Linguagem
função de poeta
poeta é quem revela
os ângulos íntimos da linguagem
arranca sentido até do que é bobo
superestima o fundo do poço
imortaliza mulheres em poema
A Matemática é a linguagem secreta do universo, presente em cada padrão, cada movimento e cada escolha que molda a nossa vida!
Música: Figura de política.
Autor: Dênisson Hélder Dinéh.
Um dia, a linguagem literal foi exilada pela figura de linguagem.
Quando o bolso pesar, dizem que a Antítese alivia.
Se a Metáfora faltar, não adianta gritar com Onomatopeia.
Se o modelo prioriza ditaduras amigas, a gente dissimula, trabalha em dobro e espera a Hipérbole passar.
Nas contas públicas no vermelho? Use a Hipérbole, jamais a Comparação.
Onde houver comissionado incompetente, a Prosopopeia se faz presente, dando vida a quem nada produz.
Basta a Catacrese sentir uma Sinestesia para o povo tomar uma Antonomásia (o apelido que vira condenação).
No fim, vai bater a saudade da linguagem real e direta.
Aquela que diziam doer, que diziam ser de ódio, que diziam ser bruta...
Mas era apenas a verdade sem filtro.
Só não vale repetir que foi GOLPE.
Aí já não é figura de linguagem... é Ironia do Destino
“Caminho das rosas”Poema
Todas as rosas são chamadas rosa...
As rosas falam a linguagem do amor.
Exalam os perfumes das flores...
Canta a vida, a alegria, à dor.
Falam dos sonhos, embalam o amor...
Soluçam baixinho e bebem gotículas do orvalho da noite.
Desabrocham-se felizes com os raios do sol.
E se curvam tristonhas debruçam em seus galhos...
Solta os espinhos que ferem doidos.
Com que elas enfeitam a realidade da vida.
Mostram-lhes cores vibrantes...
Aos apaixonados transmite carinho.
Aos braços da amada, suspiros baixinhos.
Das mães a alegria e lagrima no olhar...
Dos amigos o aroma marcante...
Parecem escutar com carinhos.
Dos que vagueiam nos silencio da alma...
Trás esperança ao coração sofredor.
As rotas por onde transpassam...
Não deixa ninguém sozinho.
Sorriem ao nascer do dia...
Dançam, acenam e dizem bom dia.
Depois de exalarem perfumes suave...
Na calada da noite se silenciam.
Falantes, transmitem mensagens de amor...
Na amizade conquista o calor.
E aos noivos trazem felicidade...
Tornando se em boquê de flor.
O buquê é o sonho que se tornou verdade.
Fazendo os noivos chorar.
Alegra as moças que espera um...
Um buquê poder abraçar.
As rosas de todas as cores...
Vibram incentivando o amor.
Olhando para a lua vi seus olhos brilhar...
Vi sua alma suspirando no desejo de amar.
Senti as gosta do orvalho no meu corpo a saltitar.
Senti o sabor de seus beijos mesmo sem te beijar.
enfeitados com rosas vermelhas, no doce prazer de amar.
Somos os seres mais teimosos da face da Terra. Dotados de inteligência, consciência e linguagem, ainda assim insistimos em negar o encerramento dos ciclos. Aceitamos o fim das estações, das histórias alheias, das coisas, mas resistimos quando o ciclo fala de nós. Quando o fim nos inclui, quando aponta para a nossa própria vida, criamos ilusões de permanência.
Talvez porque admitir o fim seja admitir limites. E limites ferem o orgulho de uma espécie que se acostumou a se ver como centro, não como passagem. Mas a vida não é feita para durar, é feita para significar. O ciclo não se fecha como punição, mas como conclusão. O fim não anula o que fomos; ele sela o que deixamos.
Negar a finitude não nos torna eternos, apenas nos impede de viver com profundidade. É quando reconhecemos que o tempo é finito que cada gesto ganha peso, cada escolha ganha verdade, e cada amor deixa de ser adiado. O fim não é o oposto da vida. O fim é aquilo que dá valor a ela.
O silêncio de uns, é a linguagem para outros, loucos não, mas indubitavelmente fortes em busca de empatia.
A linguagem do ESCRAVO é a greve, se não for como eu quero não vou mais.
A linguagem do SERVO é o salário, só vou se tiver algum benefício.
A linguagem do FILHO é o amor, vou porque amo-os, mesmo na imperfeição, desvantagem e dor, pois vou para entregar não para receber.
“O corpo não mente: ele expressa aquilo que a linguagem ainda não conseguiu dizer.”
O Ser Humano como Sistema Integrado
Nina Lee Magalhães de Sá
“O eu não nasce pronto ele se constrói no corpo, na dor, na relação e na linguagem.”
O Ser Humano como Sistema Integrado
Nina Lee Magalhães de Sá
A religião é um tema que se divide em vários cleros e cada um em sua linguagem própria, mas que falam do mesmo assunto, que é a criação, o criador e os mensageiros, sempre com a finalidade de levar até nós, a evolução interior através da fé.
Linguagem da tua pele
Teu corpo me chama no silêncio,
e eu me perco na linguagem da tua pele, nesse calor que se aproxima devagar e ensina o desejo a respirar.
Suspiros se confundem no ar,
mãos aprendem caminhos sem nome, e o que nasce entre nós
já não aceita fronteiras.
Quando a pele encontra a pele,
o mundo recolhe a própria voz,
e só permanece esse fogo íntimo,
ardendo sem pedir permissão.
Pecado de nós
Aonde ficaram as lágrimas o vazio pernoitou,
na linguagem do amor, um se disse cego, a outra parte se mostrou mudo,
em ambas as partes a voz que toca é a do ego que assopra e assola,
e assim o cheiro do perfume foi se esvaziando do frasco,
o pecado de nós está sendo deixado sem laços,
o pouco que resta de mim cai lentamente em tudo que escrevo.
DA ÁGORA AO ALGORITMO: RETÓRICA PERSUASIVA E O FLAGELO DAS REPUTAÇÕES.
A linguagem persuasiva tem seu pedestal no século 21. Ela tem a retórica com várias caixinhas, distribui cancelamento gratuito. Todavia, não é algo novo: reis, rainhas, presidentes e pessoas comuns passaram e irão passar por este flagelo mental, tendo reputações atingidas.
A retórica como arte da persuasão sempre existiu para mobilizar emoções, simplificar narrativas e construir ou destruir reputações. Na Grécia Antiga, os sofistas ensinavam técnicas para convencer multidões, muitas vezes priorizando o verossímil e o efeito prático sobre a verdade absoluta. Platão os criticava duramente por manipular opiniões sem compromisso com a essência das coisas (nos diálogos *Górgias* e *Fedro*). Aristóteles, por sua vez, sistematizou a disciplina de forma mais equilibrada em sua *Retórica*, definindo-a como “a faculdade de descobrir, em cada caso, os meios de persuasão disponíveis”. Ele separou a retórica da dialética (busca pura da verdade) e identificou os três pilares fundamentais que ainda hoje orientam a análise persuasiva: *ethos* (credibilidade e caráter do orador), *pathos* (apelo às emoções do auditório) e *logos* (razão, argumentos lógicos e evidências).
A retórica antiga era essencialmente; oral, praticada na ágora, nos tribunais e nas assembleias políticas. O orador enfrentava um auditório presente, concreto e limitado. A entrega (gestos, tom de voz, presença física) era crucial, e havia espaço para réplica imediata. O objetivo ideal era a adesão racional e emocional a favor do bem comum, embora abusos sofísticos fossem comuns.
Retórica Antiga × Retórica Moderna: diferenças, continuidades e evolução
A retórica não morreu com a modernidade — ela se transformou. No século XX, Chaïm Perelman e Lucie Olbrechts-Tyteca resgataram e atualizaram a tradição clássica com a "Nova Retórica" (Tratado da Argumentação, 1958). Eles expandiram o conceito de persuasão para além do discurso oral, enfatizando a “adesão do auditório” em qualquer contexto argumentativo.
No contexto; digital do século 21, a retórica ganha escala, velocidade e complexidade inéditas:
- Meios e formatos: De oral para multimodal (texto, imagem, vídeo curto, meme, stories, algoritmos). A presença física deu lugar à “presença virtual” e à edição cuidadosa.
- Escala e velocidade: Um argumento (ou ataque) pode alcançar milhões em minutos, sem filtro de auditório físico. Algoritmos das redes sociais privilegiam *pathos extremo* (indignação, raiva, empatia rápida) porque gera mais engajamento do que um logos equilibrado.
- Accountability e anonimato: Qualquer pessoa pode participar da persuasão ou do “cancelamento”, mas com menor responsabilidade pessoal. O *ethos* torna-se frágil e volátil — construído ou destruído por snippets fora de contexto ou narrativas emocionais simplificadas.
- Continuidades claras**: Os três pilares aristotélicos permanecem centrais (ethos, pathos e logos).
- Diferenças principais: A antiga era mais contida pelo contexto cívico e pela possibilidade de debate direto. A moderna é mais democratizada, mas também mais manipuladora em potencial, pois ignora contexto profundo, favorece o emocional imediato e opera em bolhas algorítmicas.
Em resumo: a retórica antiga era uma arte ensinada com responsabilidade cívica (mesmo com abusos). A moderna é uma força amplificada pela tecnologia — mais rápida, acessível e poderosa, capaz de distribuir “cancelamento gratuito” em massa, mas também de expor injustiças que antes ficavam ocultas.
Ao longo da história, reis e rainhas também sofreram esse flagelo. Um exemplo clássico é o caso de Maria Antonieta, rainha da França na época da Revolução. A ela é atribuída a famosa frase “Que comam brioches” (Qu’ils mangent de la brioche), como se, ao saber que o povo não tinha pão, ela tivesse respondido com indiferença luxuosa. Na verdade, não há registro histórico confiável de que ela tenha dito essas palavras. A frase aparece primeiro nas *Confissões* de Jean-Jacques Rousseau, quando Maria Antonieta ainda era criança. Anos depois, foi usada como propaganda revolucionária para destruir sua imagem e despertar indignação popular. Mesmo sendo uma lenda, a narrativa emocional simples funcionou como arma retórica poderosa — um lembrete de como uma história bem contada pode superar os fatos.
No século 21, o fenômeno assume contornos partidários, com narrativas seletivas, trechos fora de contexto ou amplificados que atingem reputações antes mesmo de provas concretas.
Como podemos seguir em frente?
O cancelamento é uma forma moderna de ostracismo coletivo, muitas vezes ineficaz para mudanças reais e duradouras. Ele promove medo, autocensura e polarização. Para navegar nesse ambiente com mais resiliência:
1. Não dê poder excessivo ao tribunal da internet — Ignore o barulho inicial e responda com fatos quando necessário.
2. Seja honesto, consistente e contextual — Use ethos forte e logos claro para evitar distorções.
3. Quando errar, admita com humildade e ações concretas — Evite desculpas vagas.
4. Construa reputação resiliente — Foque em contribuições reais, valores claros e diálogos fora das bolhas.
5. Use a retórica com responsabilidade — Prefira verdade + empatia em vez de manipulação emocional pura. Evite “cancelar de volta”.
6. Mantenha perspectiva histórica** — A retórica sempre foi neutra. O antídoto está em priorizar razão sobre emoção coletiva e contexto sobre trechos isolados.
No final, a linguagem persuasiva é neutra. Quem segue com integridade (mesmo imperfeita) tende a resistir melhor ao flagelo.
Leituras recomendadas
- Aristóteles — Retórica
- Platão — Górgias e Fedro
- Chaïm Perelman — Tratado da Argumentação
- Jon Ronson — Humilhado
- Greg Lukianoff & Jonathan Haidt — The Coddling of the American Mind e The Canceling of the American Mind
Ysrael Soler
#DaÁgoraAoAlgoritmo #CulturaDoCancelamento #RetóricaPersuasiva #CancelamentoDigital #LiberdadeDeExpressão #PensamentoCritico #ÉticaDaPalavra
Às vezes o coração transborda, mas a alma não encontra linguagem.
É como carregar um universo inteiro dentro de si e ainda assim não saber por onde começar.
Não é falta de palavras.
É excesso de sentir.
É quando o olhar pesa mais que qualquer discurso, quando o peito aperta sem aviso e o que existe dentro de você simplesmente não cabe no mundo.
Um milhão de sentimentos… e talvez, no fundo, nem precise de palavras, porque quem sente de verdade, entende.
"A bondade é a única linguagem que o surdo pode ouvir e o cego pode ver; praticá-la é enriquecer a alma sem gastar um centavo."
