Noite
Não sei se é amor ou sentimento, o que me punge e me inebria, só sei que penso noite e dia, e não me sais do pensamento. Por amizade ou por amor, por qualquer coisa ou artimanha, esteja aqui ou onde for, o teu sorriso me acompanha..
" Como se fosse o brilho do seu olhar em noite escura sua magnitude de sua beleza, que transmite ao meu pulsar sua imensa, ternura."
Acorda-te
A madrugada ainda exala o cheiro da noite ainda meio adocicado porém já sem aquela intensidade de quando ela iniciou as roupas já começam a receber o cálido perfume da manhã trazendo em mim um misto de nauseá e esperança, talvez toda essa nauseá seja efeito de todos aqueles medicamentos ingeridos isso não posso saber pois tenho andado tão enjoado de certas coisas, que isso pode haver me confundido apenas mais fundo, mais indisfarçável,admito que estou meio consumido embora tente sempre olhar adiante nessa inesgotável esperança que tudo há de melhorar, há sempre em todos nós uma tremenda solidão tentando se preencher por completa, e não sabemos se devemos deixa-lá invadir ou espanta-la nessa estranha ilusão de estrarmos rodeados pelo o mais absoluto nada que é essa vida,preciso novamente reaprender a dormir, dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos, um sono profundamente calmo...sem devaneios, Marcos acorda-te..........nem vou corrigir nem reler.
Toda noite ao fechar os olhos, ainda sinto sua presença. Sinto o seu calor do meu lado da cama, mesmo sabendo que você não está. Sinto o cheiro do perfume que usava, mesmo sabendo que já não é mais o teu favorito. De alguma ao encostar minhas pálpebras, passo a ver uma história, a nossa nossa história, que tinha tudo para ser duradoura e feliz, mas que por descuido e bobeira nossa, não chegou a acontecer. Uma história em que tentávamos de todas as formas, de todos os jeitos, e mesmo assim acabávamos nos desencontrando, nos enrolando e nos perdendo. Tentávamos ignorar, superar, passar por cima e empurrar com a barriga, e mesmo assim nada dava certo. Não tinha jeito, não tínhamos como dar certo. Não fomos feitos para dar certo. Fomos feitos para sorrir, desfrutar, amar, mas não para durar. Fomos feitos para ser aquele amor da vida, que não importa por quanto tempo durou, de alguma forma foi inesquecível. De alguma forma te acompanhará por toda a vida. Você poderá passar por muitos amores nessa estrada ainda, mas sempre se lembrará desse que fez teu coração vibrar. Desse que você rezava para durar. Desse que mesmo longe, mesmo no passado, de alguma forma ainda se faz presente.
UM DIA DESSES
..."Bom mesmo é caminhar descalço na areia da praia à noite, tomar acento na areia branca e ouvir o que as ondas têm as nos dizer; é ver quantas estrelas estão lá em cima no céu, naquele momento, olhando pra você com inveja de não poder fazer o mesmo; é poder deitar se sobre a sombra amena de um jatobá frondoso e adormecer ali por um instante sobre a sinfonia do canto diversificado e harmônico dos pássaros; é poder se desvencilhar de todo e qualquer aparelho que marque o tempo ou o compromisso das horas; é sentir o forte aroma dos eucaliptos inundarem os nossos pulmões e ver todas as cores onde o verde é o grande e soberano rei da abundância. É poder subir em um pé de jambo e comer os frutos dele até ficar triste de tanto comer. Pular a cerca para roubar morangos na casa de um vizinho ou de um desconhecido, mesmo correndo o risco de levar uma mordida de um cão bravo; é tomar um banho em um lugar público em um dia de sol quente de roupa e tudo; é poder colher os frutos fresco de uma horta. Nada como tomar um bom banho de chuva, armar uma rede entre dois coqueiros e tomar uma limonada doce e gelada se bronzeado sobre os fortes e intensos raios de uma lua gigante; assistir um bom filme em uma noite de chuva intensa e fria, em baixo de um edredom de algodão usado e um bom pedaço de pizza quente. Acreditem! Isso não custa um centavo e o que é melhor, isso ajuda a tirar nódoas da alma, sanar dores de cabeça, clarear pensamentos, instigar os ímpetos e fertilizar as idéias. O que de fato vai ser complicado e não menos difícil, vai ser poder depois disso tudo você tentar ou até mesmo ousar descrever esse dia!"... Ricardo Fischer
Dê valor ao Bom dia, ao Boa tarde ao Boa noite, palavras que vivem ao lado do sãbios e generosos. E muito longe dos ignorantes e individualistas.
ele vai te ligar sim.
olha, ele vai mandar aquela mensagem que você passou a noite toda esperando. ele vai te chamar pra vocês verem aquele filme juntinhos. ele vai alegar que, pra você, ele sempre arranjará um tempo. ele vai dizer que você é uma das suas prioridades. ele vai exclamar que sonha em tê-la ao seu lado. ele vai jurar que se arrepende por ter feito aquelas escolhas no passado. ele vai sorrir enquanto diz que a vida fica muito melhor contigo. ele vai bater a cabeça na parede quando se der conta de que suas atitudes anteriores eram, na verdade, precárias, vazias e solitárias. ele vai chegar de mansinho e pedir por uma conversa séria. ele vai sentar ao seu lado e te encarar pedindo por um beijo. ele vai repetir que você pode contar com ele pra tudo, independente de qualquer coisa. hum. será mesmo? não foi assim.
ele vai dizer que nunca te esqueceu.
mas, olha, isso só vai acontecer quando você já estiver bem. quando tiver superado. quando você não sentir mais aquele sufoco dentro do peito. quando não houverem mais lágrimas caídas por causa dele para você secar.
quando você se der conta de que não depende dele na sua vida, ele virá atrás.
porque algumas pessoas são assim.
elas só bagunçam.
só te confundem.
só brincam com o que você sente.
acham que podem entrar e sair da sua vida quando bem quiserem.
ele chegará quando não mais tiver sido chamado.
ele vai ligar e mandar mensagem quando você não mais estiver esperando.
ele vai dizer que nunca te esqueceu quando você finalmente o tiver esquecido.
agora lembra, hein?
você que ficou para juntar seus próprios cacos.
uma vez novamente inteira,
quebre da sua vida quem te quebrou.
No sussurro da noite
No raiar do dia
Peço silêncio
Ouço o grilo cantar.
Inseto, devorador das mentes frágeis,
Manipulador de serpentes
Que semeiam devaneios suspiros e delírios ...
Vejo vultos , Ouço vozes
Tenores a cantarolar, cantas e espantas todos os males
Tua arte é cantar
Que bom se fosse eterno!
Vê-lo partir, dilacerou meu coração, que de emoção
Sangra como o novilho no abatedouro, pingos, gotas sagradas, vinho santo! Criancisse...ócio do ofício fadas a bailar
Ver- te sendo abatido
O teu último bramido ouvi, ouvi e ouvi... teu derradeiro cri cri, o meu ensejo, o teu cantar.
070624
LUA
Numa noite de céu estrelado
A lua nasce, com seu brilho prateado
Iluminando o caminho
De quem anda sozinho!
Cheia, redonda e cativante
Vem vindo a lua
Surgindo no horizonte
Ela, sempre tão fascinante!
Lua nova, em constante transformação
De nossos olhos, acompanhamos a sua evolução
Sempre discreta e com beleza resplendor
Trazendo recomeços e quem sabe um novo amor
Em cada fase de nossa vida
É ela que está presente
E nós faz pensar:
Será que ainda devo continuar?
010724
PEREGRINAÇÃO
Ele...
Ontem, ao cair da noite
Saiu do mundo sem destino
Nem lua, só ele num afoite
Para beber tempos de menino.
Saltou caminhos, subiu montes
E relembrou visões fantasmagóricas
E sons de corujas a beber nas fontes
Das suas memórias pitagóricas.
Cansado, sentou-se numa pedra
Que teimosamente ali estava
Desde os tempos da sua medra
Como marco da sua vida brava.
Viu e chorou o casebre onde nasceu
E o espetro das casas das avós eternas
No vazio de já não ver o céu
Dos tempos de um ontem que morreu.
Meteu pernas de volta, mas não sozinho
Levava então com ele para casa
Naquele breve e longo caminho
Os lugares e rostos dos idos em brasa.
(Carlos de Castro, in Argoncilhe, 21-06-2022)
Quase sempre os olhos são o melhor espelho da alma, sobretudo após a ressaca de uma noite de vaporizações e euforias etílicas.
ATÉ AMANHÃ CAMARADA NOITE
Preso, que nem animais de circos
Em gaiolas sem horizontes
De ferros que cortam de tão frios
Que regelam corpos e mãos
Como águas gélidas das fontes
E matam de fome nos montes
O poeta eremita dos chãos.
Um dia, ele vai quebrar as correntes
Do mal da maldita união
Em que o afundaram na ilusão
De vidas coloridas, tão diferentes.
E quando as grades estalarem
Por força do seu querer,
As águas da revolta soltarem
Os gritos do seu sofrer
Ele vai querer dizer à noite
Do seu acoite:
Até já,
Até amanhã,
Camarada noite!
(Carlos De Castro, in Outeiro de Pena, 23-06-2022)
O VAGABUNDO DAS FOLHAS CAÍDAS
Ando perdido há tanto tempo
Na noite de um amarelo profundo,
Quase cego
Sem meu ego,
Que fará o do mundo.
Sou no tempo, um vagabundo
De olhar iracundo,
E de sonhos quase igual
Vestindo roupa de gente
Mas sempre nu,
Tão diferente
No ser e na mente
Infelizmente desigual.
Mundo, não leves a mal
A distorção dos sentidos
Porque há acessos proibidos
Nesta vida de mortal.
Desejo tanto ser esquecido
Por mim,
Mesmo sem ter ainda vivido
O meio do princípio do fim.
(Carlos De Castro, in Porto, 25-06-2022)
ESCURO
Minha alma só tranquiliza
No negro da noite dos vendavais.
É aí que ela encontra refrigério
No sossego do mistério
Daquela brisa
Que batiza
Hipnotiza,
Acalma
E exorciza
Os espíritos malignos
Nos malfadados signos
Dos mortais.
(Carlos De Castro, in Terra onde não se faz Censura, 04-07-2022)
PLENA MADRUGADA
No calor tórrido da noite
Dos lençóis suados,
Eu fujo para o pátio velho
Cá fora, em plena madrugada.
Ali, eu oiço a cantiga das corujas
Rabujas,
Vejo as estrelas em rodopios
Bailando para todos os lados,
No reluzir dos pirilampos vadios
Prateados e dourados.
Aspiro aquele alísio vento
Quente mas húmido que refresca
O rosto que arde num tormento
De quentura
E formatura
Vampiresca.
A manhã, apanhou-me a dormir
Na velha cadeira
Muito usada e costumeira,
Minha confidente de anos
De tantos enganos.
Meu Deus, como é bom fugir
Aos lençóis do calor dantesco
Meter os pés ao caminho
E de mansinho,
Pela calada vir
Apanhar o fresco,
Cá fora, em plena madrugada.
(Carlos De Castro, in Poesia num País Sem Censura, em 20-07-2022)
SENTIR SEM TI
Senti em mim
Até que enfim,
Que o dia
Quando nascia,
Era já noite para mim.
E assim, em sinfonia,
Se o fosse, eu completaria
O ciclo atroz da morte,
Que de outra sorte
Numa centelha de luz
Que mesmo apagada,
Reluz
Na madrugada,
Momento de enganar a morte,
Eu escolheria.
E daria
As voltas à vil tosa,
Engenhosa,
Manhosa,
Fantasiosa,
Folclórica
Esclerótica.
Essa feia patuta
Bruta
Infiel
Cruel
E já em desnorte.
Viva a vida
Morte, à morte!
(Carlos De Castro, in Poesia Num País Sem Censura, em 19-08-2022)
RISO DA MANHÃ
Sempre que rio pela manhã,
À tarde choro lacrimoso,
À noite vem o pranto doloroso
Com lágrimas que queimam,
Sulfúricas,
As minhas ilusões telúricas,
Sempre que rio pela manhã.
E neste signo de afã,
Eu prometi a mim mesmo:
Não rir mais pela manhã!
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por escrever, em 23-09-2022)
O GALO
Cantava o galo rico
Na noite a dormir,
Toda ela em lençóis de linho.
Na mansão rica ainda fornicavam
Na adoração do falo
Que empratavam.
O rei cobridor bramia,
Como um gato feito galo.
O galo pobre, gemia,
Sem galo, na noite acordada
Na miséria dos lençóis do nada.
Na casa pobre,
Não havia fornicações,
Só falos murchos
E alguns estrebuchos.
Só gatos e gente que não come
Aos estalos no ar,
Aos murros,
Dando urros
Para afugentar a fome
De mais um dia.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 17-10-2022)