Poesias de Robert Louis Stevenson
FOME DE TI
Não era a lua
E nem a chuva
Que deslumbrava-me
o corpo nu.
Eras tu, oh meu amor
Que caminhavas
Por sobre a dor
Da pobre alma
Que te pedia
Um pedaço de pão
Naquele dia.
E aquela fome
Ainda me consome.
Você partiu!
E eu ainda sinto fome
Fome do afago das tuas mãos
Caraca! Um ano que mudamos de vida
Não sei se ainda lembra, não sei se chegou a esquecer
A sensação é que foi hoje, que será hoje quando eu acordar
Não posso reclamar, foi a dor mais triste que eu senti, foi o choro mais verdadeiro que eu já tive, a dor era física de tão inacreditável
Mas não é por esse motivo que escrevo
Eu me coloquei em estado de espera logo depois, talvez um tipo diferenciado de modo avião
Não posso dizer que hoje está sendo um dos meus melhores dias
A pessoa que está dividindo a vida comigo, está em questão com continuarmos ou não, sei lá, mas é o mesmo dia
Não quero ser meu próprio estraga prazeres, mas preciso levantar a cabeça e seguir em frente
Se 2018 foi de parar e esperar, 2019 é de meter a cara, arregaçar as mangas e deixar o que se foi pra lá
Vamos à viagem da vida, mudar o rumo do que não está bom, buscar o que foi só visto e lutar, mas lutar muito pra que o melhor nos encontre.
PEQUEI
Pequei contra ti
E como tenho pecado!
Devo pagar.
Serei condenado
Pequei por amor
Sou desgraçado
Mas já tenho a pena
A triste saudade.
Viver por viver
É também um morrer
É sentença de morte
É um viver sem norte
Essa é a pena
Por tanto querer.
E preso à alma
Que nunca se acalma
Não há quem liberte
E vivo perece.
Hei de morrer
Sem ouvir sua voz
Sem ter sua prece,
Meu amor, meu algoz!
Me puseste em teu balaio de silêncio,
Me prendera onde não se escuta nem o vento lá fora ou a chuva que cai
Nesse silêncio no porão não sei quando está trovoando, quando virá a tempestade ou quando está sol
Nesse silêncio os meus gritos estão afogados, abafados, escolhi calar pra não gastar o resto de oxigênio do balaio e pra não morrer logo
Estive ansiosa quando ouvi passos na escada, mas logo depois veio um temor daquele ser o meu fim, mas não era nada, talvez meus ouvidos me traíram e ouviram mais do que era real
Não sei ao certo como vim parar aqui,
Não sei ao certo quanto tempo ficarei
Não sei ao certo se um dia sairei daqui com vida
A única coisa que esse silêncio me traz é um encontro, o encontro comigo mesma e a pergunta de Clarice Lispector "Se eu fosse eu" o que faria.
Nem sempre gosto das minhas próprias respostas
Talvez se eu fosse eu, nem teria vindo parar aqui, nem de longe
O meu eu me diz que é tempo de silêncio, mas que em breve, muito breve eu verei o nascer do sol, o orvalho da noite e no céu enluarado com aquela lua bem cheia e o céu completamente azulado, os ventos cortando meu corpo e sentirei aquela paz de criança na alma.
Por hora espero, aguardo, sobrevivo no balaio, balaio de sentimentos, emoções, balaio de nada.
SONHO
Enquanto durmo, tu te despertarás
De teu sono injusto dessa vida e virás
A minha alcova para me ver
Para sentir meu respirar
Diferente do ar a te mover.
À noite, em um sonho bom, transformar-te-ás
e teu rosto manchado de meu batom..
E a seda de minha roupa esvoaçando por teu jardim.
e tua flor a tocar em mim.
Ao amanhecer ainda sentindo tua respiração
acordarei feliz de meu sonho bom!
REFLEXO PERPLEXO
Eu sou o amor que não te esquece
Porém longe da nossa mesa,
da nossa messe.
Tu contemplarás teu retrato
no prateado das baixelas
E então comerás o pão...
não mais feito pelas minhas mãos
E o gosto, tão de longe, te lembrar-me-ás.
Hás de sorrir e dizer meu nome.
Esse que traz o seu sobrenome.
E de tempos felizes, em que os matizes
de nossas roupas,bem poucas,
parecia o campo, parecia o mar.
E um tempo passou veloz
Levou tantas coisas
Inclusive nós!
De nós mesmos nos roubou.
E olhando à mesa seu reflexo...
Perplexo, voltas com desgosto
Na fotografia modificada de seu rosto.
Quis falar, mas as palavras não amenizaram
Não queria ouvir
Só destrinchar as palavras já ensaiadas há quase uma semana, tinha uma opinião formada sobre tudo, não aceitava nada além
A culpa era minha
A culpa é minha
Eu sempre soube como seria
Mas me acho forte, me acho quase a dona do mundo
Aquela que aguenta a indiferença, aquela que aceita o silêncio, aquela que aceita o momento certo pra agir
Após uns múrmuros, palavras lançadas sem pudor eu me tornei aquela que não tem sentimentos, a "seca".
Oi? Estou aqui dentro de mim. Cheia sempre de sentimentos, cheia de e sonhos, cheia de vontade de coisas que sonho sozinha, não adianta eu falar, eu já desisti
Minhas tentativas são inúteis, mas ela parece intocável
Após eu a toquei dizendo pra virar pra mim e a beijei com minha alma, naquele único instante ela cedeu
Esperando eu que no dia seguinte fosse harmonioso enganei-me
Lá está ela, pensativa, até triste, isso era por nós
Tentei e tentei novamente, mas me sinto fraquinha quando mais uma vez sou quase transparente, sou quase qualquer coisa e nem ouço uma resposta quando falo algo, quando me insinuo e não tenho nada que um belo e bem-dado desprezo
Mas não se engane, ela é a bonitinha dessa história,
Ela só faz coisas planejadas, parece que até os sentimentos e amores o são
Ela não cruza uma linha sem certeza, ela não faz nada mais nada em que possa se arrepender
Eu ando pensando antes de agir, mas eu tenho natureza impulsiva
Queridos, não sei como agir
Não sei como posso fazer
Não há nada que eu faça que possa agradar
Sempre estou tão pouco
Estou num esforço danado e não desisto facilmente, mas tenho que dizer
A próxima fase do jogo é sempre a mais difícil e nem sempre eu tenho saco de continuar jogando.
DE QUE SERVEM AS CONSTELAÇÕES?
Não te posso dar um nome, amor.
Nem uma flor posso oferecer
Andas nas constelações de Quasar
E eu, busco uma única estrela: teus olhos.
De que serve milhares de estrelas,
e mesmoaA Órion,
se custas anos luzes para tê-las?
E o nosso tempo é por deveras, breve.
Não se atreve, podes perdê-las
Sem nunca, nunca tê-las.
Não tenho um nome para te dar,
oh navegador da infinitude!
Das constelações, do meu amor
E da minha dor!
Abandona, sereno, o teu barco
Declina-te para a terra;
joga teus remos às águas!
Esses remos cobertos de mágoas.
Deixa que passe a noite!
Não se atreve perder-te
em busca de vãs estrelas.
DESPERTARÁS
Tu despertarás para mim
Oh, alma dormente,
Meu coração carmesim
tão perto te sente!
Não ouves as passadas
Em volta de sua morada?
Não houve meu pranto
Buscar seu encanto?
Pobre sou eu...
Um grito ouvi
Suspiro abafado
Um leve sorrir!
Tu, estás aí?
Bate tuas asas,
Vem pra nossa casa!
Tira o véu que cobre
Seu rosto de breu.
Eternamente sua sou eu
e você para sempre meu!
E recomeçaremos todos os dias,
enquanto for preciso, enquanto for possível.
E se não for, recomeçaremos como for...
O que ela não entende e que eu já repeti mil vezes foi que se um dia chegamos a nos relacionar foi porque eu quis
Parece idiota, mas foi bem assim
Eu comecei num fogo de paixão louca e a cada investida havia um balde de água fria e eu ouvia, menos Maria, menos Maria. Bom, com o passar do tempo, insistindo em ficar porque tenho cismas em minha cabeça eu passei a ser menos e agora escuto, mais Maria, mais Maria. Será que eu sou louca?
O SEGREDO DA LUA
Eu e a lua conversando sobre vc:
Ela me diz que seu corpo nu
era tudo que alguém poderia querer.
E me mostrou as noites
em que caminhava só,
de tão triste, ela própria sentia dó.
E vi suas lágrimas e vi também sua dor,
E a lua sentiu um amor
que nunca antes houvera .
e chorando me contou toda sua quimera.
Que o sol havia aparecido
e vc desaparecido no âmago da solidão
que era só sua e da alva lua.
TU, A ESTRADA
Aquela beleza disforme
Lançou sobre mim
A tristeza de um olhar informe
E tudo cintilou-me a alma
descomedida e desamada.
Lancei-me à mão daquele
pequeno e estanho ser.
E era amor, e era paixão.
Pude ver o cintilar da retina
Mas era noite desatina.
Caminhei os seus passos
como as borboletas
Que não deixam rastros.
Tudo disforme, nada informe
naquela estrada.
Tu, a estrada!
DESLUMBRANDO-SE
É preciso saber fazer de uma flor o seu jardim
Quando não há mais nenhuma possibilidade
De novos nasceres.
É preciso aprender a deslumbrar os olhos! Deslumbrar a vida... Deslumbrar a alma...
Um dia Maria, no outro amor e agora Maria de novo.
Quando o mundo desaba e você vai ao fundo do buraco a única opção que existe é lutar pra subir
Mas me vejo no meio do buraco, aí é que mora o problema
Se eu me mover posso cair pro fundo do poço, então estou imóvel, estou parada aqui esperando um resgate que pode nunca chegar, se eu lutar pra subir posso cair, se eu não lutar posso ficar parada pra sempre aqui se não chegar socorro a tempo posso cair e estar sem forças pra subir depois por estar desidratada de esperar seca e sem forças
Não é atoa que eu gosto de 8 ou 80, do é ou não é, do vai ou racha
Eu conheço o fundo do poço porque já estive lá, por sorte não jogaram terra em cima, naquela ocasião eu não gastei energia, não gritei socorro, silenciei e fui agarrando a beira até que sai com vida, depois de um belo banho e uma roupa nova na alma, cantarolei igual a passarinho no amanhecer
Hoje estou experimentando um novo lugar, parece ser sorte não estar no fundo, mas não é, é pior, é mais difícil
Como posso estar tão perto da saída e não lutar pra sair? É que a distância da saída é a mesma que pra chegar ao fundo do poço
Será que existe algum milagre? E se chover e se fizer muito sol e queimar minhas últimas folhas? E se eu ficar mais seca e perder o oxigênio? E se eu não resistir?
Tô chegando ao limite da decisão, aquele momento que você tem que arriscar alguma coisa
"Cansada de correr na direção contrária"
Sou o que sou, mas me moldo pra passar pelos labirintos da vida
Queria me olhar de fora e encontrar a solução mais plausível e seguir de cabeça erguida e peito inflado, mas tô olhando por dentro e aqui dentro tem uma guerra de orgulho e de vaidade que não me permite
Não sei o que sobrará de mim dessa vez, agora que havia terminado de juntar meus caquinhos quebrados
Começar de novo.
Única e última vez
Do jardim da sua casa
À cadeira de balanço na sacada,
a lua prateando lírios na parede!
Deve ser mesmo uma casa encantada!
E o azul índigo na sua calça jeans desbotada.
A camiseta perfumada de francês.
Era a nossa única e primeira vez
Despedir-se
Vem tomar esse café, vem se despedir
A sua menina já vai pra outros caminhos seguir
Lágrimas que banham o rosto, caminhos inconstantes e inseguros
Incerteza na caminhada
Vem tomar café, senta aqui na mesa, despeça de sua menina
Não. Levanta, vem aqui, me abraça forte.
Deita aqui comigo.
Como podemos recomeçar? Você acha que dá certo? Disse a mim.
Eu não sei, acho que devemos tentar.
Vamos começar mudando o quarto de lugar. Tá bem! Voltemos ao início de tudo, vamos nos amar.
Vem, senta aqui na mesa e vamos almoçar, o mal já está longe de nós vamos recomeçar
Vamos reinventar um lugar só nosso
Vamos colocar as coisas no lugar, vamos mover as coisinhas
Vamos, vamos lá.
Minha pergunta de hoje é tão simples que é complexa. Como nós nos tornamos aquilo que odiamos?
Como que acabamos vez ou outra sendo aquilo que odiamos nos outros?
Eu quis pesquisar pra entender melhor minha própria pergunta interna, olhei rapidamente no navegador e não fiquei muito convencida.
Será que isso se deve ao fato da força do ódio? Será que isso se deve ao fato de passarmos tanto tempo intrigado e pesquisando em nossas memórias RAM o que poderia levar uma pessoa a ser dessa ou daquela maneira?
Será que se deve ao fato espiritual de trazermos como genética dos nossos antepassados?
Será que acabamos concordando inconscientemente? Será que apenas ficamos tanto tempo retribuindo o que nos dão de igual pra igual que aprendemos a nós igualarmos com o que nos faz mal?
Eu gostaria de entender. Apenas pra me entender melhor e me livrar do que eu tanto odeio ou reprimi ou criei ranço.
Eu me lembro de coisas que eu tenho total repulsa e vez ou outra me peguei fazendo e quando parei pra pensar me senti completamente mal. Bom, um dia desses eu de concluir sobre esse assunto. Por hora só pensar mais pra traçar uma linha reta de raciocínio.
Tô na porta de saída, ainda olhando pra trás e tentando lembrar se não estou esquecendo de nada, olho pro que há além da porta e espero ver algo que me anime, mas não vejo
Só vejo eu mesma e os mesmos passos e a mesma caminhada
Como diria Belchior " Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro, ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro"
Ao contrário do que possa parecer, ano passado eu estive tão fraca, tão descrente de mim mesma, tão questionadora de como as pessoas sempre vão embora
O dia que nós entendermos que cada pessoa é um mundo dentro do mundo seremos mais felizes
Eu imagino o sistema solar, não posso dizer ao sol para ele ser igual à lua, cada um tem o seu jeito e sua importância e seu lugar, não são mais ou menos especiais, apenas são o que são, cada um tem sua própria particularidade, hora para os acontecimentos e momento exato pra ser mais ou menos.
Hora não vemos o sol, hora não vemos a lua, não vimos os demais planetas, mas todos estão lá
Assim somos. Um mundo convivendo com milhares de outros mundos, não devemos brincar com o mundo de ninguém, nem menosprezar, nem achar que o nosso brilha mais, apenas deixe ser, deixe cumprir o seu papel, olhe, mas abra a boca apenas para auxiliar e jamais pra julgar um mundo que não é o seu.
Posso ir viajar e voltar quando tudo já estiver arrumado?
Posso sumir e esquecer da vida e voltar como se nada tivesse acontecido, mas já tivesse acontecido tudo?
Posso ser eu por aí sem pedir aceitação?
Posso chorar um rio pra ter acalento?
Posso sorrir com essa tristeza?
Posso dançar na chuva mesmo sem força pra sair dela depois?
Posso só vegetar por uns dias e voltar em outro cenário pra pular a parte horrível?
Posso ser forte por fora e ter um estômago queimando?
Posso ficar triste mesmo com milhões de outros motivos para estar feliz?
Posso?
Devo?
Não posso?
É apenas humano?
Eu não vou estava preparada?
Posso?
Posso viver sozinha em um novo lugar e nem lembrar que passei por aqui?
Posso virar heremita?
Posso virar hippie?
Posso cometer haraquiri?
Posso ser?
Posso não poder?
O que eu posso?
O que eu devo?
O que eu preciso?
O que eu mereço?
Eu não sei quanto a mim, mas quanto a você
Ahhh!
Você merece os sorrisos mais sinceros como os de criança
Merece lágrimas de felicidade em cada conquista
Merece aceitação
Merece abraços carinhosos e beijos inusitados
Merece que te olhem com ternura e com o maior carinho
Merece ter tudo aquilo do jeito que sempre sonhou
Precisa, merece