Rio
É pra lá que eu vou...
Onde o por do sol é mágico
Onde o rio chora letárgico
Onde pescar é distração
Onde bater papo é diversão...
É pra lá que eu vou...
mel - ((*_*))
Rio Doce / Princesa Isabel (Sem estética)
Diante tanta formosura
Quase fui atropelado,
Abestalhei-me com o Palácio
Enquanto atravessava a rua;
Tive que voltar pra casa
Quando a noite se anunciou,
Dei com a mão, driblei camelô,
Subi, paguei, fui numa lata
No caminho da regressão
Passei pelo o cais Santa Rita,
Ali, faltava era gente bonita
E um tanto de organização;
Quase esquecia! Um pouco antes
Passou o Forte das Cinco Pontas
E uma curva que deixava tonta
A cabeça de qualquer pensante;
Em um retorno meio horizontal,
Eu vi o Capibaribe e o antigo
Confesso que um pouco aflito
Por me despedir do cartão-postal;
Passei pela Cabugá
Em um dia de sorte
O acelerador ia tão forte,
Nem semáforo podia parar;
Após deixar o Espaço Ciência
Varie o varadouro numa curva,
Entrei em Olinda debaixo de chuva,
Tinha a mesma alegria e essência
Achei que tinha vindo me encantar
A chuva escorrendo seu corpo gelado
Descendo no embaraço da janela ao lado,
Mas por causa dela, não vi a orla passar
Entristecido, resolvi me entregar a chuvarada
Quando puxei a corda que me fazia zarpar
Percebi o que o destino queria me mostrar
De uma forma simples e bem clara
Que tarde ou cedo, a tempestade se vai
Que é só o vidro que fica molhado
Cabe acreditar que do outro lado
Está a paz, onde só o descaso cai
Pensei, segui invertendo
Voltei pela a praia a pé,
Devagarinho subi a sé,
E lá, descansei sereno.
RIO DA VIDA!
Nos olhos nascem afluentes
de um coração transbordado
na alma segue a corrente
de um sonho que foi ilhado
e no rio do meu presente
correm as águas do passado.
Sem falar das manchetes,
a cada meia hora
Cabral escraviza índios,
nossa tribo colabora
Rio pra Pan,
Olimpíada e Copa?
Cadê o Rio para o Carioca?
Prece de um Mineiro no Rio
Espírito de Minas, me visita,
e sobre a confusão desta cidade
onde voz e buzina se confundem,
lança teu claro raio ordenador.
Conserva em mim ao menos a metade
do que fui na nascença e a vida esgarça:
não quero ser um móvel num imóvel,
quero firme e discreto o meu amor,
meu gesto seja sempre natural,
mesmo brusco ou pesado, e só me punja
a saudade da pátria imaginária.
Essa mesma, não muito. Balançando
entre o real e o irreal, quero viver
como é de tua essência e nos segredas,
capaz de dedicar-me em corpo e alma,
sem apego servil ainda o mais brando.
Por vezes, emudeces. Não te sinto
a soprar da azulada serrania
onde galopam sombras e memórias
de gente que, de humilde, era orgulhosa
e fazia da crosta mineral
um solo humano em seu despojamento.
Outras vezes te invocam, mas negando-te,
como se colhe e se espezinha a rosa.
Os que zombam de ti não te conhecem
na força com que, esquivo, te retrais
e mais límpido quedas, como ausente,
quanto mais te penetra a realidade.
Desprendido de imagens que se rompem
a um capricho dos deuses, tu regressas
ao que, fora do tempo, é tempo infindo,
no secreto semblante da verdade.
Espírito mineiro, circunspecto
talvez, mas encerrando uma partícula
de fogo embriagador, que lavra súbito,
e, se cabe, a ser doido nos inclinas:
não me fujas no Rio de Janeiro,
como a nuvem se afasta e a ave se alonga,
mas abre um portulano ante meus olhos
que a teu profundo mar conduza, Minas,
Minas além do som, Minas Gerais.
***
Amém.
Na beira do rio
Já não estou tão inteira
Pra subir esta ladeira
Que antes toda faceira
Fazia isto na brincadeira...
Hoje o entardecer é bucólico
O nhambu chora melancólico
Às margens do rio que já foi histórico
De pescador todo eufórico...
Este corredor de chão batido
Outrora todo florido
Anda tão duro e ressequido
Chora baixinho e sentido
Por falta de chuva acometido...
mel - ((*_*))
Imagine o início da jornada
a nascente de um rio
a ponta de um fio
o quilometro zero de uma Estrada
a porta de entrada de uma vida
como fundo musical
uma canção que a gente gostava
mas que já foi esquecida
e a viagem se inicia
com o choro contido
o dinheiro contado
e a canção que queria ouvir
não foi cantada
nem todo dia havia Sol
mas toda chuva terminava
a cada dia uma surpresa
quando a curva desdobrava
dias lerdos, dias lentos
havia boa companhia
em quase todos os momentos
à noite a gente descansava
depois de algum tempo na estrada
todo dia a gente ria
e realmente a gente estava certo
quando achava
que a viagem finalmente terminava
quando a nave flutuava
triunfante e reluzente
sobre um caudaloso
rio de lava
Novas páginas...
O rio,
continua passando silencioso,
mas vai conquistando mais espaço
a cada chuva que faz transbordar
além da água, lembranças, emoções.
De ambos os lados,
moravam etapas de muitas vidas
contando uma bela história,
mas hoje, sem memória,
são fragmentos despercebidos.
Não, não fiquei por lá,
eu também fui embora,
peguei a vontade de mudar
e fui escrever novas páginas,
em outro lugar.
Era só um passado
que estava encostado
com preguiça de partir.
Dessa forma,
deixei que o tempo
também esquecesse
o que teve seu momento,
mas sem demora
que se encarregasse de decifrar
aquele morrer dos dias
que na agonia do passar da horas,
parecia nunca ter fim.
by/erotildes vittoria
Foto: margens do Rio Grande - MG em 01/08/14
Gostaria que este rio
agonizante
Antes cheio de barcos
deslizantes
Sorrisse suas águas
espumantes
E mostrasse seus peixes
abundantes...
Hoje suas margens de nudez
secante
Mostram um flagelo
humilhante
De águas dantes
navegantes
E afluentes de forças minguantes...
mel - ((*_*))
'TEMPO...'
No alto, casa de taipa, coberta de palha e uma paisagem deslumbrante à frente. O rio era enorme e provocava admiração. As casas eram próximas uma das outras. O acesso dava-se por uma trilha, onde, na escuridão, dificilmente se saía dele. Nas noites de lua cheia, sempre nos reuníamos, sentados à frente da casa para ovacionar àquele retrato real. Sentados em 'banquinhos', ficávamos a cantar em coro com a ajuda de um velho violão empoeirado. Nas tardes frias e cinzentas, gostávamos do frescor dos ventos. Eles falavam uma língua que só agora, depois de muitos anos, entendemos.
A vida simples do interior, marcaram nossas vidas. Muitos tiveram sua primeira paixão. O primeiro beijo no escuro. A primeira namoradinha. Eu sempre ficara vislumbrado quando via a mulher dos meus sonhos passando. Divina como sempre, esbanjava sensualidade no andar e sorriso. O amor sempre chega prematuro. Eu a amava. Era a dona das minhas direções e dos meus sonhos. Sempre escrevera poemas líricos em pedaços de papéis e imaginava filhos, muitos filhos.
Por essas e outras muitas razões, sempre digo que sou inimigo do tempo. Ele enterra tantas lembranças. Ora por vezes atormenta. Cura uma ferida e deixa tantas abertas. A vida se vai com ele e quando percebemos, ele nos diz que já estamos caído, trancafiados. Ele escreve ferozmente sua própria linha. E nos leva, não importa para onde, seja para as mais altas nuvens ou para a lama que atormenta. Quem somos? Para onde vamos? O tempo, rodeado de desamparo, nos falará ao ouvido.
A vida é igual a um rio .Se fizermos besteira ,ele suja e mata os peixinhos .Se deixamos conservada ,fica de boa :)
Bairro Cidade Nova
As margens do Rio Itajaí Mirim
Nas matas uma clareira foi aberta
Surgiu o bairro Cidade Nova
Uma exuberante descoberta
Famílias vieram de longe um lar aqui acharam
Neste ambiente paterno acolhedor
Laboriosa colmeia então formaram
E teceram um folclore multicolor
Igualdade de povo e de raças
Esperança do futuro nasceu
Respeitando credos e culturas
Foi assim que nosso bairro cresceu
Tuas escolas são templos
Abençoados por Deus
As professoras são exemplos
A segunda mãe dos filhos teus
Seu povo fiel dedicado
Sempre pronto com grande afeição
Acreditar nas nossas crianças
Que é o futuro da nossa nação
Se grandeza tens no passado
Cidade Nova é teu nome atual
Pelo grande valor dos teus filhos
Pelo brilho do teu ideal
Cidade Nova abre os braços e me abraça
É meu berço presente futuro
Teu passado é marcado na história
És meu lar o meu porto seguro
Salve bairro Cidade Nova
Teus filhos jamais esquecem de ti
É a luz que ilumina noite e dia
Este grande bairro de Itajaí
Virulência.
Coisas de rio.
O Amazonas prossegue.
E vai...
Assim passando
por nossas almas fugidias.
Por nossa carne morna.
Vontades de Rio:
corredeiras!
A passos largos oiço ao longe um murmúrio
talvez sejam as águas que correm do rio
ou simplesmente o vento a assobiar
uma canção talvez, não consigo entender
É ao ver um castelo, na luz de um pirilampo
Trazem-me um pouco das sombras serenas
de labirintos na penumbra da minha memória
ofuscando os sentidos alucinantes
sem direção, sem palavras, de ausência
oiço ao perto o murmúrio do rio, no silêncio
do nosso encontro, caminho sem rumo,
das esquecidas e murmuradas palavras que
eu não entendo, os meus passos persistem
neste caminhar cansada e incrédula, onde sinto
o cheiro, o aroma da terra verde, o musgo
nas suas margens, uma saudade que persiste
na escuridão de um segredo guardado
numa tarde de inverno, oiço o murmúrio
de dor, de saudade, de amor sentidos e esquecidos.!!