Maré
Costumo dizer que sou parte do mar
sou de maré e como elas vou e venho.
e se preciso acho uma concha para me abrigar.
Quando a oportunidade de nos manifestar bate em nossa porta e não abrimos, deixamos passar a maré de exigirmos melhorias para nós e nossa sociedade.
Hoje hei de navegar pela maré com a lebre lunar de olhos cor de âmbar correndo pelas ondas iluminadas pela lua e meu corpo naquele mar estelar.
O destino te trouxe pra mim, Como a maré trás uma concha do mar, Como a onda que quebra na praia, Você quebrou em mim, Não há mais o que fazer, Estava escrito você me encontrar, Eu te amava mesmo antes de nascer, E depois de morrer ainda vou te amar, Tudo que existe no Mundo de bom, Tudo o que te faz sorrir, Me faz ser música e tom, Faz a nossa melodia existir, Se tudo era pra ser assim, Se tudo sempre é igual, Não acredito nesta história de fim, Pra sempre é pra sempre e ponto final.
A vida é um castelo feito na areia à mercê da alteração da maré. O que ela tem de frágil é o que lhe confere força e esse vai-e-vem das marés é o que a torna assim tão preciosa.
Nunca sabemos quanto tempo vai durar a perfeição da sua construção. Quando menos esperamos vem uma onda gigante e transforma novamente em pó o que do pó foi construído.
Em um mar agitado
O que te mantém de pé é a clareza de que em algum momento essa maré ruim vai passar.
No compasso do meu interior.
Sob a luz prateada da lua
O mar dança em sussurros de maré
Vibrações energéticas fluem cruas
No compasso de um cantigo que é fé
No meu mundo interior, a música ecoa
Cada acorde ressoa como ondas no mar
É a essência que em mim sempre voa
Num balé de sentimentos a navegar
A lua, guardiã das marés e dos sonhos
Reflete em mim um cântico sem igual
As vibrações do mar, suaves ou risonhos
São melodias que me fazem ser real
Em cada nota, encontro o meu ser
Na harmonia do universo a pulsar
Meu canto interior, eterno florescer
É a minha sinfonia de viver e amar.
"Porque remar contra a maré e o senso comum é diferente; e ser diferente - naquilo que é bom - proporciona as mais inusitadas experiências e sensações."
(FBN, 07.11.2024)
NAVEGANDO
Navegando a onda da vida
tento equilibrar a maré.
Procurando a saída
dum maremoto de marcha a ré.
Oceano revolto e malfadado
é esta minha existência ciclónica.
Mundo de patas para o ar
feito um molho de brócolos.
Ando num barco furado,
as velas não valem um penico.
Não vejo meu de parar
este ciclo vicioso, nem pelos binóculos.
Terra firme quero pisar
o mais depressa possível.
Mas não vejo, por este andar,
um arco-íris visível.
Já é tarde
e a maré já está subindo
os ventos sopram devagar
escuto o som das ondas do mar
Por um momento penso
estar vendo uma nuvem em cima do mar
O que ela esta fazendo aqui embaixo?
seu lugar é no céu!
Então ela me disse:
_Eu vim me refrescar
Por muitas vezes eu faço chover
então resolvi descer e me banhar
Eu fiquei olhando e sorrindo
vendo a nuvem dançar
nas ondas deste lindo mar
Você conhece a minha fé
E meu destino
Maré, jangada guiará
Não sei se um dia vou voltar
Estou aqui frente ao mar
Meu horizonte a Deus dará, confesso
Nos teus olhos há coisas que não leio
mar alto sem ondas nem maré,
fortuna, amor que quis mas nunca veio
e continuamente me tem tirado a fé.
Em mim há uma fadiga que se instala,
um lamento, uma agonia que se inscreve,
a musica por fim já não me embala
e a falta do teu toque não é leve.
Só penso no teu beijo amargo e quente ...
... ái ... aquele instante doce e morno
onde nada do que foi é já presente
e vive o pensamento ao abandono .
Se tu pudesses ver o que não vês
as lágrimas inundam a nossa cama
só lembram nossos corpos na nudez
entrelaçados em gestos de quem ama.
Fica entre nós algo vazio que nunca é
dois olhos que se tocam num enleio
a tua perna encostada no meu pé
a minh'Alma reclinada no teu seio.
Maré -
Quando um dia eu morrer
como os rios ao correr
quero ser espuma do mar;
hei-de ser um Céu estrelado
ser vento desnorteado
que me leve pelo ar.
Quando um dia eu morrer
e alguém por mim sofrer
quero o mar por sepultura;
a maré como um caminho
barco triste, tão sozinho,
que o infinito procura.
Quando um dia eu partir
direi adeus a sorrir
saberei como voltar;
voltarei em dia vão
no rimar da solidão
e na espuma do mar.
Como um sentinela
Em silêncio
Vejo a lua cheia na maré alta
iluminando o horizonte
da escuridão
Enquanto sinto-me
Uma triste vela
De chama vazia cabisbaixa
apagando-se cega
na solidão.