Poesias Minha Mãe e Tudo o Mais
Lição da Cozinha
Observando minha mãe enquanto cozinhava, aprendi algo muito importante.
Para chegar no tempero certo, ela nunca coloca uma única quantidade de sal. Ela vai colocando pitadinhas, até encontrar o ponto ideal.
Ao refletir sobre essa experiência, percebi uma comparação com a vida. O diabo não lança suas armadilhas de uma vez; ele coloca uma pitadinha de cada vez no coração da pessoa. Uma vaidade aqui, um sentimento ali, um pensamento acolá. No final, seu objetivo é claro: desviar a pessoa dos bons caminhos.
E se você se deixar levar, pensando que um pouquinho não tem problema, lembre-se: é de grão em grão que a galinha enche o papo.
Da minha mãe aprendi que nunca é tarde,
que sempre se pode começar novamente.
Agora mesmo podes dizer "basta" aos hábitos
que te destroem, às coisas que te prendem
ao cartão de crédito, às notícias que te
envenenam desde a manhã, aos que
querem dirigir tua vida pelo caminho
perdido.
Eu aprendi o que era amor com a minha mãe. E até hoje eu aprendo muito com ela.
Às vezes eu tento a desanimar no esforço que ela faz em agradar a todos. Eu sempre falo para ela que é inútil. Mas hoje eu percebi que isso está dentro dela, é algo que ela tem de maior, ela aprendeu a verdadeira caridade! E isso me encanta.
Eu ainda não cheguei nesse estágio de evolução, e como é difícil chegar!
Porque o que ela passou, eu não sei se eu estou disposta a passar. E me pego sempre nesse dilema. O que é amor sem caridade?
Olhar de mundo
No olhar de minha mãe aprendi a vida,
A dor, a sabedoria e o valor.
Olhar, verbo ou objeto, na verdade,
Abstrato.
Podendo ser ele,
Observador,
Repressor,
Admirador...
Olhar de cobiça, de audácia, de esperança;
Muitas vezes, conforme o mundo:
De medo, incerteza, de dúvida, de pânico.
Olhares, isto, aquilo, aquele.
Olhar sobre tal coisa
Olhar também é percepção,
Compreensão, entendimento.
Não olhar também ocupa espaço...
Não olhar a fome, a dor, a amargura,
A indecências, a futilidade, a ignorância.
Olhar por olhar as coisas feitas dos outros,
Também consta na lista.
Olhar ficando a mente:
Na caridade,
Na fé,
Na esperança,
No crescimento
São olhares humanos.
Olhar para si: o mais difícil dos olhares!
Pois para tanto, olhar para dentro requer amor externo,
Perdão verdadeiro,
Compreensão sincera e,
Percepção certa.
Olhar, mirar, analisar,
Repensar, demonstrar, remodelar e,
Novamente
Olhar...
Minha mãe me ensinou valores importantíssimos:
- Não depender e nem viver às custas de homem nenhum;
- Lutar e correr atrás do que quer;
- Nunca desistir dos meus sonhos;
- Acreditar em minha capacidade e ter autoestima;
- Agradecer a Deus sempre e pedir somente sabedoria divina;
- Ser honesta, ter caráter e educação;
- Valorizar a família como a base de tudo.
Enfim, são coisas que vêm de berço e que me orgulho de ter seguido a risca!
E hoje senti vontade apenas de agradecer a esta grande mulher, que graças a Deus está sempre do meu lado, me apoiando em tudo!
Obrigado, mãe. Tudo que sou devo a você!
Minha mãe me ensinou
o jeito certo de viver,
me levou até o parque
quando eu era um bebê;
quando jovem, sem juízo,
padeceu no paraíso,
pra depois me ver vencer.
Minha mãe, a quem devo tudo o que sou.
Quem me ensinou que a vida não seria fácil, mas que com fé em Deus e perseverança nenhum sonho estaria fora do meu alcance.
Obrigado, mãe, por segurar as minhas mãos em meus primeiros passos e nunca mais as ter soltado.
Obrigado pelo abraço e cuidado, que mesmo distante nunca deixei de sentir.
Obrigado por ser meu abrigo, quando tudo em volta se mostrava caótico e sem solução.
Obrigado pelas palavras sábias e conselhos precisos.
Sei que muitas vezes te deixei aflita e até te entristeci acidentalmente, mas nunca deixei de te amar com amor profundo.
Todos os meus sucessos são resultados dos teus conselhos, do teu colo, do teu cuidado, das tuas orações, das tuas noites em claro e de todas as lutas enfrentadas por mim.
Hoje sigo vitorioso graças a Deus e a senhora.
Obrigado, mãe.
Quando eu era criança minha mãe me ensinou algo muito importante.
Ela fazia sacolé de Ki-Suco e vendia na porta de casa, uma vizinha resolveu fazer também só que a vizinha fazia com leite e vendia ao mesmo preço, resultado?
Minha mãe não vendia mais nada, todo mundo foi pra concorrência.
Muito cabeça dura, ela achava que os vizinhos e seus filhos lhe deviam lealdade, afinal ela chegou primeiro, a clientela era dela por direito, ela sentia raiva e falava mal da vizinha, perdeu muito tempo assim, até aprender que melhor do que cobiçar o alheio era melhorar o seu produto, não adianta oferecer um serviço meia boca e contar com a sorte pra se manter no negócio, você precisa inovar, se dedicar, aperfeiçoar seus serviços.
Ela entendeu que ficaria pra trás e mudou, passou a usar emulsificante, leite moça, biscoito, amendoim, coco ralado, ela viu com isso sua clientela voltar, ficar e aumentar, mas isso só aconteceu porque ela percebeu que sentir raiva e maldizer quem fazia um trabalho melhor que o dela era perda de tempo e não a levaria a lugar nenhum.
Tudo na vida é assim, podemos lamentar e maldizer quem dá o melhor de si ou podemos ser quem dá o melhor de si.
Coisas boas, satisfação, reconhecimento só merece quem se esforça por isso.
Dizeres
Minha mãe poética
me ensinou
a pedir licença
para expor
o que eu sinto
no meu coração.
Me ensinou
a diferença
entre discurso
de ódio
e liberdade
de expressão.
Roupa suja se lava em casa. Aprendi isso com minha mãe: o que acontecia dentro de casa deveria ficar ali, coisas que só cabiam à nossa família saber. Cresci com esse ensinamento e sou assim até hoje. Nunca gostei de falar demais ou de ficar de "mimimi" por aí. Nunca foi o meu forte lamentar minha vida aos quatro ventos para buscar aprovação ou piedade de alguns. Nunca me identifiquei com multidões. Sempre me preservei, sempre fui na minha, e sempre procurei ter Deus como meu melhor amigo e confidente.
Certas situações acontecem com a gente não porque a vida é difícil ou as pessoas são ruins, mas sim porque nossa boca é nervosa e acaba revelando o nosso coração a quem não merecia conhecê-lo. Algumas coisas não dão certo porque confiamos demais nossos segredos e sonhos a quem, na verdade, não sorri conosco. Nem todos são merecedores da nossa confiança. Nem todos merecem nos conhecer tão profundamente, nem todos precisam saber o que há dentro da nossa casa — falo do coração, da alma, dos sentimentos, dos sonhos. Nem todos querem o nosso bem. Alguns torcem por nós, outros torcem contra.
PRECISA-SE DE MÃES
Demétrio ena, Magé - RJ.
Aprendi com a minha mãe, que todo o cuidado será pouco para um filho, e que por isso, as mães não relaxam. São felizes, podem viver bem, mas não relaxam. Natureza de mãe que tem mesmo natureza não obedece à lei da prática e da serenidade, porque para ela o mundo está sempre a um passo de ruir sobre os ombros do filho. Há sempre alguém muito próximo, e acima de qualquer suspeita, pronto a se revelar capaz de um gesto indigno, malicioso ou desmano contra esse filho.
Com as demais pessoas, aprendi que não é certo a mãe ser extremada, super protetora e desconfiada de todo o mundo. Até minha mãe reconheceu muitas vezes, com palavras, o quanto estava errada por ser assim. No entanto, sua natureza infalível, com gestos e vivências me fez ver definitivamente que alguma coisa está errada com a mãe que não erra nesse aspecto. Especialmente aquela mãe que se deixa sufocar pela mulher, sempre bem-vinda, mas não como substituta da mãe.
Foi com a minha mãe que aprendi a apostar minha vida no caráter do próximo, mas não a vida de um filho. E que a integridade física do meu rebento precisa depender de mim, dos meus cuidados, minha desconfiança, e não da sorte ou do acaso de outra pessoa ter ou não bom caráter, tanto quanto aprendi que o caráter não tem cara.
Finalmente aprendi, com suas poucas palavras e muitos exemplos, que mãe não tem meio termo. Se não pecar por excesso, pecará por falta de cuidados, e que nos tempos em que vivemos, toda falta será castigada em maior ou menor escala. E também aprendi, com a moderna escassez de mães iguais à minha, que os pais de agora têm que aprender a ser mães, pois são muitas as mães que se tornaram como aqueles pais meramente provedores que delegam totalmente seus filhos.
MÃE
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Minha mãe,
que só viveu pra ser mãe,
de corpo, alma, emoção,
foi o pai mais intenso
que toda mãe pode ser...
mas muitas não são.
A VIAGEM
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Se eu pudesse voltar na mesma casca,
repetir minha mãe, esposa, filhas,
ter os mesmos irmãos; nem um a menos;
caminhar estas milhas que já fiz...
E tivesse de novo alguns amigos,
outros não; mais por eles que por mim;
as escolhas que tive pra fazer,
cada sim, cada não nas mesmas rodas...
Partiria feliz pra reciclagem,
se tivesse a certeza de voltar
à viagem que nunca mereci...
Refaria os percursos e projetos
sem ferir os afetos, os nem tanto
e trocar tantas mágoas evitáveis...
Dia internacional da Mulher
Minha mãe: eu te escutei muito! Você me falou da dignidade das mulheres, independente da renda. Eu ouvi muito você falando de respeito e de como a gentileza é fundamental. Você advertiu a todos nós sobre a abundância de canalhas no mundo e de como gente insegura é capaz de imbecilidades. Próximo ao dia internacional da mulher, quero agradecer muito eu ter aprendido com sua sabedoria de mulher. Mamãe: eu escutei! Obrigado.
Minha MÃE,
Pago caro por escolhas que não sei o quanto vale. Embora algumas lágrimas percorram sobre a face, eu te digo a garganta também tranca, não sei se de alegria pela sua existência ou pela nostalgia de tua falta. Na medida em que o tempo passa e envelheço dentro dum apartamento, percebendo o valor de tua existência. Mãe, se hoje eu ainda não puder ouvir tua voz, que EU sinta emoção de teu carinho, de tua presença, de tua existência. MÃE perdoa-me porque só as minhas idiotices foram capazes de fazer com que EU não esteja com você agora.
Escrevi um poema pra minha mãe há mais de 3 anos, e até hoje eu choro quando leio.
Principalmente quando chego na última estrofe, que aliás foi por onde comecei a escrever o poema.
Mania maluca minha que eu tinha, na época, de começar a escrever os poemas, contos etc pelo final, e aí só depois vinha na mente a ideia do início e do meio.
Eu poderia tentar, mas admito que dificilmente outra homenagem que eu fizesse chegaria no mesmo nível.
Fato é que o escritor "limita" o próprio potencial quando ele escreve de coração
E esse é um retrato fiel.
Te amo, mãe.
Eu nunca tive uma esposa. Uma mulher poder ser muito poderosa. Como minha mãe. Ou destrutivo. Como minha mãe. Eu prefiro evitá-los. Muitos homens fortes enfraqueceram sucumbindo aos prazeres da carne.
(Vicente de Santa)
À ALMA DE MINHA MÃE
Partiu-se o cordão do amor absoluto
No meu desditoso fado então trincado
E as preces no rosário assim de luto
Rezam tristuras no chão do cerrado
Lacrimoso eu, debalde na dor soluto
Soluça a baixa deste relicário delicado
Minha mãe, tão jovem em seu atributo
Pôs suspiros no meu peito instigado
Tal um ramo que seca sem dar fruto
Em um outono tão frio e desfolhado
Assim, o meu afeto se faz convoluto
E na continha de saudade, ao lado
Das lembranças dum amor resoluto
À alma de minha mãe, louvor ofertado!
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, julho
Cerrado goiano
À MINHA MÃE
Sei que a saudade, mãe! é bastante...
A esta, que não estou mais a teu lado
O aperto no peito, sentir, é constante
Vazio em vazio, um coração repicado
Aflição! Recordação! a cada instante
Ter... Volver, é um perceber replicado
De lembrança, no suspiro soluçaste
De ti, a falta, do teu amor tão amado
Minha mãe! Minha mãe! só saudade!
Estou com saudade! Cá lamentando
Passo a passo, a mais dura realidade
E aqui nestes versos tão maltrapilho
Minhas mãos, trêmulas, chorando
Lacrimejam saudades de teu filho...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Outubro de 2018
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
Acho que eu estava com mais ou menos três anos de idade. Certo dia, aproximei-me da minha mãe aos prantos.
- O que foi? – perguntou-me ela, preocupada.
- Pi-mi-ga, mamãe! – respondi, mostrando o vermelho que a cabeçuda tinha me deixado na perna.
- A mamãe vai bater na formiga! Ora, formiga boba! Machucando meu bebê!
- Não pi-ci-sa! Eu já arranquei as zoleia dela! – surpreendi minha mãe, trazendo nas mãos a cabeça da formiga, que eu confundira com suas orelhas!