Pobre
Somos gente.
Pessoas de todos os tipos
Baixo e alto, gordo e magro,
bom e mau, rico e pobre.
Somos igualmente pessoas,
seres humanos.
E temos direitos,
Direitos humanos.
celulose
sou apenas de almaço ou sulfite
onde se escreve, o pobre e a elite,
usando impressão, caneta ou grafite.
não posso dar palpite,
este conto jamais é bipartite
e para papel também há limite.
não participo de casamento ou desquite,
sou apenas aquele que transmite
uma história, um texto ou o convite.
desejo que você acredite
e se possível me facilite,
apenas viva, escreva ou digite.
se errar, não se irrite,
tenha calma não grite.
apague, reescreva, reedite.
se amassar e rasgar, não hesite
lembre-se e evite.
venho da celulose e não da celulite.
O rico não é mais feliz que o pobre.
O pobre não está pior do que o rejeitado.
E o renegado só se vê assim, quando não crê em algo maior do que todos nós...
Era uma vez uma ovelha que cobriu-se com pele de lobo para sobreviver. E como têm sofrido essa pobre, tendo de lutar diariamente contra seus extintos de bondade.
Nada nesse mundo quebra tão bem quanto um coração. Pobre coraçãozinho que és fortemente frágil, exatamente como um diamante. É verdade, nada quebra tão bem como um coração, e o meu, tadinho, foi estilhaçado, atingido, como se fosse uma janela de vidro acertada pela pedra lançada por um menino matreiro.
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Nada quebra tão bem como um coração. Não sei se vocês gostariam de ouvir isso, mas acredito até que eles foram feito para isso, para explodirem em um bilhão de pedacinhos minúsculos e fazerem um silencioso barulho colossal.
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Quando ele quebrou meu coração, foi como a explosão de uma bomba nuclear, ensurdecedor, mas só eu ouvi.
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Sabe, o pior de tudo isso não é nem a grande e desesperadora dor de ter seu coração quebrado, o que vem depois disso é muito pior, continuar vivo sentindo-se vazio por dentro, oco.
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A própria voz em um eco infinito vagando pelo seu corpo, ouvindo apenas o tilintar dos cacos se batendo e perfurando o peito, isso dói tanto e com os anos a gente entende que corações realmente foram feitos para serem partidos e consertados, vez por vez, e ele nunca ficará igual o que ja fora, ora, meu pobre coraçãozinho já tivera tantas formas diferentes.
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Assim, eu junto todos os caquinhos, cortando a palma das mãos e as pontas dos dedos e desses pequenos cacos, eu o transformo em uma grande escultura, faço do meu coração quebrado a minha obra de arte mais valiosa. Não podemos nos impedir de sentir dor, mas podemos escolher o que fazer com ela.
"E melhor ser pobre e viver na simplicidade, do que ter tudo e não ter nada! Ser rico, ter dinheiro, mas sem felicidade!"
EU PASSARINHO
Desolada, sofre o pobre ser.
A dor teima e queima devagar aquela alma.
O sofrimento adentra os sonhos e os desarruma,
De novo, impregna-lhe as narinas, quando já é dia.
E assim, como num vício, a tristeza a acompanha pela repetição enfadonha das horas.
De longe, assiste tudo o amor amigo.
Pensa: é dor de amor apaixonado, é dor de perda, é dor de luto, é dor...seja que dor for, ele conclui, é grande a dor.
Não há o que fazer, reflete consigo consternado.
Já se ía dando as costas, quando resolveu voltar.
Nada tendo o que dizer, sorriu encabulado.
Estendeu os braços e a abraçou bem apertado.
O ser sofrido chorou...chorou...chorou.
Enquanto isso, o abraço amigo a envolvia mais e mais e mais.
Na esperança que não lhe esvaísse a vida, permaneceu o amigo ali parado.
Sem dar conta das horas, pode perceber qdo ela aprumou a fronte.
O que viu foi um rostinho amassado, olhos vermelhos em semblante pálido.
Porém, tudo parecia mais leve agora.
Na boca trêmula do serzinho envergonhado, um ensaio de sorriso. A voz dócil, quase inaudível, deixa escapar, com dificuldade, um muito obrigada bastante atrapalhado.
Despediu-se o amor amigo e se foi.
Naquela noite, ela adormece tranquila.
Sonha com braços lhe envolvendo os ombros.
Protegida naquele abraço, vê um casulo que se rompe numa linda borboleta multicolorida.
A borboleta ganha o céu.
Seus olhos... distraídos... acompanham o vôo do bichinho, enquanto seu corpo se aninha naquele abraço afetuoso.
De repente, a voz a chama pelo nome e diz: --Aquela borboleta é vc.
Ela sequer estranha a afirmativa. De fato, aquele abraço lhe fez voar.
-E vc, quem é? - Ela pergunta.
A voz responde:
-Sou quem te quer bem.
Então, a moça desmonta em desabafo:
- Estou tão decepcionada e com a alma aflita...Foi-se embora o meu amor.
-Quem ama, não abandona. Nunca foste por ele amada - argumenta a voz com convicção.
Percebendo que os braços se distanciam, a menina se desespera.
-Não me deixe vc tbm. Como poderei ter de novo esta sensação tão boa do seu calor? Onde poderei sentir novamente esse seu amor? - Ela pergunta ansiosa.
Já longe, mas tão nítida, a voz revela:
_O meu amor nunca encontrarás em mil beijos apaixonados, mas sempre o terás em um abraço amigo.
O serzinho acordou radiante, sonhou algo, mas não lembrava o quê. Apenas sentia-se amada naquela manhã.
O coração estava aquecido por um calor diferente, não lhe parecia passageiro, como das outras vezes.
De repente, se viu cantarolando uma música que nem é do seu tempo:.. são as águas de março, fechando o verão, é promessa de vida no seu coração…
Ao longo da manhã, vieram à lembrança flashes do sonho que teve. Eram partes desconexas de um todo que não conseguia juntar. Acha que sonhou com uma borboleta colorida. E sonhou com a voz firme, disso tinha certeza. Dizia algo belo e importante. Mas o quê? O quê???
Como se busca uma fresta de luz em túnel escuro, ela franzia a testa e forçava a memória. Percorria alucinada o tempo num giro anti horário, para reviver a sensação do melhor sonho de sua vida. Até que…pufttt...um clarão eclodiu na desejada anamnese. Lembrou, enfim. A voz era um amor amigo!
Naquela manhã, descobriu quanto tempo perdemos, insistindo em pessoas, situações ou coisas que só nos abrem feridas. Quantos braços e abraços são cárceres...Contudo, o mais interessante foi descobrir que somos nós quem nos aprisionamos ali e, não, o outro, porque é nossa a escolha de permanecer.
Já o calor de quem ama de verdade é diferente, não queima, não arde. É um bem-querer comprometido, em cujos braços vc se sente protegido, no aconchego de um abraço que só lhe traz a paz. Um abraço tão apertado e ao mesmo tempo tão libertador, do tipo que te permite voar, ir e voltar, para sentir de novo, e mais uma vez, e novamente, e sempre, o mesmo amor. É um abraço de um amor respeitoso, que considera o que você quer e quem você é, considera a sua forma e admira o colorido das suas asas.
Já o amor apaixonado é criatura efêmera, é intenso e louco, porém tão raso. Por ser quente e voraz, está sempre sedento de mais e mais calor. Nada nunca o satisfaz. E no êxtase dessa busca, ele se auto consome, se dissipa e morre, deixando um rastro de decepção por onde passa.
Então a menina, enriquecida em suas reflexões, antes mesmo de tomar o café da manhã, passou a mão no celular e ligou para o amor amigo:
-Quer almoçar comigo hj?
O rapaz aceita prontamente, mas percebe q a moça está diferente, tem vida na sua voz. Por curiosidade pergunta:
-O que deu em vc para se lembrar de mim?
Ela riu:
-É que, acredite vc ou não, dormindo, eu acordei!
Enfim, a vida é mesmo assim, nem tudo que reluz é ouro, já diziam nossos avós. Uma hora a gente acorda e reconhece o a(braço) certo.
Num diálogo à moda Mario Quintana, diria o amor amigo ao rival apaixonado (numa gargalhada que beira a vingança):
Vc passará e EU PASSARINHO!!!
Mônica Arêas
Incompletude
Minha maior riqueza
é a incompletude
sou rico de fraqueza
e pobre de vicissitude
Porém, sou de solicitude
busco total franqueza
ao outro não sou rude
ao gentil, gentileza
E neste vivo açude
bebo estranheza
sacio, talvez mude
saia da tristeza
pra alegria, amiúde
Mas, não serei lassitude
só por não ter grandeza...
Mesmo inacabado, eu pude
no amor, ser eu, ter pureza
Almejando sentido na finitude
com liberdade, com leveza
Luciano Spagnol
Maio, 2016
Cerrado goiano
Vivemos em um mundo de rótulos onde a sociedade: rótula a menina pobre que ta saindo com menino rico, como interesseira. Rótula o menino que anda com amigas mulheres, como gay. Rótula as pessoas que têm amizade namorando, como infiel. Rótula o que vai na igreja, como certinho. Rótula quem estuda, como cdf/nerd. Rótula o que lê e se informa, como “careta”. Rótula o desejo de ter, como inveja. Rótula a menina que corta cabelo curto, como lésbica. Rótula quem repete roupa, como mendigo. Rótula se você é gordo, como quem come demais. Rótula se você anda bem vestido, como riquinho. Rótula se você diz o que pensa, como grosso. Rótula se você chora, como dramático. Não deixem que coloquem um rótulo na sua vida. A liberdade vale mais que os padrões. Ultrapasse os muros impostos.
Cristo não era uma pobre vítima na cruz. Ali Ele não estava sucumbindo, pelo contrário, estava vencendo a morte.
Pai! O que é guerra?
- É um “brinquedinho” que os poderosos facínoras usam matando inocentes pobres para conquistar seus desejos cruéis.
O PT não é o partido que representa os negros, as mulheres, os homossexuais, o trabalhador, o pobre, o Brasil.... Não!
O PT é o partido que representa o próprio PT. Que representa o Lulla, a Dilma e os petistas de carteirinha, nada mais.
Há milhares de negros, mulheres, homossexuais, trabalhadores pobres brasileiros que reconhecem e não compactuam com a ideologia de vitimização da esquerda.
Não é preciso uma pessoa negra pra representar os negros, nem uma mulher para representar as mulheres, nem um homossexual para representar os homossexuais... *Diga-me qual é o pobre que representa o pobre ou o trabalhador que representa o trabalhador na política atual???
O que precisa é gente que saiba representar, agregando e não segregando. Gente que representa trabalhando e não roubando. Gente que não enriqueça ilicitamente enquanto defende de forma hipócrita os trabalhadores honestos e pobres; culpando o capitalismo do qual usufruem (e muito) pela pobreza da nação, numa política de generalização que cria muros e não pontes.
Conscientização liberta, vitimização escraviza.
Lamento
Eu que versejo sem rima,
Ah, pobre de mim!
Sem métrica e sem ritmo
Minha estrofe fica pobre
E pobres dos meus versos,
Que sem rima se perdem
Nas ricas rimas de tantos.
(Versos Livres de Luiz A Vila Flor)