços de petróleo encontrei alguma comida
E como sou inteligente doei para governo, tudo que não podia
Isso nem parece que rima
Mais arte é sempre igual
No melodia fenomenal
A poesia, que vivemos
É a mesma que queremos
A melancólica que teremos
Será a mesma que não temos?
Sou realista, por desejo
Sou apaixonado, por instinto
Meu coração não é brinquedo
O meu invasão de desprezo
As minhas irmãs rimam como vão
As flores são consentimento mesmo
As cores são azuis cor de mar
E água não tende acabar
E o mundo não irá fazer o que quiseres
Pois o dia amanhece, e eu não quero
Que acabe tão rápido assim
Pois tempo não tem fim
O infinito é um íntimo de alguém
As coisas boas são de quem
E as poesias
Não são tão mesquinhas
Como um tempo atrás
É um tempo que atrasa a alma
E desperdício é seu sinônimo
Não sou mais anônimo
Suficiente pra ter
O que sempre quis ver
O que não tenho
Rimo entre poesias
Não entre, mentiras.
O tempo é infinito, você não.
Rimo entre tantos planos então.
Este é um fim, do final?
Então, afinal!
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Ficou bem interessante! Se precisar de mais alguma coisa, estou à disposição.
Parei pra pensar
Pensei sem parar
De jeito algum encontrei
Uma maneira de explicar...
Essa alegria que me invade
Essa dor que me consome
O dia que já entardece
A noite que seu véu desce
Esse momento de intimidade
Essa doce e breve vontade...
Compor nunca foi o meu ponto forte!
Aliás,
Eu nunca gostei disso,
Mas quando eu encontrei você,
Me encontrei entre os versos e poesias.
Lendo o mundo, nos caminhares da vida, encontrei a palavra perfeita. Aquela que completa todas as outras e dá sentido a minha leitura. Ler agora é uma questão de necessidade, não de ler o mundo ou viver a vida, mas para ver e sentir essa palavra.
Seja uma mulher tão phoda até você ouvir.
Nunca encontrei encontrei uma mulher como você...volta pra mim?
Daí você olha e fala educadamente: obg eu já sabia disso... Bye bye!
Tentei remover todas as pedras do nosso caminho, mas ao longo dele muitos cascalhos encontrei, então parei, e ao meu coração perguntei: eu jogo a toalha e continuo nessa batalha? E em ritmo acelerado respondeu: jogue a toalha e continue a sua caminhada para ficar livre desse amor que só lhe causou dor. E assim, vou... ficar livre dessa dor!
Eis que voltei! À cidade, que sempre amei.
A Coimbra, onde também, no passado, o amor, encontrei.
Vim à cidade, onde estudar, não o fiz,
Porque Deus, assim não o quis.
Tanto desejei, Coimbra da universidade,
Mas não fui lá estudar, em verdade.
No passado, só encontrei, lá o amor.
Mas também, logo acabou, esse de Camões ardor.
Mas voltei a ti meu amor, à universidade hospital;
Tu minha cidade, do Mondego e do Sobral.
Onde Isabel, pão aos pobres, deu sem medo…
O rei enfrentou, porque teus filhos amou.
Também, oh Coimbra! De nada, tenho medo.
Mesmo doente! Porquanto, em ti, estou!
Em um jornal evangélico, com mais de um milhão e meio de tiragens, encontrei apenas um versículo bíblico sobre a volta de Cristo e o resto é sobre o comércio.