Memória
Mesmo que os caminhos se alterem e o tempo prossiga, a água sempre recorda por onde passou. Assim como as correntes hídricas guardam a memória de seus trajetos, nossas experiências moldam quem somos, deixando uma marca indelével em nossa jornada. A sabedoria está em aprender com cada curso que a vida nos proporciona, lembrando que, assim como a água, somos moldados pela história de nossos percursos.
É sobre saber marcar o coração das pessoas. Que as marcas sejam de amor para que sempre que surgires a memória de alguém, essa pessoa possa sorrir.
Percebo afinal meu pecado...
Em silêncio mais profundo...
Faria piedade a toda a gente...
Esta pena, esta dor...
Este é o preço da vida e todo o seu valor...
Horas que perdemos...
Vão pelo espaço acompanhando os astros...
E todo este feitiço e este enredo...
Na luta dos impossíveis...
Tão profundo meu segredo...
Das profundas paixões...
Dor infinita...
De guerra e amor e ocasos de saudade…
Da alma o profundo e soluçado grito...
De que fui para ti só mais um neste vasto mundo...
Hoje triste ouço a solidão...
Da luz que não chegou a ser lampejo...
Da natureza que parou chorando...
Diante meu descontamento...
A vida é assim, uma ânsia…
Fazes o bem...
Que terás o mal por paga...
E o sonho melhor bem pouco dura...
Por tanto querer-te...
Recebi amarguras...
Pouco antes...
Nada agora...
E a princípio não percebi...
Como chegastes...
Partiste...
Mas levastes um pouco de mim...
Na profundidade dum desencanto...
Fiz-te doçura do meu coração...
Não compreendestes...
Mudarás, todos mudam...
Mais tarde em tua vida, um dia, hás de tentar
revolver da memória este tempo de agora…
E sentindo então o vazio...
Lembrarás do deixado para trás...
Não se vive outra vez...
E o tempo a tudo vence...
Fostes embora...
Mas fiquei em paz...
Sandro Paschoal Nogueira
No exato instante em que a vislumbrei,
Fui alvejado por um querubim dourado,
Num lampejo, a vida renasceu em mim,
Vivo agora um amor que não tem fim.
Outrora, vivia imerso em aflição,
Minha alma ansiava por um afago,
O amor, mera quimera, sem razão,
Hoje é fogo que arde, em voo vago.
Dulcíssima é a tua companhia,
Que transborda alegria em meu ser,
Reacende sonhos, a fantasia,
E no teu abraço, volto a renascer.
Com coragem e paixão sem medida,
Juntos, forjaremos uma história,
Em teus braços, a vida é colorida,
Te amarei, além da eternidade, na memória.
Não se sinta na amarga obrigação de atender às expectativas dos outros, caso contrário, certamente, falhará, ninguém ficará plenamente satisfeito, além do mais, as suas também não serão todas atendidas, isso é inevitável, não tem jeito, considerando que somos humanos e cheios de defeitos.
Trazer este fato recorrente a memória, pode provavelmente tirar um peso farto da sua consciência, evitando várias frustrações, permitindo alguns momentos de sossego, motivando benéficas emoções, portanto, um lembrete que é bastante válido, assim, esquecê-lo se torna muito inconveniente.
O erro de querer agradar sempre é ser constantemente desagradável consigo, porém, existe um máximo possível de cada um que pode ser feito, incomparável, que será insuficiente para muitos e por poucos, será valorizado, o que poderá manter os valorosos por perto e os que não são para ficar, afastados.
Mordomo Querido
Uns meses que parece eternidade,
Como os meus versos de palavras frias,
O seu ceifar, entre murmúrios e saudades,
Nas vísceras da vida, a criar na dor suas sintonias.
À inevitável senda, em palavras dissonantes,
Testemunha e vítima das desventuras terrenas,
Percorrendo o espectro das existências distantes,
Num poema sem eufonia, rimas atrozes ou pequenas
Que no além, sejas agora o eterno guardião,
Das memórias vivas, dos feitos e desfeitos,
Entre a terra e o além, numa eterna transição,
Meu mordomo querido, meu amigo eleito.
Descansar? Paz é utopia, e no além não há sossego,
Paulo, mordomo querido, na eternidade de um enredo,
Guarda-nos de teu posto, nas sombras do teu eterno apego.
Sob constelações, teu serviço é divino fadário,
Além da vida, és guardião, nosso eterno secretário,
Na penumbra etérea, permanece o teu legado.
Existem dias em que a saudade surge como o sol por trás de alguma lembrança bonita e enche a nossa vida de poesia.
Pranto oculto
Por suas estrelas,
a noite é linda,
e a escuridão que
não se vê
é pranto oculto,
latejante,
vulto
que dói profundo.
Escala o mundo
… em vão.
É a estrela mais distante,
entalada na memória
e no semblante.
É como verso acabado
de amor sem amantes.
E a que brilha
é como a velha música
em notas da trilha,
algo grande que antes havia
e não há mais.
Por todas elas
a noite…
Às vezes escura,
às vezes bela.
É como a vida:
- Eterna espera.
Olhei demoradamente
para a foto da família.
Rostos lindos,
que meu coração vê.
Dedicatória
de algum ano
em que o sol se punha, rindo.
De lá para cá, eu a perdi,
juventude!
Agora, só a tenho retratada.
Mas eu ainda a encontro na memória...
Ficou longe
a cor da infância!
Silêncio é o que prende
a garganta.
Fecho os olhos.
Saudade!
Cara e coragem,
eternas bagagens
desta viagem
rumo ao fim.
Viver é partir
sem apetrechos
nem preconceitos,
levando a vontade
de ir, passo a passo,
construindo a história
preenchendo lacunas,
de lembranças na memória.
As memórias ficam contidas em lugar fechado. Por vezes as de bem longe aparecem e nos assaltam com a nitidez da recordação... Maravilhosa é nossa memória!
Feliz de quem não tem mais o pai por perto, mas tem uma saudade bonita personificada de presença lhe consolando o coração e lembranças queridas e tão vivas que não se apagarão jamais da memória.
ⁿᵒᵗ𝐀𝐒
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O tempo é um apagador de memórias. O habitat vai se modificando - como é o seu `costume´- e claro, nós, uma vez que somos parte deste.
Mas, pra quase tudo tem um jeito. Nos apegamos com unhas e dentes à saudade. Ela – essa dorzinha gostosa - “é o que faz as coisas pararem no tempo”, diz Mario Quintana.
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Ontem, vasculhando meus guardados, encontrei um amarelado talão de cheques do saudoso BEC – Banco do Estado do Ceará, onde trabalhei quase16 anos. Antes, passei 2 anos na Credimus.
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“Incontinenti”, lembrei dos nomes famosos dos cheques. Cito alguns:
Cheque Peixe - Bate no banco e ... nada.
Cheque Boemia - Aqui me tens de regresso.
Cheque Bailarino - Quem apresenta no caixa, dança.
Cheque Cowboy - Só recebe quem saca primeiro.
Cheque Denorex - Parece bom, mas não é.
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Quando aparecia um novo nome – que não passava muito tempo para se tornar famoso – era motivo de brincadeiras entre os colegas.
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Hoje – quase desaparecido – o talão virou Pix. É Pix pra lá, é Pix pra cá... Meu temor é que num Pixcar de olhos, nos transformemos em `Pixcopatas´. Oxalá isto não aconteça!
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Dizem que voltar ao passado com postura nostálgica é doentio, mas voltar ao passado com o fito de aprendizagem é super-hiper-must-plus importante!
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Mas sabe de coisa, amigos: foi-não-foi, não me furto em querer voltar a esse passado, ainda que me tachem de doente. – Ainda vai querer renascer canceriano? – Vou!
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Aᶦʳᵗᵒⁿ Sᵒᵃʳᵉˢ 20.08.24
Uns cantam quando riem, outros quando choram, eu quando bebo, porque choro rindo, misturando todos os sentimentos em uma só dose