Talvez
ventania
talvez a gente se esbarre
numa destas confusões do sentimento
onde o tempo no tempo nos agarre
nas lembranças, e nos carregue no pensamento...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Cerrado goiano
Assombro de metrô
Ainda que o assombro me cause
nas vezes em meio a multidão
eu talvez do conforto abuse,
se não dependo desta condução!
Aos milhões diariamente vai cheio,
se empurra na muvuca de sempre
desta falta de educação receio...
com bolsa ou algo que eu compre,
se em meio a multidão vá furtivo
neste meio sem nenhuma condição
haja visto um ladrão e seu motivo...
que Deus me livre o pensamento
se houver por acaso um arrastão!
Cruz e credo! Deus dê o livramento!
Não sou um grande escritor, nem um grande poeta, talvez, não tenha as palavras e as risadas nas horas certas, mas celebro cada manuseio de caneta e papel quando escrevo sobre você. Somente nesse momento tenho absoluta certeza que estou fazendo a coisa certa.
Sinto-me inchada sem saber porque, talvez fosse a idade chegando, talvez fosse a retenção líquida, talvez fosse a falta de dormir ou simplesmente uma sensação sem nenhuma razão, apenas por que minha calça de quando eu tinha vinte e poucos anos não me serve mais e tenho que jogá - la as traças neste novo jeito de desapegar das coisas velhas, então vou me desapegar de ti.
A vida não tem fórmulas prontas, por isso dê o seu melhor por onde passar, talvez você precise voltar (CLARIANO DA SILVA, 2019).
A UM TRISTE (soneto)
O meu destino é talvez a do azar
Jurando as venturas... de maneira
Que com o acaso se possa sonhar.
Vidas de má sorte várias, herdeira!
Outros êxitos talvez já pude gastar
Fui, um aventureiro na tranqueira
Do fado. E infausto agora a chorar
Ou pesado no sortilégio, na beira...
É brado num temor sem tamanho
Num luto da felicidade: permitidos
Mártir na dor, um desígnio estranho
Por isso, lamento aflição e pranto
Sentimentos dos heróis vencidos.
E com a alma cartada no recanto...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Outubro, 2018
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
Talvez tenhamos que refazer
dia após dia nossas trajetórias,
mas; obrigatoriamente fazermos resumo do percurso feito...
UM AMOR (soneto)
Foste o amor maior de minha existência,
ou talvez o danado... o pior ou o gentio,
glória e tormento, a escuridão e luzidio,
contigo fui poesia sem uma reverência!
Morreste, e a minha solidão é residência :
ardes-me o suspiro, enches-me de vazio,
e o meu anseio tem gosto de doce arrepio,
e rolo-te no pensamento com insistência.
Amor extremo, árvore de insano fruto,
foi o tempo, muito mais que só instante
por que, feito, eu não vesti o teu luto.
Sinto-me o beijo, e no abraço te escuto,
triste olhar rútilo! e desejo tão delirante,
na ferida saudade deste amor irresoluto.
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
30 de janeiro, 2019
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
Quem diria, aqui estou, me enchendo de veneno e pintando o meu céu de vermelho. Talvez não seja um conto de fadas, e nem tenha final feliz.
Talvez eu não consiga quanto amo
ou amei teu ser dizer, talvez
como num mar que tu não vês
o meu corpo submerso seja o ramo
final que estendo já não sei a quem
Há dias em que em ti talvez não pense
a morte mata um pouco a memória dos vivos
é todavia claro e fotográfico o teu rosto
caído não na terra mas no fogo
e se houver dia em que não pense em ti
estarei contigo dentro do vazio
Talvez a transição entre a vida e a morte seja gradativa, ou seja, morremos sem perceber. Nos afastamos dos amigos, da família, do companheiro(a), saimos do emprego, de casa, da cidade, paramos de nos alimentar direito, de beber água, de sorrir... De repente olha-se em volta, nada mais é sentido, tem ou faz sentido, ninguém mais nos nota e então percebemos que fomos preparados para o fim e já estamos, há algum tempo, vivendo em outra dimensão.
O fascínio da arte abstrata resida talvez nessa capacidade que ela tem de provocar em quem a observa uma experiência estética sem o controle e a segurança do figurativo. Ver o que não pode ser interpretado e, ainda assim, permitir-se a uma relação de entendimento com objeto apreciado é, de muitos modos, libertador.
Talvez eu esteja chapado ou queira ficar,Descontar a frustração no álcool e sucumbir com tal,Iluminado seja o meu amanhecer,A tempos não o vejo.A tempos eu não me vejo preocupando-me com dores cotidianas ,totalmente distintas das vividas por mim,Dores que adquiri durante a vida.Uma dor no peito e um medo na alma,Tenho que amar mais ,porém o amor não me ama mais.
Talvez não saibamos que nossa energia sexual e direcionada a um objeto único e que isso implica maturidade.
o que sou eu?
talvez um livro antigo fino mas cheio de significado
sem justificativa pelas plavras,só sentimento abstrato
algo que demonstra o que eu sinto e todos meus estorvos
isso só faz sentido pra mim
e acontece que foi tao vão quanto esse´´poema´´
mas juro que Deus
eu não sei mais como reagir
já me perdi nos meus caminhos e não sinto Sua mão
não quero ser um obstáculo muito menos infeliz
quero brisa leve e amor verdadeiro
busco isso o dia inteiro
alguém na terra que me acompanhe e me faça feliz
mas por enquanto eu danço conforme a música toca...
Dar ouvidos a intuição e construir suas ações de dentro para fora talvez seja a chave da transformação.