Poemas Góticos

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⁠Apenas Decepção

Um triste esperado retorno
Não houve se quer intenção
Dos tempos perdidos quem faz
Esquece a mão que te traz
Recebe percebe ingratidão
Se culpá e entende a lição
Sem muito a distância levou
No vento perdido ficou
Não volta o destino jogado
O tempo encontra o errado
Lembra não perde a noção
Foi apenas uma decepção

Inserida por SilvioFlamel

⁠A primavera acordou o
jardim em flores alegra
os dias ensolarados, as
estações não é lar triste
nem dorme com a dor.

Inserida por Raimundo1973

Se nasci ou vivi poeta, não sei, mas sei,
Hei-de morrer como os poetas,
Triste, só e vencido!
Só me resta aceitar o meu destino ...

Inserida por Eliot

- À TOA -
(Para o fado das Horas)

Se eu morrer de madrugada
Numa cama só e triste
Não te esqueças minha amada
Nem de mim te despediste.

Se eu morrer em noite escura
Numa casa sem janelas
Não te esqueças, com ternura
Junto a mim, põe duas velas.

Se eu morrer em dia claro
Numa rua da cidade
Esse dia será tão raro
Deixarei em ti saudade.

Mas não vou por ti morrer
Quero mais acreditar
Vou esperar, não vou esquecer
A promessa qu'irás voltar.

Inserida por Eliot

- SOL TRISTE -

Nos braços do sofrimento
tudo é nulo, tudo é vão,
e é em vão o pensamento
que dá voz à solidão ...

Sol triste dos dias meus,
dá luz aos meus cansaços,
traz-me novamente Deus
p'ra que eu durma nos seus braços.

Mas se vier a Primavera
e eu já tiver morrido,
(ai Senhor, ai quem me dera)
nestes versos estarei vivo!

Já que a dor está no sangue
esconde ao menos quem a fez
p'ra que a Alma sempre cante
mal lhe doa outra vez ...

Inserida por Eliot

- Um Amor que já foi quente -

É tão triste sentir frio
aquele amor que já foi quente
como pedra junto ao rio
que não lhe fala nem o sente.

É vê-lo tão distante
embrenhado em fantasia
numa angústia que é constante
seja noite ou seja dia.

E há vazio, há impotência,
não saber o que falar
pois perdeu-se da essência
da pessoa a quem amar.

Nunca prendas quem quer voar
dizia sempre a minha avó
porque o amor não faz chorar
não dá pena nem faz dó.

Pois que siga à vontade
quem te quis e já não quer
ninguém morre de saudade
Venha sempre o que vier!

Inserida por Eliot

Como estou triste -

Como estou triste na indiferença deste amor,
Na alegria desta dor que me fez por ti sofrer,
Na lonjura das Marés, num turpor
Tão imenso que me faz anoitecer ...

Como estou triste por não ver o teu olhar
A passear-se no silêncio das manhãs,
Por não saber se algum dia irás voltar
Ou por sentir que a minha esperança é coisa vã.

Como estou triste, ó Deus, como estou triste,
Por tudo o que vivi, por tudo a que me dei ...
E porque teimas coração, porque insistes
Que continue a passar por aquilo que passei?!

Como estou triste p'la aurora que não chega,
P'la noite que não finda, por este mar
Que nos separa , p'lo amor que não sobeja ...
Como estou triste por não saber se irás chegar!

Inserida por Eliot

No dia em que tu Partiste -

⁠No dia em que tu partiste
o meu corpo só e triste
adormeceu na cama fria;
e no silêncio em solidão
afoguei meu coração
naquela casa vazia!

No dia em que tu partiste
dos meus olhos me fugiste
vesti noites e cansaços;
fiz dos cravos o teu leito
plantei rosas no meu peito
e adormeci no teu regaço!

No dia em que tu partiste
foste embora, nem sentiste,
quanta dor ficou em mim;
quis a morte por destino
quis o fado por caminho
não te esqueço mesmo assim!

Inserida por Eliot

Procissão dos Passos -

Do Espírito Santo sai a procissão
o povo triste vai calado
Calado e triste em cortejo ordenado
triste calado o Senhor ensanguentado!

Entardecer ... sombras vacilantes
caminham p'la cidade sem vacilar
negro vestir, magoados caminhantes
avançam pela luz crepuscular.

A banda toca com empenho
desce o pálio roxo sobre o Bispo
nas ruas só há espanto pois é visto
que o Prelado leva o Santo Lenho.

Adiante os Martirios do Senhor
as Aias de Braçadeira roxa
nas alas os fiéis cheios de dor
choram, pedem, rezam com fervor.

E aonde irá Jesus
nestes Passos do caminho?
É imensa a sua Cruz
seu manto roxo de arminho!

Na Praça do Encontro
sua Mãe espera de rastos
encontra o Filho em tal estado
fica seu peito trespassado.

Segue a procissão! Passos tristes e inteiros
ordenados por Évora amargurada
marcha o povo contristado em oração
como a noite que antecede a madrugada.

(Dedicado à solene procissão do Senhor Jesus dos passos de Évora)

Inserida por Eliot

⁠A Treva Obscura e Densa -

A minha Alma ignota e agreste, sempre triste,
incapaz de procurar felicidade e alegria
nas demandas que vive, em que persiste,
deleita-se nos versos e na poesia ...

Traz consigo a treva obscura e densa
a profundeza da dor que se perpetua
eterna, prolongada, palpitante, extensa
e a vida que à sua volta continua ...

Eu sou angustia, desalento e mágoa
sou um espelho sem reflexo em parede fria
sou o rio por onde já não passa a água ...

Já não tenho uma familia de pertença!
E porque sou ignorado dia-a-dia
sou silêncio ... sou a treva obscura e densa.

Inserida por Eliot

⁠Da minha voz -

Da minha voz cansada e triste
nasce um grito de amargura
que na imensidão persiste
e se transforma em água pura!

Da minha voz cansada e velha
nasce tudo o que não vejo
da melodia mais bela
à ternura de um beijo!

Da minha voz densa e gasta
nascem palavras ocultas ...
Do que fica, do que passa
apenas restam as culpas!

Nada mais me veste o corpo
quando for a minha hora
hoje vivo, amanhã morto
porque a morte não demora!

Inserida por Eliot

⁠Quinta do Malhão -

Saudade, triste saudade,
me ficou no coração
daqueles campos sem vaidade
da Quinta do Malhão ...
Nogueiras, altas Nogueiras,
se erguiam naquelas terras
campos longos de laranjeiras
povoados de tristes pedras!

Ai saudade, triste saudade,
do cheiro a terra lavrada,
da sua infinita bondade
ficou minh'Alma marcada.
Recordo ainda aquela Nora
e seu triste Coração,
os alcatruzes eram fora
chorava a Quinta do Malhão ...

Tanta sombra, tanta Paz,
tantos sonhos e fantasias ...
Quando eu era rapaz
tinha a Alma cheia de Poesias!
E na terra macia
adormecia no chão,
voa, voa Poesia,
sonha, sonha Coração,
era assim que eu vivia
na Quinta do Malhão!

E os primeiros Amores
que minh'Alma encerra
nasceram como as flores
na memória daquela terra ...
Cada canto mos recorda,
cada tronco, a minha infância,
mas sinto ainda uma corda:
apesar já da distância,
passa sempre e morre um beijo
nesta memória em cadência ...

E das Nogueiras, folhas secas,
folhas secas, folhas mortas ...
No chão caidas, que m'importa
se secas estão as folhas mortas!
Nogueiras, altas Nogueiras,
Laranjeiras e Figueiras
que em criança me vistes,
já não podes agitar as altas franças,
guardai então os sonhos tristes
desta triste criança ...

Inserida por Eliot

Procissão dos passos -

⁠Do Espirito Santo sai a Procissão,
o povo triste vai calado,
calado e triste em cortejo ordenado,
triste calado, Nosso Senhor ensanguentado!

Entardecer de sombras vacilantes
que caminham p'la cidade sem vacilar,
de negro vestir os magoados caminhantes
avançam entre a luz crepuscular.

A banda toca com empenho,
desce o palio carmesim sobre o Bispo,
nas ruas o espanto do que é visto,
o Prelado leva o Santo Lenho!

Adiante os Martírios do Senhor,
em seguida as Aias de braçadeira roxa,
nas alas os fiéis num só clamor
choram, pedem, rezam com fervor ...

E onde irá Jesus
nestes passos do caminho?!
É imensa a sua Cruz,
seu manto roxo de arminho!

Na Praça do Encontro
está a Senhora de rastos,
encontra Cristo num tal estado
que seu Coração fica trespassado!

E segue a Procissão! Passos ordenados e inteiros
p'las ruas d'Évora amargurada,
marcha o séquito, intimo, calado,
até ao momento derradeiro...


(À penitencial Procissão de Nosso Senhor Jesus dos Passos realizada pela real Confraria dos Passos da muy nobre e sempre leal cidade de Évora...)

Inserida por Eliot

⁠Mágoas Intimas -

Quando recordo
a mocidade,
vem-me à
lembrança,
aquela triste
criança de
tenra idade
no tempo
da infância!
E recordo o
sonho que me
jazia
numa única
ganância.
Ver-me ao
longe,
bem distante
daquela
infância!
Gritos que
soltei em
desajustes
tão crueis,
coisas que
passaram
em casas
que desabei!
Tantos sonhos,
tanta gente
em mim matei!
Mas matei!!!
Juntei as mãos
e rezei!
Foi assim
que suportei!
Pobre criança!!!
Acreditei!
Senti-me
folha-de-pael,
não-escrito,
em branco,
sem linhas,
proscrito ...
Fui poema
inacabado,
passaro ferido,
morto, desgarrado!
Sem tino nem
destino!
Coração perdido,
sangrado,
rosto escondido,
marcado!
Ser distante,
infeliz,
magoado ...
Fantasma triste,
vindo do passado!
Arcanjo sem
asas, depenado!
Passaro caido,
alado!
Mas houve
um dia
que vooei!
Fui p'ra lá
daquela infância,
daquela mocidade,
e hoje, já não sou
a pobre criança
que outrora
sofreu a dor
daquela idade ...
E essa gente,
Seres tão castos,
ainda mente!
É gente
que ressente
e permanece,
fria e austera,
perto e distante ...
Coitados!!!
Coitados!!!

Inserida por Eliot

⁠Quadra Ausente -

Ausente e triste perdido se ressente!
Assente-se perdido, ausente e triste!
E porque se assente tão ausente?!
Ausente e triste assente-se perdido ...

...........triste ......................
e............................ausente....
.....perdido............................
..................se......ressente......

E não é de ninguém! Infinita solidão ...
Ninguém lhe é ou pertencera!
Só quer Amar! Triste contradição ...

Ninguém o quer! Não há perdão!
Queimou na vela, derreteu na cera,
quadra ausente na cinza do chão!

Inserida por Eliot

⁠20 Anos -

Quando tinha 20 anos, triste-idade,
idade-triste, 20 anos penitentes!
Cardos me feriam, silvas no caminho, olhos crentes,
só eles me amparavam na saudade ...

Tão novo, pejado d'ansiedade.
20 anos - quanto falta p'ra morrer! -
E rezei ... rezei p'ra morte me envolver
no sofrer daquela mocidade ...

Meu corpo, esguio, de setas cravejado,
Coração ferido, pela Vida alvejado,
aos 20 anos, já não tinha Vida nova!

Nem eu sabia o que era Vida
nem ela se me via colorida!
Com 20 anos só me queria ir à cova ...

Inserida por Eliot

⁠No Altar de Deus -


Disseram-me certa vez:
quando um dia tiveres triste, põe,
no Altar de Deus, se crês,
as tuas aflições ...

É a grande dignidade
que ao Homem assistirá,
única integridade
que sempre o salvará!

E assim é, assim será!
Vem a morte, vem a Vida
e nada o destruirá!

Passa a dor, vem agonia, vai lamento,,
e sua ilusão, coração, Alma perdida,
sempre encontra novo-alento ...

Inserida por Eliot

⁠Psicografia -

Triste, só, aqui, sem ti,
olhar vazio e nada mais,
em que tempo te perdi,
diz-me aonde vais?...
Triste, só, aqui, sem ti,
olhar vazio e nada mais!

Dolência fria em meu corpo,
suplício aceso na saudade,
mar-alto sem ter porto
sem tempo nem idade!
Dolência fria em meu corpo,
suplício aceso na saudade!

Tristeza sem destino,
agonia e quebranto,
foi-se a Vida, vai-se o tino,
fica a Alma neste canto!
Tristeza sem destino,
agonia e quebranto!

Inserida por Eliot

⁠Triste Desengano -

O pior Tempo que vivi foi a Juventude ...
Impasses de solidão, expectativas e desejos,
tudo informe, deformado, sem plenitude,
num Tempo de fantasia e ensejo!

Sou mais antigo que o meu corpo ...
Não encaixo nesta Vida, intensa, concebida
além de mim, tão perto e tão longe, morto
numa infância, juventude deprimida!

Sou cadáver exumado, pronto a sepultar,
num chão salgado, sem destino,
p'ra não correr o risco de tornar ...

Alma viva em corpo morto - triste desengano!
Ó Deus é tão triste o meu destino
que o meu destino só pode ser engano ...

Inserida por Eliot

Intima Impotência -

(⁠Diálogo da Personalidade Com a Alma)


O dia triste e pesado amanheceu!
"- Onde foste Ricardo?!" Escutei e tremi ...
Fui ali pedir a Deus
que me deixasse morrer, respondi!

"- E porque vens tão triste,
absorto e solitário?! Vens a tremer!"
Porque Deus me disse
que tenho muito que viver! ...

"- E isso é mau?!"
Não. É triste. Perturbador ...
"- Porquê se és tão novo?!" Não há idade p'ra minha dor!

Para mim, viver é morrer e morrer é viver!
"- Ó Poeta sonhador, aos 20 anos,
tão confuso e sofredor ..."

Inserida por Eliot