Obscuro
Ao término de um período obscuro sobrevém uma luz poderosa que vai banir a decadência.
Uma força dá movimento que transforma descarta o velho e as medidas se harmonizam.
Às vezes, quando várias ideias somem de minha mente, sinto-me retornando ao mundo obscuro e enganoso no qual um dia morei e não conseguia desvelar...
Nada mais incerto que as massas, nada mais obscuro do que a opinião pública, nada mais enganoso do que todo sistema político.
PENSAMENTO OBSCURO
Sessenta e cinco anos de uma vida...
Não tenho certeza de nada
Por vezes olho para trás, não sei
Se no passado apenas passei
Ou até mesmo a vida plagiei.
Não sei se aproveito a claridade do dia
Com o Sol que me estonteia
Ou da lua quando está cheia
Dando formas ao corpo no chão
Pela sombra do dia iluminado
Ou pela claridade da lua que clareia.
Das brincadeiras de criança
Para a vida não aproveitei
De adulto a vida me decepcionou
Tenho a impressão que metade ofuscou
E a outra metade morreu.
Não tenho certeza de nada
Se um dia me modernizei
Ou o prático que imaginei,
Pelo orgulho não consigo tolerar
Ou carrasco me tornei.
O pensamento voa alto
Como um pássaro de rapina
Se o pensamento fosse concreto
Da vida nada poderia levar
Esse poema para a vida repensar.
Cantem lobos da aurora do tempo,avisem-me do obscuro, mostrem-me o futuro, me deem a sua alma, bebam do meu sangue e seremos um só.
Hermético você
Que faz o que quer, sempre na hora que deseja
Tão obscuro quanto o maior dos nefelibatas
E sujo como Byron em suas noites de tristeza.
Um poema de Correia seria mais decifrável que você,
Que finge estar positivo, mesmo que a facada esteja
Enfiada no átrio esquerdo do seu peito,
Que você se recusa sentir, mas quer que eu veja.
E nas inconstâncias desse poema,
Persigo com a mais dolorosa tristeza
Que persiste em fazer moradia em mim,
Até nas noites de sexta-feira.
Porém, uma noticia tenho a dar-te,
O amor em mim, que faziam montes de tão volumoso
Hoje não daria nem duas cartas, jogo de azar
O amor é uma desgraça.
Assim encerro este poema, com mensagens intensas
E coração solitário, eu, que já te quis do meu lado
Hoje, não lhe desejo mais
E a distância, que era nossa inimiga, é agora o meu assegurar da paz.
A SÍNTESE DA VIDA
Nada
é
irremediavelmente
tão
obscuro,
tampouco
tão
nítido.
Entre
a transparência
e o não
óbvio,
reside
a síntese
da vida.
a lucidez sempre nos interroga... porquê esse vôo até ao obscuro, porquê esse abismo inesperado, essa inquietude que é fogo, esse contar de rugas novas... deixa que te acompanhe a formosura do vento, o correr das fontes azuis, a verdade dos sonhos, despoja tudo o que é dor e deixa-te levar num passo doce, com os olhos duma criança...
Meu querido lado obscuro me instiga a atacar – agora –, mergulhar meus caninos enluarados na carne vulnerável, ah, tão vulnerável, do lado oposto da cerca. Mas ainda não é o momento, e então espero, vigiando minha vítima, que se esgueira, de olhos arregalados, sabendo que algo a observa, mas sem notar que estou aqui, a três passos da cerca. Poderia deslizar facilmente, como a lâmina que sou, e executar minha mágica, mas espero, pressentido, embora invisível.
É ingênuo
Ter certeza de tudo
Dar as costas
Aos possíveis futuros
Dar ouvidos
A pensamentos obscuros
Que justifiquem
Todos os nossos impulsos
em um trago pra morte vejo no espelho um sorriso obscuro.
Com lagrimas nos olhos, pensando nos segundos
segundos para finalmente dormir, não quero morrer...
apenas dormir. Fechar os olhos e ter a falsa sensação de sorrir em um sonho completamente fictício.
Num mundo obscuro
O homem busca sentidos;
Ouvir, olhar, tocar,
E o maior de todos: AMAR,
Num mundo abissal
Vida quer decida suave
Queda sem entraves,
Caindo em água batismal.
Num mundo um tanto torto,
Quer o homem retidão,
Não ser morto,
Nem cair no chão.
Num mundo terráqueo
Na bola terra,
O homem não quer andar em círculos,
Mas estar na doce espera.