O Poeta e a poesia
O vento canta um mantra
tão forte como um alarme
mas o vento não é pilantra
ele gosta de fazer charme
Bom dia!
Novo dia mansamente nos chega
e ouvimos do vento um assovio,
dizendo - acordem, vamos à janela,
eis que estamos sob os ares de abril !
Neusa Marilda Mucci
Havia algo no ar, enigmático,
desencontros, um vazio,
seria um adeus?
soando a melodia do cansaço
em compasso final, dolorido,
deixando desafinadas notas
a brindarem em acordes tristes
a saga do que foi, mas que talvez,
nunca tenha sido...
As cores de mais um dia
no horizonte já se apagaram
quisera que também se fossem
as tristezas que deixaram
Quantos corações batem sós
pelo amor que está distante
vencidos pela saudade feroz
que os lancinam como açoites
A noite os pega de jeito
nem sonhar lhes dá a chance
a insônia ronda por perto
e não deixa sonhar com romance
Ninguém merece o sofrimento
de amar sem ser amado
de apenas viver momentos
de sonhos não realizados
Misturo letra com letra
pensando ser um poema
até com alguma estética
para não criar problema
Sou ou não poetisa?
já nem sei a verdade
a minha vida desliza
já passei bem da metade
Gosto muito da escrita
clássica e da popular
as vezes a alma grita
e ninguém vem escutar
Deixo para lá o problema
saio devagar e sempre
nunca entro em dilema
e gosto de toda gente
Se eu virei trovadora
só o tempo dirá
e embora ele corra
tempo sempre dará
Se você a trova leu
muito eu agradeço
é como um carinho seu
mas nem sei mereço
Na estrada um grão de poeira
nas retinas a balançar,
qual pássaro voando rasteiro,
pronto para partir e cantar
As marcas dos passos na terra,
miúdos, sem rumo, cansados,
qual andante sem nenhuma quimera
em busca do que há sonhado
Na boca o sabor de fel e mel
nos beijos há muito guardados,
no coração uma mortalha de véu
cobrindo um amor rejeitado
Parabéns pelo seu grande dia,
a data especial de nascimento,
tenha saúde e muita alegria,
festeje a vida a cada momento!
INDAGAÇÃO (soneto)
Indago se sou só criação
Se sou de fé ou um ateu
Pergunto mais, sou são
Mais e mais, se sou eu?
Nesta túrbida indagação
Não sou coração proteu
Isto sei. Sou afirmação!
Porém quem eu sou eu?
Se ideio na sorte em vão
Finjo da causa não ser réu
Então, cadê minha moção?
Aí pergunto ainda, ao céu
Sou só solidão ou comunhão?
Na dúvida sigo meu cordel...
Há aquele que diga que um poeta é muito profundo e complicado. Profundo: para quem nunca mergulhou nos sentimentos. Complicado: para quem nunca quis entender suas palavras.
Não compete ao poeta narrar exatamente o que aconteceu; mas sim o que poderia ter acontecido, o possível, segundo a verossimilhança ou a necessidade.
O poeta na verdade, faz uma leitura do cotidiano e recheia "sua releitura" com alguns sons do coração.
Platão afirmou que todo homem é poeta quando esta apaixonado, logo um homem que nunca foi poeta nunca amou
Tudo que é belo atrai o poeta, assim todas as mulheres lhe fascinam, contudo, apenas a musa lhe completa, a sua noção errônea de completude.
Já não sei se poeta sou, mera trovadora ou uma simples rabiscadora. O que sei é que tudo isso me enriquece, alegra e sigo em direção ao por do sol. Vou percebendo toda a alquimia que se faz enquanto a brisa toca só para mim, e aqui, aos meus pés em versos jaz...
O poeta escreve, erra apaga, estica alinha a folha, amassa, se excita e rabisca tudo de novo, acaricia a alma em seu papel e na ponta dos dedos, tem piche negro, tem bem-te-vi, mel e frenesi, escreve o que sente o que vive, a poesia com gosto de céu, esse é seu segredo.
Queria ser poeta, escrever para surpreender e incentivar, mãe sou feira de tristeza e escrevo para me aliviar!
O poeta tem o dom do vate, o som dos sinos quando o badalo bate, toca o instrumento do vento, a harmonia das cores no pensamento, um lume de costumes, em resumo, ALMA & CORAÇÃO.
Ler é arte, escrever faz parte. Ser poeta é uma escolha; ser poético é um dom. Ser ou não ser nem sempre será a questão pois o que importa no ontem, no futuro e no hoje; é o que temos no coração!
" Ao poeta não cabe recurso, sua condenação é a incansável busca pelo eterno amor, que por ser utopia, faz do poeta refém do seu próprio desejo...