Poema da Fome
Quando bater te a fome
E abrires o armário
E veres que somente tens pão e manteiga
Não reclameis
Pois há muitos que nem isso tem.
Mesmo na queda lado a lado Oxossi e Exú
Matando a fome a adoidado, ração é angu
Tá pro governo carniça, dinheiro urubu
Humanidade, sem depender da Onu!
Nesse exato momento
Lá fora, no frio e no vento
Nossas crianças morrem de fome
Num piscar de olhos
Mais uma que some
Minha barriga ronca, a fome me apetece
Já jantei a tua mente, enquanto a minha amortece
Dom da palavra e atitude só tem quem merece
Manda quem pode, e que pode mais desobedece
POMBA - TROCAL
Não mais arredias...
Pombas na praça pousam;
A implacável fome amacia,
Ariscas aves que não voam.
Ruídos e ameaças
Não mais as incomodam.
Viver é a maior vontade...
E ao enganar a fome na cidade!
Vão-se, em bandos,
Enganadas...
Perseguidas,
Desejadas,
Caçadas,
Comidas.
Subtraem de fétidos recipientes
Energias provenientes
Do ambiente natural,
Dos transeuntes.
E em leves voos,não tão ditosos,
Rompem a força gravitacional,
No caminho inverso
Ao repouso;
Para refazer no dia seguinte...
No espaço marginal,
Entre pedintes,
Um novo recomeço;
Pois também no mundo real,
Da pomba-trocal,
A vida têm um preço...
Nemilson Vieira de Moraes - 16.01.16
Há um momento tão nosso
Que o melhor apetite que temos
É a fome que nós sentimos.
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Então ta né...
Um dia destes varado de fome fui comer um churrasco em um bolicho a beira da estrada, lá pelas bandas do Alegrete.
Um Velho, cor de cuia judiado pelo tempo, virava o espeto sobre o braseiro de carvão. Ao me ver chegar começou a falar...Sabe piá, a um tempão atrás num inverno destes de renguear cusco, o capim estava molhado pela umidade do sereno e deixava escorregadio o campo para o trote do cavalo. Um certo gaudério que levava o gado de uma invernada para a outra, a procura de melhores pastos, cavalgava com cuidado quando, de repente o tempo fechou, mas num instante a escuridão foi alumiada pelo clarão de um raio que cortou o céu atingindo em cheio um novilho. O bicho deu um berro e saltou cerca de uns 2 metros, mas como a desgraça não vem só, o animal escorregou no campo molhado e de cabeça, bateu na bota do gaudério, tonteou, revirou os olhos e caiu esparramado no chão, mortinho. Contam que foi neste dia que surgiu a expressão: "Bateu nas Botas" que ao passar dos anos ficou "bateu as botas". Já o gauderio assustado com o ocorrido mas sentindo o cheiro do gado assado pelo raio, não deixou por menos, com uma baita fome pois a dias percorria o campo tocando o gado de um lado para o outro, só com um pedaço de charque para comer, experimentou a carne tostada, mal passada e gostou. Nasceu assim o churrasco. É o que dizem...
Fome de saudades...
Eu nunca te toquei e a saudade vive em mim.
Nunca te olhei de perto e a saudade vive aqui, a trazer teu cheiro...
Eu nunca disse te olhando: eu te amo.
Só escrevi palavras de exagero...
Mas sinto fome de saudade de ti.
Cibely, pensando e com fome...
Fome
A muito os pés não encontram o chão.
O único movimento que lhe resta
Apenas o leva a ver definhar seu irmão.
Enide Santos 08/03/2016
DITADURA
que o nosso povo
não mais passe fome
de se expressar
pela imposição
da censura
de um regime
militar
Quando estou com você nao tenho fome
Pois a sua companhia e o seu sorriso me alimentam
E nao nada que eu ame mais do que estar ao seu lado, sentindo seu cheiro e o calor do seu corpo junto ao meu..
Impactante aquela voz gritando no megafone:
-Tenho fome!
- Tenho fome!
- Tenho fome!
Voz sem cor, sem sombra, sem nome
Em meio a olhares tortos
palavras santas
liquidações tantas!
Confissão de solitário
Me alimento da fome.
Meu amigo é o tempo.
Respiro as fumaças das noites.
Tusso o vazio das águas, sem nada, dos meus pulmões.
Enxergo, quando enxergo, é apenas para me localizar no pântano frio de almas negras.
Meu interior é vazio, vago para qualquer corajoso passar.
Não tenho coração, se tenho, é de pedra.
Sou como a alma solitária, que quer ajuda, porém assusta...
Quando saio, chove.
Quando sorrio, e se sorrio, é de tanto chorar.
Sou o resto das queimadas de lugares tenebrosos.
A maioria das pessoas parece considerar o medo relacionado sempre com acidentes, enfermidades, fome, assaltos, etc...Na realidade, esses fatores são relativamente raros. Logicamente, essas coisas são temor, porém, como causas de medo, na realidade, poucas vezes são encontradas no individuo comum.
O medo, de modo geral, provém de uma série de causas diferentes – o medo de desagradar, o medo do ridículo, o medo de ofender, o medo da incompreensão o medo da desaprovação, o medo de ser criticado, o medo de ser dominado, o medo da solidão.
O medo mais extremo que se observa nos indivíduo, o medo que nos incapacita totalmente, não por minutos ou por horas, mas por meses ou anos, é o “medo do domínio”
Entre a faca e o queijo
Adélia Prado escolhe a fome.
Eu, amante de um farto prato
Não quero nem faca nem queijo
Prefiro o fazendeiro...
Não sou insensível às dores do mundo...
Não ignoro a fome das crianças da África,
nem fecho os olhos aos refugiados;
às vítimas de guerras
e nem às catástrofes ao redor dele.
Muito pouco posso fazer para resolver isso,
além de uma pequena contribuição...
Mas, está ao meu alcance auxiliar a quem sofre
aqui na esquina da minha casa.
Basta olhar em volta
e terei inúmeras possibilidades e formas
de contribuir na construção
de um mundo mais justo e digno.
Observando sempre o silêncio
de quem auxilia sem alardes .
Cika Parolin
Fome
Aqui jaz a racionalidade
O homem já não tem mais sanidade
Sem mais integridade
Os amores o controlam
Ele vê um pedaço de esperança
A devora com toda confiança
Foi um dia difícil hoje, diz o homem
Vai ser pior amanhã, lamente em sua mente...
Ele para de repente
Com um homem em sua frente
Assustado como um cão,
Pede mil vezes seu perdão
Na parede ele encosta
Sem olhar, sempre de costa
Palavras voam em sua direção
Mas ele fica sem resposta
Seu motorista abre a porta
O mordomo o guia
Ele adentra na traseira
Não vai ver mais a luz do dia
Ele foi para sua mansão
Com o segurança o guiando,
ele entra em seu quarto,
e tranca-se la dentro,
pelo resto da história,
somente lamento
O político.
Seu político brasileiro
aqui a fome se escancara
quebraram o país inteiro
numa doença que não sara
roubaram o nosso dinheiro
mandaram para o estrangeiro
e zombaram da nossa cara.