O silêncio fala
Na maioria das vezes, o SILÊNCIO fala muito mais que uma enxurrada de palavras. Quem não suporta a angústia do silêncio, não encontra a resposta real.
Érika Andrade Freitas
Às vezes, o silêncio fala volumes e na ausência de palavras, os olhares e abraços tornam-se a linguagem mais eloquente.
Onde se abriga o silêncio
que tantos guardam?
Dizem até que o silêncio fala,
que talvez se expresse
na voz do rio que corre,
no canto matinal dos passarinhos
e no vento assobiando, de mansinho.
Talvez o silêncio esteja
na música distante
ou no poema lírico engavetado.
Talvez se abrigue
nos segredos prometidos
ou no amor e seu gemidos.
Talvez até grite,
mas não é ouvido.
- Existe o silêncio
ou o mundo
está muito distante
para ouvi-lo?
Existe um momento de intimidade com Deus onde até mesmo o silêncio fala mais alto que o som de todas as vozes podem ecoar.
O meu silêncio fala, mas não é o silêncio absoluto. Não é o vazio sem som, sem vida. Ele tem um peso, uma densidade invisível que preenche o espaço entre nós. As palavras que não digo se acumulam como uma tempestade prestes a se formar, mas em vez de se manifestar em gritos, se dissolvem em uma leve névoa, palavras soltas, como fragmentos de um sonho impossível de capturar. Cada palavra que deixo escapar, desprovida de conexão, é uma pista, um fragmento de algo muito maior que ainda não encontrei coragem para compartilhar.
Minhas palavras são gotas de um oceano turbulento que guardo dentro de mim, e cada gota é um pedaço de um segredo que tento proteger das marés da vida. Falo o suficiente para que você perceba que há algo mais por trás do que estou dizendo, mas me contivo, quase como se o medo de ser compreendido me mantivesse ancorado ao chão. Não posso dizer tudo, pois as circunstâncias que cercam minha vida são como correntes invisíveis, segurando as palavras que quero gritar, mas sei que as palavras que não saem podem falar ainda mais do que aquelas que solto no ar.
O meu silêncio fala de um espaço profundo, de um querer que não se atreve a se expressar. O meu olhar revela a batalha silenciosa que travo todos os dias, mas as palavras são um território arriscado, onde a vulnerabilidade mora. Não me expresso no grito, mas na ausência dele, e é essa ausência que deixa tudo ainda mais claro. O silêncio não é mudo. Ele grita de uma maneira que só os atentos podem ouvir.
E você, que tenta entender, talvez perceba algo no meu olhar, ou na forma como me movo. Minhas expressões não mentem, embora também não falem tudo. Cada gesto, cada pausa, carrega um peso que transcende as palavras. Eu espero que você consiga decifrar, mas sei que a chave está no que não digo, no que deixo intocado. O que não é dito, mas sentido, talvez seja a única verdade que posso oferecer.