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O que Lacan chama de um sujeito petrificado pelo significante é um sujeito que não faz quaisquer perguntas. A definição mais simples de um sujeito petrificado é a daquele que não se questiona sobre si mesmo. Ele vive e age, mas não pensa sobre si.
Um ato é ligado a determinação do começo, e muito especialmente, ali onde há a necessidade de fazer um, precisamente porque não existe.
Assim, longe de a loucura ser um fato contingente das fragilidades de seu organismo, ela é a virtualidade permanente de uma falha aberta em sua essência.
Longe de ser para a liberdade 'um insulto', ela é sua mais fiel companheira, e acompanha seu movimento como uma sombra.
E o ser do homem não apenas não pode ser compreendido sem a loucura,como não seria o ser do homem se não trouxesse em si a loucura como limite de sua liberdade.
O amor é impotente, ainda que seja recíproco, porque ele ignora que é apenas o desejo de ser Um, o que nos conduz ao impossível de estabelecer a relação dos... A relação dos quem? – dos sexos.
Um poeta, um filósofo e um psicanalista.
O poeta diz: "Ah! Que virtude o amor.
O filósofo diz: "O amor só se exprime na virtude".
O psicanalista diz: "próxima sessão, sábado pela manhã, depois da ressaca. Quero entendê-los no processo intermédiario entre a embriaguez e a lucidez".
Apresento a vocês os melhores votos para o ano novo, como se costuma dizer. Por que "novo"? Ele é como a lua, entretanto, quando termina recomeça. E esse ponto de término e de recomeço, talvez pudéssemos colocá-lo em qualquer ponto, a diferança da lua, que foi feita, como todos sabem e como uma locução familiar o recorda, à intenção de não importa quem. E há um momento no qual a lua desaparece, razão para declará-la "nova" depois. Mas quanto ao ano, e para muitas outras coisas e, em geral, o que chamamos de "real", ele não tem um começo estabelecido. Entretanto, é necessário que ele tenha um, a partir do momento em que foi denominado "ano", em razão da demarcação significante do que, para uma parte desse real, definimos como ciclo. É um ciclo não completamente exato, como todos os ciclos no real. Mas, a partir do momento em que o apreendemos como ciclo, há um significante que não cola interiramente com o real. Nós o corrigimos falando, por exemplo, de ano grande a propósito de uma coisinha que varia de ano em ano até fazer vinte e oito mil anos. Em suma, se recicla. E então, o começo do ano, por exemplo, onde colocá-lo? E aí que está o ato. [...] Um ato é ligado a determinação do começo, e muito especialmente, ali onde há a necessidade de fazer um, precisamente porque não existe.
Joyce, acho mesmo que não seja legível – não é certamente traduzível em chinês. O que é que se passa em Joyce? O significante vem rechear o significado. É pelo fato dos significantes se embutirem, se comporem, se engavetarem, – leiam Finnegan's Wake – que se produz algo que, como significado, pode parecer enigmático, mas que é mesmo o que há de mais próximo daquilo que nós analistas, graças ao discurso analítico, temos de ler – o lapso.
Sopre suas cinzas, recolha os próprios fragmentos, e recomece, quantas vezes forem necessárias para cumprir a sua missão.
Após um grande vendaval, é preciso ter a dignidade de recuperar o fôlego e se reerguer à altura necessária para enfrentar suas próprias limitações.
As coisas que você esconde de si mesma/o não somem. Elas encontram um lugar escuro e silencioso para morar. Mas, volta e meia, emergem, só para te lembrar que seguem ali, te acompanhando dia a dia...
... As palavras podem suscitar todas as emoções; pasmo, terror, nostalgia, pesar... As palavras podem desmoralizar uma pessoa até a apatia ou espicaçá-la até o deleite, podem exaltá-la a extremos de experiência espiritual e estética. As palavras têm um poder assustador.
Quando se convive com alguém por muito tempo, há uma tendência a igualá-la ao nosso tamanho, pois nossa lente torna-se paulatinamente manchada pela intimidade e pelo conhecimento mútuo. O afeto traz à tona os conteúdos do inconsciente, ofuscando até a luz mais intensa; medimos o outro pela nossa óptica, e não pela óptica do outro. [...] O espelho nos remete ao Outro, por definição, sempre assimétrico e incompleto. O corte do estádio do espelho nos direciona ao desejo de uma posição significante na lógica do ser ou ter, defronte ao reflexo do reflexo. Nunca alcançamos o Real, "tornamo-nos, ou acreditamos na busca". E, assim, o impossível nos angustia, ou se direciona à lógica fantasma projetada sempre a outrem, julgada inconscientemente "mais ser" do que eu.
Bem-aventurados sois vós, neuróticos, que acolhestes vossos sintomas como pactos de conciliação e fontes de gratificação parcial