Sertão
Festa do trovão.
Começa o dia no chão
arando a terra sagrada
colhendo da plantação
o sustento da filharada
quem vive pelo sertão
não pode ouvir um trovão
que faz uma festa arretada.
Minha terra.
Não sou rico, não sou pobre
sou mais um agricultor
que na vida se descobre
que na terra tem amor
nela o que planto é nobre
e o que nasce tem valor.
Semente.
Sou nordestino, brasileiro
sou da água dependente
vivo a luz do candieiro
numa terra tão carente
não tem planta no canteiro
porque não brota a semente.
Um trovão.
Se eu ouvisse um trovão
pelo menos como aviso
pra que esse pobre coração
traga de volta o seu sorriso
e novamente ver o sertão
se tornar um paraíso.
Sofrida.
O que veio da colheita
deixou minha mãe sofrida
mas com pouco se ajeita
pra fazer nossa comida
e a esperança é a receita
que alimenta nossa vida.
Verde.
As lágrimas estão molhando
a raiz da plantação
o verde está brotando
das entranhas deste chão
e a esperança semeando
dentro de cada coração.
Renascer verde.
Quando o meu Senhor ordena
que a chuva caia em cima
dessa seca que condena
o sertanejo se anima
quando o verde entra em cena
se transforma em obra prima.
Renovação.
A chuva já está aparecendo
também floriu no meu roçado
pouco mais estarei colhendo
tudo aqui que foi plantado
e o sertão está renascendo
com o espírito renovado.
Segue a vida!!!
A terra as vezes crua
sem água no vilarejo
a seca ainda continua
sem vencer nosso desejo
e toda origem se perpetua
na vida do sertanejo.
Falta!!!
É preciso fazer uma ressalta
porque não temos atenção
a temperatura aqui é alta
maltrata a plantação
não é só a chuva que falta
falta saúde e educação.
A sertaneja.
A chuva que se deseja
por aqui anda pequena
mas a oração na igreja
permanece firme e serena
assim é a vida da sertaneja
é dura, mas... vale a pena.
Meu cantinho.
Não preciso de mansão
nem de lugar badalado
não quero ter um milhão
me contento com trocado
basta um pedacinho de chão
e a patroa do meu lado.
Minha terra.
Ouço o canto do azulão
transmitindo confiança
o meu pedacinho de chão
não sai da minha lembrança
das manhãs do meu sertão
que plantei tanta esperança.
Vida no campo.
Isso que é vida decente
o que eu chamo de riqueza
quando Deus está presente
ser feliz é uma certeza
perto do amor da gente
no coração da natureza.
Aconchego.
Uma casa arborizada
um olhar e um balanço
o cheirinho da namorada
um abraço e um avanço
uma rede bem armada
um sorriso e um descanso.
A terra seca
O vento que não sopra
os pássaros que não cantam
o sol que estremece as árvores;
Secas.
Maria na janela.
o sol queimando o vento
o vento que não sopra
o sol queimando Maria na janela
o bem-te-vi que não canta
Soalheira e silencio
Ar morto e viscoso
o céu sem nuvens
janela sem Maria
Um fim de janeiro, nos confins do sertão.
Sem água.
Essa é a imagem que vejo
não há nada que me iluda
só destrói nosso desejo
já virou Deus nos acuda
mas que pena o sertanejo
sofrer assim sem ter ajuda.
Eu sou.
Sou nordeste brasileiro
em cada palmo deste chão
sou a luz do candeeiro
que ilumina o coração
sou o sangue do vaqueiro
derramado no sertão.
Isso é Brasil.
O nosso dinheiro sumiu
há tempo ninguém recebe
isso é a cara Brasil
não se come e não bebe
o meu prato está vazio
e o governo não percebe.
Povo do interior.
Por aqui não tem maldade
povo humilde sim senhor
que sente felicidade
até quando faz um favor
como é bom a tranquilidade
que existe no interior.