Rabiscos
Um jogo de luzes
rabiscos verticais e horizontais
Vamos lá fora hoje é dia de chuva
mas mal não tem, pois lá fora é verão...
Vamos correr através desses pingos
vamos pular algumas poças
Façamos uma roda e giremos
Aproveitaremos mais um dia de verão
Somos livres hoje
Livres para se prender.
O papel não tem culpa daquilo que nele se escreve. Os rabiscos serão rabiscos se nele não são colocados sentimentos.
Tramela poética
Poeta rabisca o que pensa
E não pensa pra rabiscar
Seus rabiscos aas vezes encanta
E outras faz chorar
Poeta é pensador
Que as vezes perde seu teor
Suas rimas as vezes magoam
Dependendo de como soam
E se se retratam nos rabiscos
Como é que eu, poeta, fico?
Pois jamais tive a intenção
De ferir a ninguém no coração
Uma tramela é preciso
Para não mais olvidar
Rabiscar conciso
E a ninguém...magoar
Li e rasguei
As cartas e rabiscos
Bem feitos, que fiz
Depois queimei
Joguei fora
Sendo levados pela brisa
Pequena, segue
Sua trajetória
Então depois me lembrei
A falta do que fez
Os pensamentos
Marcados a tinta
Fizeram em papeis
Retorcidos e envoltos
Em poucas palavras
Descrevendo um adeus
Que não teve
O motivo certo
Pra falar
Por que um dia
Alguém dirá
A presença que se foi
Não vira
O pensamento que se deu
Desaparecerá
E o que foi sentido ficara
Lembrança pequena
Relevante, e digna
De sentimento
Que se foi mais permanecera.
LAMÚRIAS
Quando o sol se por no longínqüo horizonte,
Desenhando nas nuvens os rubros rabiscos,
Talvéz um pouco de paz junto a este monte
Console meu ser, livre de riscos.
Assim esperarei eterno o momento,
tão alviverde é a infame grama!
Que nos meus olhos sinto o nobre vento,
Vivenciando muito mais o meu drama.
O sinal dos tempos se dá nas horas,
perdido nos atos, me controlo e penso,
Tu noite, por que demoras?
Mas no semblante o incalto senso
Te desfigura... e por que choras?
Pergunto a mim mesmo no entardecer denso.
Horas soltas…
Relógio descontrolado…
No chão um porta retrato quebrado.
Sobre a mesa rabiscos amassados…
Versos soltos ao vento.
Sentimento soterrado.
Coração quebrado.
Um desiludido!
Aprendendo a escrever
Em meio a tantos rabiscos, vamos aprendendo a escrever. Vamos rabiscando até sair uma imagem, um símbolo, uma letra que se possa compreender. Formando palavras e desvendando esses códigos que passam a ser mais fáceis ao longo da tarefa. Buscando sempre coisas novas, porque a curiosidade humana não tem limites. E quando começa a escrever não se quer mais parar - bom, pelo menos é assim comigo. É como se a cada dia tivéssemos à nossa mão uma folha em branco, lápis, caneta, borracha, corretivo, canetinhas coloridas, lápis de cor... O que se escreve com o lápis são os nossos planos, as vezes erramos e passamos a borracha. Depois quando temos a certeza do que queremos, quando estamos a ponto de colocar nossos planos em prática, usamos a caneta para fixar nossa história à realidade. E mesmo assim, depois de ter feito planos, erramos. Aí entra o corretivo, queremos concertar o que deu errado e acabamos piorando a situação, deixando aquele espaço em branco e tentando escrever por cima. Mesmo após os borrões, temos as canetinhas coloridas e os lápis de cor para colorir tudo o que deu errado. E ter a certeza que mais uma folha em branco estará por vir.
Quando pego alguns rabiscos antigos, percebo que sempre filosofei, mesmo quando eu não gostava de filosofia.
Vou errando entre meus rabiscos, escrevendo meus contos e fábulas e errando novamente, porém um dia meus erros serão vistos como inspiração de jovens mentes em busca da fantasia e de um mundo o qual eles possam se perder por algum tempo.
As vezes somos rabiscos não pintados
Cinzas de páginas não queimadas
Palavras mudas em olhares que gritam, gritam...
Metade de mim indecisão e a outra reflexão
Página virada?
Não...Só rabiscos de uma página que tentei arrancar,
E escritas que não sei decifrar,
O coração que ficar a mente não quer deixar,
Em instante comecei a pensar,
Quero outra vez com você ficar,
Não posso, não quero, quero e não posso,
Esses são meus colapsos de pensamento.
De um sonho
Se fez rabiscos
Cores
E tons
Veio de repente
Imagens antigas
Vividas
Oh tempo bom
Senti um vento
Que de espanto se fez a consciência
Tive medo não por aparência
Era moço vistoso
Tinha até dons
De repente me veio a mente
Ja vivi aqui
Surgiu do inconsciente
Lembranças nunca tão presentes
De dentro de mim.
Mara santos
2016
Filosofando com rabiscos sobre a destemperança dos relacionamentos frugrais à base de tons elevados pela química alcoólica onde Janis Joplin se pôs a considerar uma transposição para outras dimensões universais e espirituais, deixemos nossa vã filosofia aflorar e libertar as mentes aprisionadas pelos corações perdidos e desenhemos letras que juntas se fazem entender o que aquele que pulsa se recusa a perceber....
Em rabiscos discretos...
Estou eu a desenhar...
Vagando em meus devaneios...
Solto o instinto e deixo fluir o lápis...
Eu que só achava domínio em desenhos de palitos ou traçinhos...
Vou descobrindo que há dentro de mim... Mistérios em torno de tudo...
O que será que temos dentro de si?
Qualidades e dons que são guardados a sete chaves?
E cadê a chave para abrir?
Os rabiscos que existem em meu corpo ( tatoo) , se anulam com o que Deus escreveu para mim.
Avaneide Siqueira Silva
Era!
O tempo é a enciclopédia
dos rabiscos da saudade
entre o choro e a comédia
a mentira e a verdade
são e salvos da tragédia
mas a vida puxa a rédia
do corcel da liberdade.