Poesia Tristeza
Os dias
Há certos dias, dias onde o sol da existência se esconde, onde perdemos as esperanças na humanidade e que perguntamos o porquê da vida. Não há vontades, motivações ou razões. Há apenas o existir de mais uma manhã.
Em um dia como este, a caminho de casa, andava cabisbaixo, olhando para meus pés, escutando o vazio de meu interior, remexendo meus pensamentos sem pensar em nada apenas um passo depois do outro e assim, inerte ao mundo, prosseguia. Uma sombra, uma suave silhueta, intensa com o sol do meio-dia, surge diante meus pés. Levanto meus olhos por extinto, não por vontade, levanto-os sem pensar ou notar. Uma garota, não lembro de seus cabelos, seus traços, suas cores ou sua roupa, lembro de seu sorriso, alegre e sincero e ainda que duvidasse, seus olhos não mentiam, ressaltavam todo essa alegria e amor à vida. Ela me estendeu a mão, havia uma flor entre seus dedos. “Essa flor é para você” a garota disse em meio ao sorriso. Peguei a simples flor, nem bonita ou feia, apenas ... Flor.
O mundo é salvo todos os dias com pequenos gestos. Minguados, imperceptíveis aos rudes olhos. O mundo é salvo pela desimportância. Pelo antônimo da evidência. Um gesto, um olhar que envolve e afaga. Afoga. Resgata. Da vida. Salva.
Há certos dias, dias onde o sol se esconde, onde os pássaros não cantam, onde o único barulho é o cortante vento de uma manhã fria e ainda sim a música de nossas almas ecoa tão alto que a infelicidade se envergonha. A necessidade de compartilhar a alegria, demasiada para a pequena anatomia de nossos corações, contagia nossos gestos e resgatamos mundos.
Dois extremos. Um dia. Dois corações. Um gesto. Uma flor. Nada mais.
Eu a queria aqui agora
Eu a queria aqui agora
Por maior que sejam os ressentimentos, a saudade impera
Eu queria ao menos vê-la
Apesar de sua gigantesca ausência a gente supera
A gente espera que melhore
Que boas surpresas nos surpreendam
Que aquele beijo e aquele abraço sejam repetidos ou até superados
Que ótimas lembranças sejam substituídas por outras ainda melhores
Mas tudo isso só pode acontecer com ela aqui
Por isso... eu a queria aqui agora
VOLTA
Minha andorinha,
Voando sozinha,
Fugindo assim;
E porque fugir,
Sair do teu sossego,
Do teu aconchego,
Segui outro rumo?
Voas sem pensar,
A qualquer direção,
Expõe-se ao perigo,
Sem saber se um dia,
Poderás voltar.
Minha menina ,
Dengosa, teimosa,
Tentas apagar,
Lembranças de mim,
E da sua agenda ,
Deleta meu nome,
À se distanciar,
Através do tempo,
E seguindo ao vento,
Sem ter a certeza,
Onde irá pousar,
Nessa insegurança,
Não encontra abrigo,
Menina teimosa...
Volta minha vida,
Minha pombinha,
Vem de regresso,
Ao teu lugar certo,
Que em nosso ninho,
É o teu lugar.
Eu vivo a chorar
Essa sua ausência
Que me joga ao léu
Sou o teu menino
Que chora teu Abraço
Que sem teu calor
Não me resta vida
É só você mesma
Que me dá sossego.
Meu bem meu amor
Volta minha vida
Minha andorinha
Voa pra meus braços
Não se exponha ao vento
Seja em movimento
Seja contra o vento
Estou te esperando
Pois aqui é teu lugar.
"Agora ela acredita desacreditando do 'amor'.
Aventuras e trocadilhos é o que ela quer.
Mas no fundo do seu ser, na calada da noite
ela só quer te ver.
Aquele que um dia ela amou.
Quer esquecer das coisas ruins que passou e só viver um momento de paz."
Quando o coração
Se entristece muito
Desata a chorar
Inunda estreitos canais
Mas é nos olhos
Que as lágrimas
Vêm transbordar.
E quando o outro já não se importa com a vida alheia? Quando observamos que um pai prefere estar em uma bar do que ao lado de um filho, ou uma mãe que prefere a novela do que uma boa conversa com o filho, ou um filho que prefere as redes sociais e os eletrônicos aos pais... Tudo tem se tornado um circulo vicioso, onde valorizamos o que não tem valor, e preferimos momentos fúteis a criar lembranças que dão saudades. Quando observamos que um humano prefere se exaltar prejudicando aqueles que dependem dele, e vimos uma falta de respeito e consideração... A bíblia já alertava para que o amor de muitos esfriariam, não de homens para com Deus, mas o amor mutuo, onde você se coloca no lugar do seu próximo. Observe ao seu redor e suas próprias atitudes, observe seus passos, suas escolhas, no trabalho, na escola em seu meio e principalmente em seu lar. Se questione, questione aquilo que aprendeu, aquilo que tem como verdade. Seja apto a mudar de filosofia de vida, a transformar o seu meio, e recuperar aquilo que tem de bom escondido nos recônditos de sua alma. Traga iluminação pra sua vida, pra vida daqueles que te circunda, seja aquilo que quer dos outros. Errar é sim humano, transformar ações é mais humano ainda. Faça o bem, sempre e sempre! não o faça só como pagamento, mas o faça por quê escolheu se transformar como pessoa. Esperamos sempre que alguém tome a iniciativa, mas faça essa maravilha que é tomar a atitude, até que isso vire hábito. Seja grande, pois na grandeza há riqueza de respeito, amor e senso de humanidade.
Mude sua vida, mude seus pensamentos, mude quem você é, leia um livro, assista um filme, seja uma pessoa interessada, se torne interessante, se sinta bem, admire um por do sol, uma lua, saia da sua normalidade, tome coragem para tomar as rédeas de sua vida, o volante de seus próprios caminhos...
Seja alguém livre, seja diferente de ontem, se reinvente. e colha os benefícios da vida...
Ventilador tu que me ventilas,
Vem e tira minha dor.
Ventilador tu que me ventilas,
Já sinto quão fúnebre é o seu amor.
Ventilador tu que me ventilas,
Já reparei em tua dor.
Ventilador tu que me ventilas,
Talvez nosso amor seja sentindo a mesma dor.
"Parece", não, senhora; é, não "parece".
Não é apenas meu casaco negro,
Boa mãe, nem solene roupa preta,
Nem suspiros que vem do fundo da alma,
Nem o aspecto tristonho do semblante,
Co'as formas todas da aparente mágoa
Que mostram o que sou; esses "parecem",
Pois são ações que o homem representa:
Mas eu tenho no peito o que nao passa;
Meu trapos são o adorno da desgraça.
Você tem medo que as pessoas não gostem de você, então você não gosta primeiro.
Você tem medo que as pessoas se afastem de você, então você se afasta primeiro.
Você tem medo de se magoar na convivência, então você vive sozinho.
Você tem medo de tudo o que possa te fazer mal, então abre mão do que pode ser bom também.
►Aos Anjos
Sinto pena de quem almeja o mundo
Sinto pena daqueles que valorizam o outro bruto
Estão sendo ignorantes, impuros.
Às vezes me canso de escutar desprazeres
Pessoas dizendo sofrerem todos os meses,
Mas que estão melhores que muitas outras,
E dizer sem contras, mas se parecem com os burgueses
Pessoas que nunca estão bem,
Mas que adoram dizer isso para alguém
Me enjoa a falsidade, a dramaturgia, a maldade
Às vezes me pergunto se não estou melhor sem ninguém,
Pois talvez seja melhor estar com quem me faz bem.
Assim como amarelinha, tento pular os erros da minha vida
Assim como esconde-esconde, eu me escondo, com medo,
À procura dos anjos
Eles não sentem o desespero, eles são vazios, são outros seres
Quero ser como eles, não gracioso,
E sim, sem gosto, amargo, mas saboroso
Quero me afastar do mundo odioso,
Das pessoas que atraem as outras para o poço.
Eu sinto medo da realidade, da malandragem
Me resta a humildade, com um coração que bate com vontade
Pela cidade eu vejo, testemunho a carnificina
Dos produtos que infeccionam e contaminam várias vidas
Que aprisionam seus hospedeiros em ruas sujas e fedidas
Eu tenho medo, anjos, peçam um novo dilúvio,
Pois essa história foi mal escrita.
Ave Maria
Quando tu vai,
a saudade chega e aperta,
mais do que aperta em saber que tu tá longe.
Quando tu vai,
meu coração se fecha
Até que chamo,
Mas ele nem responde.
E pra abrandar teu sumiço,
Rezo pro meu padrinho padre Ciço,
Pra afastar essa tua falta.
E quando tu chega,
faço dos teus braços, meus,
Do teu abraço,
o meu deus,
A ele entrego minha devoção.
Nessa vida de nordestina bruta,
Nem Maria Bonita atura,
Tem dias em que sou o cão.
E ainda assim tu me aguenta,
Foguenta.
Aproveita e fermenta essa nossa paixão.
Porque no teu carinho me vejo inteira,
Da tua vida eu sou prisioneira,
A quem interessar digo,
Não me alforrei não!
E se for castigo,
Tu têm sido meu pecado e minha perdição.
Mas me prenda em teus braços
Que eu digo ao delegado,
Seu doutor,
Não quero libertação!
Thaylla Ferreira Cavalcante
O Meu Chorar
E quando choro tudo se entristece
Tudo se conecta aos meus sentimentos
A música canta, o choro completa o coração
A linguagem da tristeza e da emoção
E nas noites caladas, meu sussurro ecoa
Minha dor se acalma na descida das lágrimas
Meu olhar se revela, se anuncia, se entoa
E por fim, entendo a dramaturgia do meu coração
O chorar me leva a outra dimensão
Um sentido capaz de me entorpecer
Um grito interno de alívio e renovação
A esperança de um novo começo
Todos os dias o sol levanta e diz
Bom dia, vamos levante
Os dias cobram a energia de você
Um belo desafio todas as manhãs
Vamos você é forte, você diz a si mesmo
Já cansado você levanta e encara o desafio
Com o cair da noite lentamente
Os últimos raios de sol energizam a alma
Ao enraiecer das estrelas. O longo dia pesa nos ombros
O bater do relógio fica lento
As horas passam lentamente
O café esfria rápido de mais
As horas se passam e o sono parece ter adormecido
Abro a porta e grito a espera de resposta
Volto a cama e olho o teto por horas
Pensamentos cruzam a linha do tempo
Noites quietas se tornam barulhentas
Tic
Tac
Sono bate a porta
Como é de casa lhe dei a chave
Quase sempre vem
As vezes atrasado ele chega cedo
Mal chega e já vai
Sentado no livre gramado que não se ver fim
o vento sopra em volta dos meus cabelos,
e com ele, tristezas, medo.
Meus dedos tremem
e o calor do meu corpo desaparece
Lentamente,
o frio me cobre e tento me aquecer
com meus próprios braços,
braços quais são pedras de gelo.
Minhas costas deslizam sobre o gramado,
meus olhos fixam na pequena pedra em cima de uma pedra maior.
A pedrinha cai.
Roubaram a nossa merenda
E, consequentemente, escrevemos no quadro da sala de aula:
"Roubaram também, nossa educação".
Roubaram a nossa dignidade
E, consequentemente, nosso sorriso
Levaram toda a esperança que tínhamos
E, constantemente, levam ainda mais
Publicamos nos jornais.
Roubaram todo o ouro dourado que puderam
E, consequentemente, fomos apunhalados
De forma cruel
Nos mantivemos vivos
E, escrevemos toda a história nos livros.
Como se não bastasse
Roubaram também o Ouro Verde
E, consequentemente, a nossa saúde
A saúde de milhares de pessoas
Que irão morrer por uma conduta incorreta
Por falta de atendimento digno
Por falta de atitudes fraternas
Iremos escrever em suas lápides:
"Saudades Eternas".
São tantas decepções dessa politicagem
Transformando os cidadãos de CARNE e sentimentos
Em cidadãos de PAPELÃO.
É preciso não ter sentidos, para se viver nesse lastimoso cenário.
Meus sinceros sentimentos.
Viagem
Esperava que quando eu voltasse, você estivesse aqui, do mesmo jeito que parti, alegre, sorridente, dócil...
Mas ao contrário de seus rubros olhos negros saíam lágrimas de sangue, apartados de seu pobre coração que desde que eu parti, adoeceu... A distância era a única que poderia nos separar, mas ao contrário, ela apenas uniu o que há de mais belo em nós, o nosso amor, espero que com essa viagem, nos conscientizemos de que o que existe dentro de nosso coração também sofre... e esse sofrimento é de amor, de proteção!
Quero que saiba que mais do que nunca eu te amo, mesmo ainda não tendo partido, eu sei que até pequenas distâncias nos separam de forma, às vezes, irreparável, espero que um dia possamos ficar juntos de um jeito que eu não "me mate" ou te sufoque!
Só queria dizer uma coisa, que na maioria todos dizem, eu te amo!!!
Tem morto que não sabe que morreu.
Tem pessoas que não sabem que ainda nem nasceram.
estou triste...
Meu filho, meu algoz...
Meus olhos já não têm o mesmo brilho de antes
Meu corpo, já não é aquele: esbelto, ligeiro, jovial
Dizem, em versos, que sou anjo, por ser mãe
Mãe que sobrevive, apenada, em cárcere meu
Cuida-me um filho que amo, calado, ausente, impaciente
Nada reconheço entre as paredes que afirmam ser meu lar
Não sei dizer a exata cor das paredes de meu quarto
Olho-me no espelho... não sei dizer quem ali se reflete
Sigo os dias a velar as horas, ao pé de uma janela vazia
Horas e dias que passam sem me notar, sem nada contar
Durmo e acordo em desalento, tendo ao alcance leite e água
Deixados pelo filho, que, por vezes, soturnamente me visita
Adormece em mim, a razão, quereres... incompreensões
Me fogem lembranças, desaprendi a me amar, a sorrir
Convivo com meus temores, meus fantasmas, meu eu
Temo a chegada do filho que amo e se dá a machucar-me
Trago marcas em meu corpo, que se renovam
A cada aperto, a cada saculejo, a cada dia
Fia ele que não compreendo-lhe a impaciência
Que não me dói seu estado colérico de me cuidar
Me sinto descartável, írrita, sem valia, enjeitada
Anulada em princípios, convencida que inexisto
Que sou aquela agraciada com a maternidade
Que não sabe em que momento tudo deu errado
Temo a visita de meu filho, meu intolerante algoz
Não tenho forças para reagir, se tivesse, não o faria
A fome, a sede, a solidão, marcam meu corpo e alma
Em aceitação, me convenço a perdoar e me cobro calma
E se eu desistir?
Não querer mais existir
Não vai poder insistir
Pois não vou querer discutir
O meu rumo já estará tomado
Tudo isso por nunca ser amado
Apenas ser usado
Estou muito desanimado
Pra você sou apenas um objeto
Estou muito quieto
Fingindo que tudo está certo
O que eu achei que era amor
Era ilusão
Você apenas brincou com meu coração
E foi embora me deixando aqui
Nessa humilhação
Apenas quero chorar
Meu coração está a sangrar
E você está apenas a ignorar
E agora pode comemorar
E se eu quiser morrer?
E você vai dizer
"Ah, mas foi sem querer"
Mas você sabia que meu coração
Estava a doer
Você sabe que eu estou entrando
Em uma depressão
Mas essa era sua missão
De machucar o meu coração
O passado é uma coisa que te cerca, te acha e te esculacha
Aquela situação que te feriu, te deixou abalada e insegura e você jura que não te incomoda
E quando menos espera, aquilo toma seu ser por completo... e nos acariciamos e nos tratamos de uma maneira fofa, e não funciona, não achamos uma bendita saída confortável...OOOh