Poemas de Realidade

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A propaganda não precisa alterar os fatos para alterar a realidade percebida; basta decidir quais fatos merecem ocupar a memória.

A comunicação pode ampliar o horizonte humano ou construir uma realidade suficientemente estreita para que nenhum horizonte seja percebido.

No Brasil, a Constituição protege a fé, a ciência investiga a realidade e o agnosticismo recorda que aquilo que não podemos demonstrar talvez devamos apenas admitir que não sabemos.

A ciência testa hipóteses contra a realidade; o Direito testa argumentos contra a Constituição; o agnosticismo testa a própria pretensão de saber contra os limites da evidência.

O costume transforma o improvável repetido em realidade psicológica e, depois, a realidade psicológica em dogma.

Tampouco confundas consenso com realidade: muitas vozes podem repetir simultaneamente o mesmo equívoco.

Uma convicção pode ser tão confortável que até a realidade passa a parecer inconveniente.

O mundo que conhecemos não chega à consciência em estado bruto; entre a realidade e aquilo que acreditamos ser realidade existe sempre a estrutura de nossa própria percepção.

Aquilo que chamamos de realidade já chega à consciência organizado por formas de percepção; conhecer também significa compreender os limites daquele que conhece.

A serenidade começa quando a consciência deixa de exigir que a realidade obedeça permanentemente aos seus desejos e aprende a distinguir entre aquilo que pode transformar e aquilo que precisa compreender.

Mesmo quando a realidade parece sonho, a consciência do pensamento permanece como testemunho de que alguma coisa está acontecendo dentro daquele que pensa.

Onde existe uma realidade, a razão procura também compreender por que ela existe; conhecer o fato sem investigar sua razão é interromper a investigação antes de seu fundamento.

A verdade não se encontra em um fragmento isolado da realidade; ela emerge quando conseguimos compreender o conjunto de relações que dá sentido às suas partes.

Aquilo que é racional procura tornar-se realidade; aquilo que se torna realidade revela, por sua vez, quais forças efetivamente governam uma sociedade.

A verdade nasce do encontro entre aquilo que a realidade é e aquilo que o intelecto consegue compreender sem deformá-la.

Compreender verdadeiramente uma realidade exige investigar suas causas; conhecer apenas o efeito é conhecer o acontecimento sem compreender sua estrutura.

Aquilo que recebemos da realidade é inevitavelmente interpretado segundo os limites, capacidades e categorias daquele que conhece.

A ignorância torna-se perigosa quando transforma uma interpretação parcial da realidade em uma verdade absoluta e passa a exigir obediência em nome dela.

Quanto mais a consciência compreende a necessidade que estrutura a realidade, menos precisa de ilusões para chamar sua própria compreensão de liberdade.

Nossas ideias não são necessariamente reflexos perfeitos da realidade; são construções do entendimento que precisam ser examinadas pela razão.