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A DIFERENÇA
A diferença entre um poeta e um louco é que o poeta
sabe que é louco... Porque a poesia é uma loucura lúcida.
Continuo lúcida o suficiente para compreender que, apesar de ser minha salvação, o remédio também será minha morte, de uma forma ou de outra.
A hora é agora. Não é tarde demais para você. Enquanto tiver o corpo firme e a mente lúcida, faça tudo que sempre quis.
No dia seguinte fui trabalhar, pegava o mesmo ônibus todos os dias, com o mesmo motorista e o mesmo cobrador, quando fui dar o dinheiro da passagem para o cobrador, ele me elogiou, o elogio veio porque o esmalte vermelho combinava comigo, naquele momento aprendi que os elogios salvam, transformam a nossa vida, e mais uma vez me calei, agradeci ao cobrador, sentei no banco e fiquei refletindo sobre a minha vida e sobre aquele elogio, e a partir daquele momento tomei a decisão mais importante da minha vida, a separação.
Depois de tantos anos, ainda revivo o meu filho do meio no meu colo, bebê, mamando aquele chá, me olhando com aqueles olhos tão inocentes e azuis, ás vezes paro no tempo e sinto saudades desses momentos, ele era tão pequeno e frágil, aqueles olhos me davam força.
As dores:
A dor é algo natural, todos sentem dores, sejam dores no corpo, na mente ou na alma.
Já senti todo o tipo de dor, dor de parto normal, dor de rim, dor de vesícula, dor no nervo ciático (a pior de todos), dor ao bater o dedão na quina de qualquer objeto, dor de ter caído de bicicleta, dores banais, cotidianas, mas a pior dor que o ser humano pode sentir é a dor da alma, não existe dor pior, porque não tem dia, hora ou data para acabar, você sabe que uma hora aquela dor terrível vai acabar, mas quando? Os dias, os meses, as horas e os minutos passam e aquela dor está ali te mastigando inteira por dentro, e você não pode fazer nada, a não ser gritar ou chorar, até que em uma noite chorei, mas chorei tanto de soluçar, chorei que nem um bebê quando acaba de nascer, acho que fiquei mais de uma hora chorando sem parar, e com o choro vinha os gritos.
O engraçado que depois daquela noite eu nunca mais senti essa dor da alma, aquela dor, aquele choro e aquele grito de uma certa forma me fez forte, tem coisas ruins que acontecem na vida que naquele momento não entendemos o motivo, mas conforme os anos vão passando, você compreende que tinha que passar por tal situação e sentir a tal dor, porque não importa o tempo, a resposta sempre chega quando você menos espera.
Também existe a dor da mágoa, aquela ferida cicatrizada, que quando é cutucada volta a sangrar e a doer, tenho muitas feridas cicatrizadas, tento não as cutucar, mas quando cutuco acabo me derretendo em choro, ai você faz um monte de perguntas para o seu inconsciente, mas no lugar da resposta sempre será o silêncio.
No meio das dores, tem a dor da perda, a perda de alguém que você ama muito, a perda do seu eu para os problemas da vida, a perda do que você significa e o que a vida significa para você. Dores são dores, e elas existem de todas as formas, e acabam nos ensinando, as dores e a tristeza nos amadurece.
Os anos foram se passando e o Sérgio se envolveu sério com outra pessoa, e essa pessoa fazia bem para ele, e com muita dor na alma aprendi que quem ama também deixa o outro ir, você não é egoísta, você só quer ver a pessoa bem e feliz, acho que amar é isso, o outro ter a liberdade de ir ou ficar, o Sérgio preferiu ir.
O silêncio faz isso com a gente, nos trás reflexões e respostas, nos ajuda a enxergar coisas e momentos que antes não prestávamos atenção, posso afirmar que o silêncio tem um certo poder de coerência, nos ensina a mergulhar em nós e a evoluir.
Foi com o silêncio que aprendi a ficar calada, a não me estressar à toa, e ignorar pessoas e momentos, porque o silencio nos mostra que o tempo passa e tudo tem o seu tempo.
Com o silêncio penso e reflito muito, e às vezes não chego a nenhum resultado, às vezes o silêncio cansa.
O silêncio também me ajudou a descobrir que existem momentos que o silêncio não é tão bom assim, como uma casa cheia de crianças e brinquedos espalhados, gritaria, gargalhadas, brigas entre irmãos, e de repente, tudo aquilo some e evapora em um piscar de olhos.
Sou louca? Depende, cada um tem uma forma peculiar de considerar o que é ser doido, para a maioria sou louca, mas sou uma pessoa normal, com sonhos, vontades e desejos, talvez a parte dos desejos seja a minha perdição ou salvação.
O desafio nunca foi estar nesta ou naquela dimensão, mas sim estar acordado e com capacidade de interação lúcida.
Lúcida dualidade
Entre questões levantadas e o que era prioridade, faltou-me decisão,
Deixei para trás o necessário, me esforcei por aquilo que era em vão, faltou-me sabedoria,
De que adianta aproveitar o melhor dos nossos momentos juntos sabendo que amanhã viverei apenas do seu espectro,
Arriscarei sofrer sozinho, arriscarei viver do engano, assim talvez eu encontre a paz,
O benefício do adeus é a unica condição que te dou para irdes embora sem cerimônias, sem olhardes para trás.