Meio
Eu olho para trás e você ainda é aquele ali, parado na esquina, sorrindo meio desengonçado, esperando que eu abra o portão. Esperando que eu te abrace e depois te beije, e que te diga que sua camisa não combina com sua calça. Eu olho para trás e você ainda é o meninão que ri das minhas piadas, que passa a tarde inteira jogando cartas com minha avó enquanto eu faço as unhas, que sabe que odeio que mexam no meu pé (e que sempre o faz para me ver ficar brava). Eu olho para trás e você ainda é o homem que me faz mais mulher, que me arrepia o pêlo, que balbucia meu nome com fervor, que me segura pela cintura e aperta forte meu corpo contra o seu. Eu olho para trás e você ainda é o amigo que me ouve, o único que me conhece por inteiro, de alma, que conhece cada centímetro de mim. Conhece todas minhas manias, todos os meus sorrisos, todos os meus olhares. Eu olho para trás e você ainda é o confidente que sabe meus segredos, meus medos, meus crimes, meus sonhos.
Mas quando eu olho para trás, você está, atrás. E cada vez mais atrás, e diminuindo, e indo embora. E se tornando mais uma lembrança do que uma presença, mais uma foto no mural do que uma ida à praia, mais uma página do diário (algumas páginas) do que um filme no fim da tarde. Uma paixão que veio, fez tormenta, tirou o sono, fez o teto cair e o chão fugir. Devastador. Mas que resolveu partir, assim, sem mais nem menos, como quem não quer nada. Foi-se com a chegada do inverno. Eu olho para trás e vejo um amor de verão, um sonho bom, uma lembrança terna.
E de repente, bum! É hora de olhar para frente, e ver que a vida está acontecendo, e que há alguém pra se olhar. E eu olho para frente e despeço-me de outra vida, sorrindo com alegria e abrindo meu coração com emoção para a brisa de primavera que traz outra vida, outras emoções, outros contos, que traz mais prosa e poesia, e que traz meu amor.
Eu me perdi de mim. Me perdi em meio aos momentos de crise, me perdi em meio aos surtos de ansiedade. Me perdi. Não me considero nem sombra da pessoa que eu costumava ser tempos atrás. Perdi a vontade, perdi o interesse em coisas que antes eram consideradas de extremo valor pra mim.
Fato é que é duro se perder da gente. A gente se ama tanto, a gente se cuida tão bem pra do nada a vida vir te golpear e você se esquecer daquela pessoa maravilhosa que você foi um dia...
Eternal
Sempre fui meio egocêntrico, muito orgulhoso, meio frio, eu diria... Sempre procurei não precisar de ninguém, talvez esse seja meu mal, ou talvez seja minha maior qualidade... Enfim, nunca corri atrás de nada e nem de ninguém, então, se eu te procurar, acredite, você é tudo pra mim.
Ela era assim.
Meio desfragmentada
Mas em todos os fragmentos dos seus espelhos
podia-se contemplar o reflexo do amor.
Já vivi tanta coisa, tenho tantas a viver
Tô no meio da estrada e nenhuma derrota vai me vencer
Hoje eu acordei livre: não devo nada a ninguém
Não há nada que me prenda
Um rápido lanchinho no meio do trabalho. Igrejas sempre me deixam com fome. Sabe como é, aquela coisa do sangue de Cristo.
No mundo em que vivemos, a poluição está presente não só no meio ambiente, mas também nos corações de seus habitantes.
O tempo é como uma águia, o passado é como uma fênix e eu sou um beija-flor no meio disso tudo. Pois o tempo voa rápido, o passado sempre ressurge e eu apenas observo, parada no ar, mas em constante movimento.
"-Sou um jovem carente, meu castelo de areia foi derrubado, minha bola foi parar no meio da rua e minha pipa tá no telhado do vizinho."
Queria que num dia desses que a gente se visse, você no meio do meu silêncio de mil palavras caladas, parasse para me ler.
Não me dou pela metade,
não sou tua meio amiga nem teu quase amor.
Ou sou tudo ou sou nada.
Não suporto meios-termos.
E as horas lá se vão, loucas ou tristes...
Mas é tão bom, em meio às horas todas,
Pensar em ti... saber que tu existes!
Todo acontecimento, grande ou pequeno, é uma parábola por meio da qual Deus conversa conosco. E a arte da vida é entender a mensagem.
… é fraco o meio de defesa que não depende de ti. E somente são bons, certos e duradouros os meios de defesa que dependem de ti mesmo e do teu valor.
O Príncipe
O amor não é um sentimento!
Amor é uma decisão, um ato!
Nós vivemos em meio a vários sentimentos. Sentimos fome, frio, dor. Gostamos das pessoas ou de objetos. Sentimos medo, raiva, angústia e muitas outras coisas em nosso dia a dia. Tudo isso, no entanto, passa. Eu posso estar feliz e em dez minutos receber uma notícia ruim e ficar extremamente triste. Eu posso estar com uma dor horrorosa de cabeça, tomar um remédio e imediatamente sentir-me melhor. O que eu quero dizer com isso é que os sentimentos são passageiros.
Veja bem, se gostamos de uma pessoa, esse sentimento não será para sempre. Ou ele evolui para amor ou simplesmente deixamos de gostar da pessoa. Da mesma forma a raiva, é normal sentirmos raiva, uma vez que somos limitados e incapazes de vivermos no amor plenamente. O que não podemos deixar acontecer é o sentimento de raiva evoluir para o ressentimento. A raiva também passa. Quantas vezes brigamos com nossos irmãos e no dia seguinte estamos abraçados com eles?
O amor não se encaixa neste contexto de sentimento. Se o amor fosse um sentimento ele seria frágil. E o amor não é frágil. O amor é um ato, uma atitude em favor do outro. O que o amor é então?
O amor, segundo o dicionário Aurélio, é um sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outra pessoa; então temos que corrigir o Aurélio; amor é um ato que leva alguém a fazer o bem a outra pessoa. É necessário fazer essa correção uma vez que, como foi visto anteriormente, amor não é um sentimento.
No capítulo 13 do livro de Coríntios, versículos 4 a 13 diz:
"O amor é paciente, o amor é prestativo; não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais passará. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência também desaparecerá. Pois o nosso conhecimento é limitado; limitada é também a nossa profecia. Mas, quando vier a perfeição, desaparecerá o que é limitado. Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Depois que me tornei adulto, deixei o que era próprio de criança. Agora vemos como em espelho e de maneira confusa; mas depois veremos face a face. Agora o meu conhecimento é limitado, mas depois conhecerei como sou conhecido. Agora, portanto, permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e o amor. A maior delas, porém, é o amor."
Por meio de uma ginástica perseverante e gradual, as forças e agilidade do corpo se desenvolvem ou se criam numa proporção que espanta. O mesmo se dá com os poderes da alma. Quereis reinar sobre vós mesmo e sobre os outros? Aprendei a querer"