Religiosidade
SOBRE A RELIGIOSIDADE DO BAIRRO COPACABANA EM BELO HORIZONTE, MINAS GERAIS...
E eu que não tenho religião
[...] Parei para observar a procissão que tomou conta de minha rua ontem e por todos os lados que olhava, via pessoas com velas acesas às mãos cantando uma canção em tom de ladainha, capaz de inquietar qualquer um. Repetiam sempre com muito entusiasmo um refrão melodioso, acompanhado sempre pelo som de um violão extremamente afinado seguiam rua acima, passo a passo, verso a verso incessantemente.
Feito quando era criança, fui transportado à varanda de minha casa e convidado a ser expectador daquele evento. Maravilhado em ver tanta gente agindo em cooperação, tive a sensação de estar novamente em comunidade. Com o movimento de tanta gente junta todas as casas do entorno, postes de luz, asfalto e concreto sumiram. Tudo parecia como antes, intocado!
O mato alto nos lotes vagos, o caminho escuro de terra vermelha e argila cintilante, o barro na sola dos sapatos dos adultos, o vento, as minas d'água por todo o percurso, os sapos coaxando, os vaga-lumes brilhando no céu à frente de todos, o cri-cri... dos muitos grilos existentes, o cheiro de Dama da Noite, o incômodo do pinga-pinga da parafina das velas derretendo e queimando os dedos, o medo à véspera da sexta-feira da paixão.E até mesmo o velho campinho onde aconteciam as barraquinhas e feiras do bairro estava lá. Tudo parecia exatamente como antes.
Quis seguir o cortejo e cantar com eles suas cantigas celebrando a alegria de estar em comunidade novamente, por alguns instantes esqueci, inclusive, que eu não era católico e que havia optado há muito tempo atrás por não ter mais religião, optado por ser sem religião. E devido a essa minha decisão anterior, não conseguia compreender aquela minha aflição emotiva; não fazia muito sentido para mim estar tão tocado com tal acontecimento. Talvez fosse isso... Não era um simples evento casual, era um acontecimento, como antes!
Os meus olhos marejaram de ver, de ouvir, de sentir tanta energia positiva em trânsito. E mesmo quando passou pela rua o último integrante do cortejo e sumiu na curva dos olhos após virar a esquina da rua de cima, seguindo em direção à rua de baixo, no rumo da capela da única praça do bairro, ainda era possível ouvir os passos da multidão e o clamor da ladainha efusiva ecoando pelo ambiente e atingindo aguda os canais auriculares das pessoas, nas muitas residências hoje existentes. Quando tudo acabou... a vontade era de chorar. Mas sentia-me bem demais para tal.
A religiosidade salva apenas pessoas boas, por isto não salva ninguém.
Cristo é o único que salva pecadores, por isto pode salvar todos!
"PORQUE EU NÃO VIM PARA CHAMAR OS JUSTOS,
MAS SIM OS PECADORES, AO ARREPENDIMENTO."
(Mateus 9:13)
Na religiosidade o verdadeiro emprego da fé não está na consistente divergência como um meio, mas na sutil convergência com um fim.
Vejo tanta religiosidade fora dos templos, como vejo dentro deles. Eu caminho com uma certeza, e sou muito das vezes julgado por causa dela, julguem homens, pois essa condenação é a minha alegria. A alegria de saber que aonde quer que eu esteja, e alguém estiver disposto para me ouvir, a qualquer um que me procura seja ele ou ela quem for, eu tentarei ao máximo abrir uma igreja em seu coração: mostrando a ela quem é o Senhor dela, e deixando bem claro que o Pai deu acesso direto a Ele, por meio do seu Filho.
A Moralidade de cada nação é emanada da religiosidade que a mesma professa, daí o caos de nosso mundo-imoral.
A diferença entre religiosidade e espiritualidade equivale à diferença entre usar óculos e usar lentes de contato. A primeira sempre vem acompanhada de armação.
Escolha ser o melhor que puder. Não por religiosidade, não por medo, não por moralismo...Mas por querer agir da maneira certa. Mesmo errando nas vezes que busca ser bom e honesto. Porque ninguém precisa dizer ao ser humano como ser mau e egoísta. Isto nós nascemos sabendo e recebemos diariamente lições e exemplos disto. Imagine que a sua energia, qualquer que ela seja, boa ou má, vai refletir no mundo e nas pessoas. E de alguma maneira, ela não se dissolve, não se dissipa, não esvanece...Ela ricocheteia por aí...Ela vai e volta...Ela ilumina e apaga...Então, quando e sempre que puder, escolha iluminar, acender, conduzir...Porque num dia estamos aqui e num outro não...E será melhor ser lembrado pela beleza que carregou e traduziu em gestos, palavras e sorrisos.
Santidade não é uma questão de religiosidade ou de puritanismo fundamentalista, os fariseus e os zelotes eram assim e não receberam crédito do Senhor Jesus Cristo. Santidade é transformação da mente por meio da fé que opera a graça de Cristo em nós, nos fazendo conforme a imagem e semelhança do Filho Unigênito de Deus Pai.
Com relação ao Natal, devemos saber discernir e saber separar gratidão e adoração de religiosidade vazia, de pretextos para estabelecimento de filosofia consumista.
"Na verdade não sei o que é pior, a doença da religiosidade ou sua fase crônica a chamada religião da anti-religiosidade. Caixas novas com os mesmos problemas velhos, um evangelho de exclusão sistemática com aparência radical porém tão reacionário quanto o sistema chamado antiquado, onde por incrível que pareça a base continua sendo a sedução de pessoas, a manipulação de "almas" e o controle das mentes."