Mulher Separação
Blues do adeus.
Em uma de nossas brigas ele disse que partiria, disse que aqui já não era um bom lugar, que o amor pedia um pouco mais de liberdade e de liberdade eu não entendia, falou também que eu o sufocava e que não era um relacionamento saudável, de fato, de saúde eu nada entendia. Com os olhos mergulhados em lágrima o mandei ir, disse que não cobrava por amor, que não pedia atenção, que só queria ao meu lado quem queria estar por livre e espontânea vontade, e então ele atravessou a sala, passou pela cozinha, entrou em nosso quarto e abriu o guarda-roupa, pegou uma mala pequena que estava em nossa dispensa, estava toda empoeirada, o zíper estourado, mas isso não parecia incomoda-lo, pegou algumas roupas, dois pares de sapato e o óculos escuro que estava em cima da cabeceira ao lado da nossa cama, ou por hora, minha cama e partiu sem olhar para trás.
Por alguns instantes eu fiquei ali, anestesiada na sala, sentada na poltrona que era dele, não dei uma palavra durante muitas horas, nem sei quantas, mas ali permaneci por muito tempo, observando ao redor, quando consegui mover um musculo fui até a cozinha, peguei a vodca que estava dentro da geladeira há alguns meses –não bebíamos com frequência- preparei uma dose e voltei para o mesmo lugar, dessa vez com a poltrona voltada para a grande janela que havia em nossa sala, fiquei a observar o céu que por incrível que pareça parecia muito triste, tão triste quanto eu. Pra ser sincera não sei se estava triste pelo termino ou se foi pela forma de como ele partiu, mas ali permanecia a observar. Voltei à cozinha algumas vezes para repor doses de vodca, pura, sem água, sem gelo, absolutamente pura. Por volta das 01h00 da manhã fui até o nosso/meu quarto, sentei na cama de frente para o guarda-roupa e fiquei a observar, ele iria voltar se não para mim, para pegar o restante das roupas, havia deixado algumas camisas, ternos, dezoito pares de meia, algumas gravatas, que tipo de advogado só usa três gravatas? Ele iria voltar e ai eu enxergava uma chance de pedi-lo para ficar, para me ouvir, iria pedir outra chance, essa ideia rodeou minha cabeça por pelo menos quinze minutos e depois, foda-se, não iria pedir para ninguém ficar comigo, não iria implorar pelo amor de um merda, escroto, que me largou em pleno domingo, não sabe ele que no outro dia é segunda-feira e eu não posso beber pelo fato de acordar sempre de ressaca? Que grande imbecil. Depois de algum tempo extasiada em frente ao guarda-roupa, tentei dormir, mas a cama parecia muito grande, os travesseiros pesavam uma tonelada, não conseguia relaxar, ao lado da cama havia um relógio digital que indicava 02h00 da manhã, que grande merda, precisava acordar as 06h00 para ir trabalhar, mas não conseguia pregar os olhos, minhas pálpebras pesavam quinhentos quilos cada, quando finalmente consegui pegar no sono o despertador tocou. –Grande droga.
Quando me pus de pé o mundo girou, me senti em um avião que passava por uma grande turbulência, tentei me segurar no armário, mas foi em vão, cai sem conseguir sequer amortecer o meu corpo, nesse momento eu me senti humilhada pela lei da gravidade, depois de passar cinco minutos no chão, falando palavrões que nem eu mesma sabia da existência consegui me levantar e a turbulência continuava comigo. No quarto havia um banheiro, três passos e estava lá, mas dessa vez foi como se andasse três quilômetros, não aguentei por muito tempo, a turbulência parecia forte e logo vomitei toda a vodca com restos de um sanduiche que havia comido no almoço no dia anterior, antes dele me deixar. Não acredito, então esse foi o motivo pelo qual estou vomitando vodca, ele me deixou, que grande filho da put*, me deixou em pleno domingo, sabendo que eu iria beber à noite inteira, logo ele que sabe que não posso beber no domingo porque acordo na segunda-feira com uma ressaca de matar, sacana, sabia meu ponto fraco. Com certeza curtiu a primeira noite de solteiro com alguma puta que encontrou na primeira esquina, mas eu não quero mais saber, irei dá a volta por cima, irei trabalhar, marcar de sair com algumas amigas, de repente volto com algum garotão de 25 anos para casa e ai ele vai ver, vai tentar voltar, mas eu não vou querer, estarei curtindo minha vida, com amigas, bebidas, baladas e garotões, ele nem era isso tudo, disso eu posso garantir.
Naquele dia eu retornei para casa no horário comum, minhas amigas não estavam disponíveis, afinal, quem está disponível em plena segunda-feira.
Ao chegar em casa verifiquei a caixa de mensagem na esperança que houvesse algum recado dele dizendo – Me arrependi, quero voltar, essa noite voltarei para casa, vou me atrasar um pouco pois estou cheio de trabalho no escritório, levarei o jantar e um vinho, te amo, me perdoe.
Mas não havia uma mensagem sequer, nem dele, nem da minha mãe, nem da minha irmã, que grande droga, fui esquecida por todos, como pode algo tão pequeno havia se transformado em algo tão grande e doloroso?
Pensei que havia vindo em casa pegar o resto das roupas, fui para o quarto, o guarda-roupa estava do jeito que deixei, ou melhor, do jeito que ele deixou. As roupas continuavam lá, do mesmo jeito, não faltava uma peça de roupa sequer, aquilo foi reconfortante para o meu coração, pensei na chance de que ele iria voltar, mas não voltou. Nunca mais voltou.
Esperei por alguns meses, mas nada acontecia, nenhuma mensagem, nenhum bilhete, seu João da portaria não aguentava a pergunta repetida – Ele voltou? - Não moça, mas irá voltar.
Seu João me animava e me iludia ao mesmo tempo. Os homens não prestam, por um homem, apenas um, bebi inúmeros litros de vodca, litros que não haveria de beber por toda uma vida. Passei a odiar ele de um jeito que nunca havia visto, nunca senti tanto desgosto por alguém, tanto rancor, meu coração espedaçado se transformou em uma lamina que me contava por dentro, me fazia sangrar. Decidi mudar tudo dentro do apartamento, retirei tudo que lembrava ele, doei todas as roupas para moradores de rua, presenteei seu João com a poltrona, os quadros que ele amava – não podia negar, tinha bom gosto para arte – joguei fora, todos, me livrei de tudo que pertenceu a ele, mas não consegui jogar fora o sentimento que aqui dentro decorava meu coração e isso me amargurava. Queria eu ser uma bolha de sabão e por um descuido alguém aparecesse e me estourasse, me assoprasse para longe e assim desaparecer para sempre e ai não teria que conviver com aquele amor horrível dentro de mim, e melhor, não precisaria acordar com ressaca e com um cheiro horrível de álcool que transpirava pelos poros.
O quão fortuita deva ser a sorte da pessoa em tê-la, eu tive esse vislumbre por um breve momento…
Esses, sim, foram os meus melhores dias,
Descobri quem eu era de fato e vos conheci; não vejo formas ou palavras que possam descrever tamanhos momentos, tão breves... Daria tudo o que tenho e o que não tenho para revivê-las.
Ser o centro do seu universo me fez entender a mente de uma verdadeira mulher e que até hoje paira um mistério;
Por fim descobri o sentido da vida.
A ansiedade de nossos corações palpitavam ao mesmo ritmo, até que por precaução e a forma inevitável de sofrer, aquilo que era heliocêntrico, virtuoso se perdeu.
Ainda sinto sua falta, parte de mim se foi, e o que restou não consigo dizer.
Aquela música que jurei um dia que não seria de ninguém tomou sua forma,
Você não sabe o quão linda e adorável és.
Talvez eu me torne o cientista, obcecado em entender o amor e finalmente amar.
Choro com ela todos os dias, pois entretanto me lembro de ter a oportunidade de dizer que queria você com todos os seus defeitos para nunca mais devolvê-la.
Fugiu da minha vida agora escute meu amor
A vida esta vazia e sem você não tem sabor
Eu vou gritar seu nome
Escrever em outdoor
Eu vou gritar seu nome
Nao me deixe aqui tão só
Eu vou gritar seu nome
Para o mundo inteiro ouvir
Quem sabe você volta pra mim
Cotidiano
Dizia ela: "És o meu amor, nada nesta vida, entre nós, vai se contrapor".
Ele encantado com tal declaração,tranquilizou o pensamento, acalmou seu
coração.
Os dias passam e com eles, modificam-se as coisas.
De todo aquele amor eterno, onde nada se interporia, seus fundamentos
começaram a ruir.
Vieram interferências, idéias contraditórias,brigas e a triste separação.
Hoje, ele vive como se o chão não estivesse sob seus pés.
Coração aos pulos, disparado.
Lembra quando o amor era vivido a dois,e os sonhos que ambos compartilhavam.
Por parte dela, não sei de nada que haja acontecido.
Talvez esteja ela mais satisfeita do que ele, tem seus filhos ao lado.
Provável que tenha esquecido a declaração feita.
Nada importa, o coração que acreditou nela, que procure uma saída.
O dela, tranquilo esta. O dele, que busque uma maneira para viver a sua vida.
Roldão Aires
Membro Honorário da Academia Cabista de Letras Artes e Ciências
Membro Honorário da Academia de Letras do Brasil
Membro da U.B.E
Para baixo, para o lado e para cima
Entre os cercos debruçam-se vidas
Entre as distâncias demarcam-se moradores
Em pares, em folhas, em cantos
Escondem-se os prantos
Os risos, os sonhos, os encontros
Os possíveis, os imagináveis, os postergados
Desenganos em telas
Todos os dias elas nos abrem janelas
“Janelas de alumínio, madeira e silício -
Dentro de Caixas Verticais Compactas e Visitas Não Solicitadas”
Era inverno quando Laska chegou. Ao contrário do que esperava, não me colocou no colo, não me aqueceu muito menos tirou aquela agonia familiar do meu peito.
Chegou não sei se altivo ou nervoso, só sei que tirou tudo do lugar. Tirou todos os móveis do canto da sala, jogou minhas gavetas no chão, esvaziou meus armários, jogou as roupas na cama. Nem mesmo meu lugar secreto de bugigangas escapou daquele ataque estranho. Tirou as cortinas das janelas, bagunçou a cozinha. Eu olhava aquilo tudo primeiramente estática, sem entender. Depois, nervosa, pulei em seu pescoço tentado frear aquela disseminação da desordem, em vão. Ele continuou sua missão que durou pouco mais de uma hora.
A noite estava fria, ventava e caia uma chuva fina e triste e eu assistia desolada e derrotada aquele espetáculo da porta, sentada no chão, onde eu estava. Quando ele se deu por satisfeito, virou pra mim e disse: “Pronto, agora arrume.” Confesso que chorei. Era só uma casa, tudo bem, eu sei, mas era a MINHA casa, toda bagunçada, revirada de ponta a cabeça e com aquela imensa nuvem de descrença pairando no ar.
Esfreguei os olhos com as costas das mãos, como fazia quando criança. Olhei pra ele, nos olhos. Nem brigar consegui. Ele saiu pela porta me deixando ali com minha bagunça, com aquela bagunça tão parecida com meu interior. Sentei perto da cama. Não sabia sequer por onde começar, mas comecei. Furiosa, entristecida, descrente, fui pegando primeiramente minhas coisinhas pequenininhas. Encontrei um porta-retrato do 1º ano da faculdade, uma carta do primeiro namorado, uma foto envelhecida do meu saudoso pai, um cartãozinho de um natal antigo em família, e de repente, meu rosto de triste começou ter aquela leveza que a nostalgia das boas lembranças produz.
Encontrei também um tanto bom de recibos de contas antigas, molduras de tempos ruins e mais alguns outros resíduos de lembranças doloridas. Do guarda-roupas, acabei encontrando várias coisas que não mais deviam estar ali. E assim prossegui minha faxina forçada, encontrando em cada canto alguma coisa que me fazia chorar e sorrir, me livrando de algumas, guardando com ainda mais cuidado outras tantas. A faxina não acabou em um dia. Demorei semanas para colocar tudo em ordem. Creio que nem na última mudança vi tanta bagunça. Laska estava sabe-se lá onde… desde o dia do seu ataque que eu não o via.
Quando terminei a faxina no interior da casa, reinava do lado de fora caixas e caixas de coisas que precisavam ganhar novos donos, novos rumos e também o caminho do lixo. Sai de casa e encontrei novas casas para as coisas que precisavam de novos donos, deixei também um bom montante de caixas no lixo e dei aqueeeele tanto de papel de um passado não tão legal para o cara da reciclagem da esquina. Voltei pra casa leve. Até de sapatos eu havia me desfeito. Cheguei e observei como minha varanda estava linda. Nunca tinha notado o quanto parecia iluminada, limpa. Límpida.
Entrei e aquele ar que gosto de chamar de “esperança” me acolheu e abraçou. Achei tudo mais lindo e espaçoso. Havia me livrado daquela mesa de canto que nunca havia tido serventia alguma além de ocupar espaço. Havia me livrado também da cortina escura e a janela do jardim agora estava aberta deixando o cheiro do finalzinho de inverno entrar. Eu ainda estava ali, enamorada quando ele entrou. Entrou, me deu aquele abraço que só ele sabia dar, envolvendo meus braços, por trás e sussurrou no meu ouvido:”Será que agora você entendeu?”
Eu me virei e fui preenchida por aqueles olhos que me desmontavam por inteiro sem necessitar de palavra alguma e ao invés de raiva, repulsa, eu o abracei. Me joguei nos seus braços, com aquele choro de alívio regado a riso silencioso.
Não sei muito bem quando a ficha caiu, quando entendi. Só sei que foi bem no dia que Laska chegou e tirou tudo do lugar que entendi que amor só é amor quando de alguma forma te tira do ócio do comodismo e te relembra que para coisas boas chegarem é preciso arrumar “espaço”.
Naquele dia, “Laska” entrou de vez na minha vida, e desde então, nunca mais me questionei sobre o que é amor, “Laska” arde todos os dias em meu peito me lembrando que está ali.
O amor não correspondido não morre; ele só é reduzido a um lugar secreto onde se esconde, enrolado e ferido. Para alguns infelizes, é amargo e ruim, e aqueles que virão depois têm que pagar o preço da dor provocada por quem veio antes.
Eu sei que sempre vai ser a gente.
Eu sei que vai, estando ou não juntos.
Pois você foi meu maior amor, e nunca,
nunca mesmo, será esquecido, obrigada portudo que fez por mim, quero dizer, por nós....
VALORIZE-SE
Essa sinceridade demasiada, esse tom sempre peremptório e agudo, essa crítica sem nenhuma ponderação; sem nunca encontrar tempo para fazer um elogio ou vibrar com a conquista do outro, revela uma alma doentia e muito invejosa.
A permanência no ambiente e, a insistência em instruir quem geralmente não aceita a necessidade de cura ou sempre tem uma justificativa vitimista, custa muito caro; custa sua felicidade, sua paz, sua vida.
A dor de partir não é nada se comparada com a dor de ficar.
Sergio Junior
Quando chegar o momento
de encontrar um novo amor,
manda embora aquela dor,
dá adeus ao sofrimento,
joga fora o lamento.
Quando a vida der a volta,
aproveita e te solta
daquela velha prisão,
abre mais teu coração
para essa reviravolta.
Mas o amor é complicado, é enrolado. Pode inspirar altruísmo, egoísmo, nossas maiores realizações e nossos erros mais difíceis. Ele nos une e pode nos separar com a mesma facilidade.
Se o amor existisse realmente ele traria abraços e sorrisos, se o amor existisse ele traria a cura da saudades, ah que amor bobo e cruel, com certeza ele se escondeu no embrulho do presente e na lágrima que não caiu... amor não... Não é amor, não é paixão, não é amizade não é nada, não por vc, mas pela pessoa que não te ama.
Por que se separar?
Se 'ce parar para respirar,
Se 'ce parar para pensar...
Se separar o joio e o trigo
Saberá que sem destino...
Servirá qualquer lugar.
Conheça-te a ti mesmo, não tem nada a ver com autovalorização, autovalorização é sinônimo de separação, só as pessoas que ainda não tem a consciência de que tudo é UNO se apoiam em si mesmas ...
Kairo Nunes 06/03/2018.
Foi isso que aconteceu no amor. Um de vocês chorou muito e, em seguida, ambos se tornaram sarcásticos.